Por
Guilherme César
Um ângulo diferente: A verdade através
dos olhos de outro
Ser amiga de alguém e ver essa pessoa
sofrendo doí mais do que quando nós mesmos sofremos. Querer ajudar e não saber
como é angustiante. A vida seria mais simples se com um abraço pudéssemos tirar
toda a dor do coração de alguém e quando esse abraço terminasse, a dor que a
pessoa sente não conseguisse voltar.
Desde a quinta-feira eu permanecia
preocupada, tentando de alguma forma achar uma maneira de ajudar o Dan. Aquele
maldito idiota. Como poderia ser tão burro ao ponto de ser enganado por aquela
vadia? Que vontade de espancar aquela cara cínica dela. E lógico dar uns tapas
na cara dele também.
Éramos amigos fazia já um tempinho,
mas ainda assim eu não tinha me acostumado com a capacidade que o Daniel tinha
de sofrer pelas garotas erradas. Tudo bem que a Isabelle era um amor de pessoa,
mas as que vieram antes dela não seguiam a mesma linha. Todas as pequenas
paixonites que ele teve depois que morou na capital se mostraram ser fontes
inesgotáveis de sofrimento. Daniel tinha o dedo pobre para mulheres. Sempre
acabava escolhendo as meninas que o fariam sofrer. Era incrível como ele sempre
sofria. Um tolo, ingênuo e de coração puro. Todas as vezes se entregava, se
apaixonava, doava seu amor sem medo. Era raro alguém assim, mas era triste
também. Amava tão intensamente, mas sofria dobrado. E aquela dor o destruía aos
poucos.
Por diversas vezes eu briguei com ele,
implorando para que fosse menos intenso, mais cauteloso. Mas o babaca nunca
conseguia se controlar. Se jogava de peito aberto, amava sem se preocupar com a
dor. E nem ao menos via o quanto era corajoso, o quanto era forte. Sofria por
amor, sofria pela solidão. E sempre que entrava em crise, acabava conhecendo
alguma vadia que iria lhe dar esperanças, só para depois fazer pior que a
anterior.
Um romântico insuperável, um poeta
encantador. Mas falhava em se cuidar, proteger o coração de ouro em seu peito.
E não percebia que dava um tesouro a quem não merecia, toda vez que se sentia
sozinho.
Mas quando a Isabelle surgiu eu pensei
que aqueles dias de dor acabariam e realmente acabaram. Ou pelos menos pararam
por um certo tempo. Daniel superou toda a dor e esqueceu as paixonites, a
solidão, os ex-amigos. Ele estava bem, feliz. Até que mais uma vez o destino
lhe deu uma rasteira.
Por que ele tinha que sofrer tanto?
Porque Deus não lhe dava um crédito por ser um bom garoto e parava de ser tão
cruel com ele? Aquilo era covardia, deixa-lo feliz só para depois tomar tudo
que o alegrava.
E com o fim do namoro as crises
voltaram, mais fortes, mais intensas. Uma tsunami de emoções que o levaram ao
fundo do poço. E então foi a vez dela surgir. Eu me arrependia de ter
incentivado. Me culpava por não ter percebido antes que ela era uma vadia sem
coração. Mas já sabia o que fazer e estava preparada para colocar meu plano em
ação.
Consegui sair mais cedo da livraria
naquela sexta-feira e corri para casa. Me arrumei e fiquei mais linda que o
normal. Caprichei no decote, afinal seria minha arma secreta. Não tinha seios
fartos, medianos eu diria. Mas o decote iria valorizar. Vesti meu short-saia
assimétrico preto, junto com uma regata branca e um casaco social também preto.
Calcei meus sapatos pretos e passei um batom vermelho deixando meus lábios
irresistíveis. Meus cabelos soltos, caindo em ondas. A maquiagem bem trabalhada
ressaltando meus olhos. Meu perfume cítrico deu um toque especial. Era hora de
seduzir.
Sabia que ter interrogado Yara sobre o
tal escritório do Doutor Lorenzo Ferraz iria ser útil. Naquela tarde, quando a
chata funcionária do mês revelou que seu namorado trabalhava no lugar eu tive
uma ideia. Contudo tinha desistido de usá-la naquele momento e acabei deixando
para lá. Era hora de usar minha carta na manga. E confesso que bancar a espiã
me excitava.
Mais cedo eu tinha conversado novamente com
Yara que foi super prestativa me contando sobre o horário de funcionamento. O
escritório ficava aberto nas sextas até as seis da tarde. Tinha meia hora
ainda. Caminhei o mais rápido que pude com aqueles sapatos que apertavam meus
pés e atravessei o saguão do bonito e chique Edifício Dr. Sancal. O lugar era
lindo, limpo e tinha um ar de requinte encantador. Um dos mais modernos e novos
prédios da cidade, tinha cerca de trinta andares, todos próprios para
escritórios e clinicas médicas.
Cheguei ao elevador e o ascensorista
sorriu para mim. Um homem velho e barbudo, com o clássico uniforme dos filmes
hollywoodianos e um nariz enorme. Seus olhos focaram nas minhas coxas e depois
subiram até meus seios, me deixando completamente envergonhada. Velho tarado.
Só não lhe dou um soco porque não tenho tempo de espancar ninguém agora.
—Qual andar, mocinha? —ele perguntou
com sua voz rouca, sem parar de olhar para as minhas pernas. Maldito, vou lhe
matar.
—Nono. —respondi de forma seca,
virando o rosto e segurando minha bolsa com firmeza. Nove andares de revolta,
precisava me controlar.
Era impressão minha ou aquele elevador
estava mais lento que o normal? Que merda, que demora para chegar no nono
andar. E o velho tarado me encarando. Lambendo os lábios. Vou lhe meter um soco
nesse nariz gigante. Depois de alguns segundos chegamos ao nono andar e a porta
finalmente se abriu.
—Seu andar, docinho. —o velho disse
com um sorriso amarelo.
Atravessei rapidamente a porta sem nem
olhar na cara do homem que ainda balbuciou um “Marrenta e gostosa”. Estava
arrepiada de raiva. Nota mental: denunciar aquele pervertido para a gerência do
edifício assim que tivesse oportunidade. Mas isso teria que esperar, agora eu
precisava me livrar da raiva e assumir o papel de garota sexy, mas doce. Tinha
que estar diva para a missão a seguir.
Caminhei até o fim do vasto corredor
onde uma placa dourada fixada na ornamentada porta de madeira indicava o local
que estava procurando. “L.F. Escritório de defesa.”. A porta estava aberta, mas
uma divisória de vidro impedia a visão da parte de dentro do escritório. Entrei
dando a volta na divisória e avistei o local. Teto rebaixado de gesso, dois
sofás de estofado azul-marinho aparentemente bem confortável, ar frio e um
ambiente limpo e organizado. De frente para os sofás haviam duas portas e entre
elas uma grande bancada em forma de meia lua, de onde olhos escuros me
encaravam. A sala de espera estava vazia. Ajeitei meu cabelo e caminhei
lentamente até a secretária.
—Boa tarde. —disse ela me encarando,
seu sorriso singelo. —Em que posso ajuda-la?
—Gostaria de saber se consigo marcar
um horário com o Dr. Lorenzo para semana que vem. —sorri de volta. A garota era
exatamente como Dan havia descrito, pele parda, cabelos pretos e cacheados, mas
não era bonita, pobrezinha. Mas parecia ser extremamente gentil. — Estou
extremamente necessitada de uma consulta com ele.
—Me desculpe, senhorita, mas não será
possível. —a secretária me olhou de forma triste. — A agenda dele está toda
ocupada para a próxima semana. É muito urgente?
—Sim, problemas de família. –fiz um
biquinho, tentando parecer fofa. – Preciso resolver isso logo.
—Eu posso ver se te encaixo, já que
diz ser tão urgente. –ela não parava de olhar para
o meu decote. Me aproximei mais da bancada, colando meu corpo lá e pressionando
os seios contra o granito, fazendo-os ficarem um pouco mais evidentes no
decote.
—Sério? –falei com os olhos
arregalados, uma expressão de espanto e alegria. – Faria isso por mim?
—Ahhh, claro... —ela parecia hipnotizada
pelo decote. - Não será difícil te
encaixar na agenda.
—Hmmm. —coloquei o dedo sobre a boca,
sorrindo. — Tão prestativa, nem sei como agradecer.
Que merda, eu estava dando bola para
uma garota. Dan, você me deve sua vida agora. Nesse instante um rapaz lindo
saiu de umas das portas. Pele escura, tórax largo, vestindo um terno impecável,
um olhar sereno e lábios carnudos. Alto e forte. Meu Deus! Ele era gatissimo.
Trazia consigo uma pasta amarela que colocou sobre a bancada. Me olhou e sorriu
de forma educada, seus dentes completamente brancos. Parecia ter pouco mais de
vinte anos. Contudo seus olhos não se fixaram em mim. Será que ele era gay?
—Vic, terminei tudo, vou indo, okay?
—ele disse, sua voz firme, mas gentil. Tentei não encará-lo, para não dar na
cara, meu alvo era outro.
—Claro, André. O Dr. Lorenzo não vai
achar ruim. –Victória apanhou a pasta e a colocou perto de seu computador. —
Tenha um ótimo fim de semana.
Espera! André? Eu não acredito nisso.
O Deus Africano era o namorado da Yara? Não! Aquilo era impossível. Como assim
a Yara conseguiu laçar um cara daquele nível? Tudo bem, sem preconceitos. E
pelo visto ele era fiel. Inacreditável.
—Obrigado. —ele sorriu — Tenha um bom
fim de semana também. Até segunda. –fez
uma pausa e acenou. – Boa noite para vocês.
Tentei não olhar para ele e apenas
balbuciei um boa noite. Logo depois que ele saiu voltei a me apoiar no balcão,
mesmo sendo difícil pelo meu tamanho.
—Então, Vic, posso te chamar de Vic,
né? —perguntei com uma voz sedutora. Eu realmente estava fazendo aquilo? – Como
posso te agradecer?
—Não precisa agradecer. —Victória
ficou levemente vermelha, mas não conseguia desviar o olhar. – Pode me chamar
do que quiser. E eu como posso te chamar?
—Hmmm. —mordi os lábios, estava me
esforçando, mas aquilo era muito estranho. — Me chamo Isis. Digo o mesmo, me
chame do que quiser, Vic.
—Um nome lindo. — Vic já estava com os
cotovelos apoiados sobre sua mesa, me encarando, praticamente babando. — Lindo
como você.
—É sempre tão gentil assim com as
clientes do seu chefe? —sorri de forma maliciosa.
—Não, só com as que são encantadoras.
—ela estava me cantando. Eca.
—Nossa, você me deixa tímida assim.
—virei o rosto, fingindo estar encabulada.
—Não foi a minha intenção. –ela
apressou-se para dizer. – Me perdoe, estou sendo indiscreta.
—Não, está sendo um doce. –pisquei um
dos olhos. — Então, que horas você sai daqui?
—Eu.. –ela ficou desarmada com a minha
pergunta. — Eu saio em alguns minutos. Por que?
—Não quer tomar um café comigo? Para
que eu possa retribuir sua gentileza? —olhei no fundo de seus olhos.
—Eu não posso, tenho aula daqui a
pouco. —seu rosto foi tomado por uma expressão triste. —Infelizmente.
—Ah, tudo bem, podemos marcar outro
dia, né? – sorri ajeitando o cabelo. — E então, posso voltar na semana que vem?
—Pode... pode sim. — Victória se virou
para o computador. – Na quarta, as três da tarde?
—Fechado, muito obrigado, Vic. —sorri
acenando. — É uma pena não poder tomar café comigo. —fiz um biquinho novamente,
mostrando estar triste. Acenei e me virei. —Xauzinho.
—Espera. —Victória chamou antes que eu
desce mais de dois passos. — Acho que faltar um dia não fará mal.
-Isso! –me virei sorrindo, ela caiu na
minha lábia, eu seduzi uma garota. Meu Deus! — Está certa.
Eu não tinha nenhum problema com
garotas lésbicas, nenhum tipo de preconceito. Mas também não tinha coragem de
me relacionar com outra mulher. Era um sacrifício para mim flertar daquela
forma, mas precisava fazer pelo Dan. Eu tinha que ajuda-lo e aquela era a
melhor opção. Victória parece ser uma boa pessoa, diferente da Crystal, era
errado usá-la, mas não tinha outra alternativa.
Esperei a garota por alguns minutos,
até que ela organizasse tudo para fechar o escritório. Segundo ela seu chefe
tinha saído mais cedo. Era pouco mais de seis horas da tarde quando saímos do
prédio, rumo a uma singela cafeteria na esquina perto dali. Um lugar simples,
mas aconchegante. Naquele horário estava vazio e nos sentamos numa mesa no
fundo do estabelecimento. Pedi um cappuccino assim com Victória que não parava
de me encarar. Seus olhos negros ressaltavam o desejo que ela sentia.
—Então, Vic, me conte, trabalha para o
Dr. Lorenzo ha muito tempo? —perguntei tentando iniciar a conversa.
—Não muito, consegui o emprego alguns
meses atrás. —ela respondeu de forma educada. – Não era daqui.
—Ah, não? –indaguei fingindo estar
surpresa. — E você veio para cá estudar?
—Sim, faço faculdade na Excelsior.
—ela me observava enquanto eu tomava meu cappuccino. Eu sempre lambia os lábios
sensualmente, fazendo-a ficar eriçada. — Vim para cá junto de uma amiga.
—Amiga? —perguntei fingindo um leve
ciúmes.- Vocês moram juntas?
—Sim, mas não é isso que está
pensando. —apressou-se para responder.. — Eu estou solteira.
—Hmm, isso é bom. —olhei de forma
sensual. — Mas essa sua amiga, rolou algo entre vocês? –fiz uma pausa, fingindo
estar envergonha. – Desculpe perguntar, eu nem sei se devia perguntar algo
assim. Você...
—Sim, eu sou lésbica. —Victória
sorriu. — E não, eu e minha amiga nunca ficamos.
—Ah, interessante. –sorri fingindo
procurar o batom dentro da bolsa, havia acabado meu cappuccino. Aproveitei para
colocar meu celular para gravar a conversa. Peguei um espelho e retoquei o batom
de forma sensual. — E essa sua amiga também é solteira?
—Sim, agora está. —Vic respondeu com a
sobrancelha erguida. – Parece interessada na minha amiga.
—Não, estou interessada em você. —fui
direta, fazendo Victória arregalar os olhos. Coloquei uma das mãos sobre a mão
dela. — Só perguntei sobre essa amiga, pois quero saber se ela não vai nos
atrapalhar.
—Não, minha amiga é hetero. —Victória
respondeu sorrindo. – E estava namorando a pouco tempo.
—Namorando? —indaguei.
—Sim, ela começou a namorar um louco
pouco tempo depois que nos mudamos. —Aquela vadia mentiu, eu sabia. — Mas me
diga, você está mesmo interessada em mim?
—Sim, estou, por qual motivo eu te
chamaria aqui? —sorri maliciosamente. – Algum problema?
—Não, é que uma garota linda como você
cai do céu e se interessa por mim logo de cara. Eu nem estou produzida,
vestindo esse uniforme feio. —ela era insegura e visivelmente carente. – Me
desculpe, não quis ofender. E você ainda parece interessada
na minha amiga.
—Vou te contar um segredo. –Me
debrucei sobre a mesa meu decote mais evidente. Comecei a sussurrar. — Adoro
mulheres de uniforme, fico tão excitada. —Dan, o que eu não faço por você, seu
idiota. — E eu só perguntei sobre sua amiga porque gostei de ouvir sua voz.
—Obrigada. –ela engoliu seco, seus
olhos cravados em meu decote. Tentei esconder o desconforto e voltei a me
sentar corretamente. — E me desculpe. Mas pergunte o que quiser, se gosta da
minha voz, terei prazer em falar tudo.
—Prazer.... –mordi os lábios, ela caiu
feito um patinho. – Adorei isso. Mas me diga... porque disse que o ex da sua
amiga é um louco?
—Porque ele tem problemas. É
esquizofrênico. —bingo, ele não era um drogado. — Minha amiga sofreu com ele, acabava
ficando muito estressada por causa das brigas constantes. Ele além de crises de
esquizofrenia também tinha crises intensas de ciúmes. Namoraram por meses, ele
com crises sérias, enlouquecendo do nada. Até que ela pediu um tempo por não
aguentar mais. Só que não conseguia terminar, por medo dele se matar.
—Meu Deus! —exclamei espantada. — E
como ela conseguiu terminar com ele?
—Ela pediu um tempo em meados de maio e
acabou se envolvendo com um magrelo. —Ei, vadia, não fale assim do Dan. — Só
que o Bernardo sempre forçava a barra e eles acabavam se pegando algumas vezes
nesse meio tempo. Só que ela não queria voltar a namorar. Em uma noite, Bernardo a seguiu e tentou
agredir o magrelo durante uma crise. Por sorte o único machucado foi o
Bernardo. Daí minha amiga o levou para o hospital e por pressão da família dele
acabou reatando o namoro de vez. Com medo dele piorar. —Vic fez uma pausa,
parecendo indignada. — Só que ele estava enciumado e foi ficando cada vez pior.
Daí duas semanas atrás ela terminou com ele, por não aguentar mais. Usando como
desculpa estar apaixonado por outro. Coisa que nem sei se é verdade. Bernardo
entrou em crise e a família dele resolveu interna-lo numa clinica.
—Coitada da sua amiga. —Crystal, sua
puta, então nunca existiu casamento algum. — Mas então ela tava gostando do tal
magrelo?
— Não sei, parece que eles não ficaram
juntos. —Victória comentou. — Minha amiga quer ser livre, isso sim. Curtir a
vida. Nem sei por que ela está aqui ainda. Vive dizendo que quer usar o
dinheiro do pai para viajar pelo mundo.
—Entendo. Ela é de família rica?
—perguntei ajeitando a blusa, o que atraiu novamente o olhar de Vic para os
meus seios. — Tipo, para querer viajar o mundo.
—É sim, o pai dela é, na verdade. Mas
eles não dão muito certo. —pelo menos isso era verdade. — E você, me conte
sobre você.
—Eu sou uma garota comum, com uma vida
comum. – olhei nos olhos dela. — Procurando por aventuras.
—Eu estou louca por aventuras também.
—agora eu precisava arrumar uma forma de escapar dali. Já tinha a informação
que precisava, minha missão estava completa.
Daniel tinha sido iludido, Crystal
estava namorando Bernardo o tempo todo. Possivelmente nas primeiras brigas
deles Crystal estava estressada por causa do namoro. Deve ter pedido um tempo
no namoro justamente por ler o cores de Outono e acabou se envolvendo com o
Dan. Inventou a desculpa de estar noiva para se afastar. Talvez nunca tenha se
apaixonado, só queria manter o Daniel preso a ela.
—Sabe o que me intrigou no que você
disse. —murmurei voltando ao assunto. – Sua amiga ter se envolvido com um cara
e depois de terminar não ter ficado com ele. Se ela disse que gostava dele,
porque não começar esse novo relacionamento? Eles poderiam viajar juntos.
-Não sei viu. Parece que o magrelo é
apaixonado por ela. —Victória pareceu pensativa. — Nisso eu sempre fui contra.
Crystal gostava de ver os caras aos seus pés. Era até cruel. Sempre tinha algum
idiota louco por ela, mas no fim ela sempre ficava sozinha. Não entendo o
porque, acho que ela tem medo de se apaixonar. Ou tenha medo de ser dominada,
de ficar presa a alguém.
—Então você é romântica, Vic?
—perguntei. Realmente o Dan havia sido manipulado pela vadia da ficção.
Infelizmente ele caiu em sua lábia. Aquele idiota, não merecia isso.
—Sou sim, tudo que eu quero é alguém
para namorar sério. —poxa, fiquei com pena agora. Mas precisava focar.
Estava na hora de terminar a conversa.
Não tinha mais nada o que descobrir. Estava provado que o Dan tinha se iludido.
Crystal, sua vadia, você me paga. Coloquei minha
mão dentro da bolsa e finalizei a gravação, apanhei o celular e o tirei de lá.
—Nossa, uma chamada perdida. E é da
minha mãe. —menti. – Me dá um segundo, vou ver o que ela quer, rapidinho.
—Claro, meu anjo. —Meu anjo? Eu
precisava fugir logo.
Me afastei e fingi conversar ao
telefone. Quando voltei falei que minha mãe estava com problemas e precisava de
mim. Anotei meu número de telefone e passei para Victória, por pena de tê-la enganado.
Paguei a conta e me despedi saindo apressada. Ainda dei um beijo no canto da
boca da garota, quase a beijando os lábios. Uma ultima investida apenas para
não dar na cara que eu estava a enrolando. Victória ficou lá toda boba,
derretida com o beijo. Sai dali às pressas, ciente que precisava encontrar o
Dan. O conteúdo da gravação iria destruí-lo, mas eu tinha certeza que colocaria
fim ao amor que ele sentia por Crystal. Pelo menos era o que eu pensava.

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