Por Guilherme César
Ainda que o tempo sem escrever me faça questionar se ainda sei, hoje uma frase que li me despertou intensas reflexões, as quais senti que não deviam ficar apenas dentro de uma mente caótica. Mesmo que, se uma frase pode despertar reflexões, o que seria capaz de fazer um texto? E, sobretudo, o quanto ele poderia impactar um leitor despreocupado?
Me peguei mais cedo pensando sobre algo que li, que dizia que se quisermos algo, temos que dá-lo antes de receber. Por exemplo, se você quer atenção, deve dá-la, se quer amor, deve dá-lo. E isso foi o estopim para uma enormidade de pensamentos que não querem se calar. Afinal, estamos mesmo dispostos a ofertar ao outro aquilo que tanto queremos receber? E o quanto oferecemos, é o suficiente?
Gosto bastante de observar o comportamento dos outros, de apreciar como o mundo gira e os padrões que os indivíduos seguem. Nisso, fica perceptível como a grande maioria apenas quer receber, seja carinho, atenção, amor, enquanto apenas uma parcela pequena está pronta para oferecer, sem nem mesmo esperar em troca. São dois extremos, que em algumas vezes, talvez mais do que seja o certo, se relacionam. Todos buscamos algo, todos queremos algo, seja do outro, do mundo, de Deus, ou seja lá de onde esperamos. Todos buscamos um objetivo, material ou não, mas nem sempre estamos preparados para oferecer algo em troca, ou até mesmo queremos oferecer.
Quanto aos relacionamentos, sejam eles amorosos ou não, cabe sempre a responsabilidade de comunicar ao outro aquilo que estamos dispostos a oferecer, ainda que o ego, a insegurança ou os traumas nos impeçam de dizer com clareza, por uma infinidade de motivos. A dita responsabilidade afetiva prega que, não importa o que sentimos, precisamos ser honestos e expor isso, para que o nosso silêncio não seja danoso a quem nos cerca. E isso se relaciona totalmente ao que o título diz. Antes de buscar o amor, temos que ser responsáveis para dizer o que estamos dispostos a oferecer em troca e deixar ao outro o direito de escolher se aquilo lhe é o bastante. Assim, talvez, se evitariam tantas relações desbalanceadas, em que um pede tanto e o oferece tão pouco, enquanto o outro dá tudo de si e ganha em troca apenas migalhas.
E não se engane, como mencionei acima, não se trata só de relações amorosas, de casais ou pares, isso também se refere às amizades, às conexões familiares. Será que você que cobra atenção plena de seu amigo, que ele o ouça, que lhe aconselhe, que esteja lá por ti, está disposto a fazer o mesmo? Será que, na vida corrida, não esquecemos de quem nos cerca e nos preocupamos apenas em buscar o que queremos?
Há, ainda, o contexto do outro. Nem todos conseguem transmitir com clareza seus pensamentos e emoções, nem todos são capazes de ler, adivinhar, ou entender o silêncio do outro. Por isso a responsabilidade, a empatia e a sensatez são tão importantes nas relações. Nós precisamos ter ciência do quanto estamos dispostos, mas também do quanto o outro é capaz de ofertar. Não dá para procurar cimento no açougue. Haverão relações que ofertarão apenas diversão, haverão aquelas que darão profundidade. Haverá quem mergulhe de cabeça e quem tenha medo do salto. Cada situação, cada pessoa, um pequeno universo.
Com isso, a conclusão que a explosão de pensamentos me fez chegar é que precisamos ser claros naquilo que queremos, onde buscamos e como expressamos, da mesma forma que precisamos estar dispostos a dar aquilo que desejamos também, para que exista equilíbrio. Agora, se isso se faz regra, mandamento ou não, já não posso afirmar. Como eu disse, são apenas pensamentos que podem ou não fazer sentido para alguém. Para mim, com toda certeza, farão a diferença. E para você, será que está disposto a oferecer tudo aquilo que quer de alguém? No fim, a vida é sobre a dita reciprocidade.

Adorei o texto! Me gez pensar o quanto sou egoísta muitas vezes e o quanto me mutilo, me anulo para agradar a quem não tem nada a oferecer e não dabe nem receber.
ResponderExcluirParabéns!!!