segunda-feira, 1 de setembro de 2014

[+18] ILUSION: Capitulo 15

Por Guilherme César

Um ângulo diferente: A verdade através dos olhos de outro
           


Ser amiga de alguém e ver essa pessoa sofrendo doí mais do que quando nós mesmos sofremos. Querer ajudar e não saber como é angustiante. A vida seria mais simples se com um abraço pudéssemos tirar toda a dor do coração de alguém e quando esse abraço terminasse, a dor que a pessoa sente não conseguisse voltar.

Desde a quinta-feira eu permanecia preocupada, tentando de alguma forma achar uma maneira de ajudar o Dan. Aquele maldito idiota. Como poderia ser tão burro ao ponto de ser enganado por aquela vadia? Que vontade de espancar aquela cara cínica dela. E lógico dar uns tapas na cara dele também.  
Éramos amigos fazia já um tempinho, mas ainda assim eu não tinha me acostumado com a capacidade que o Daniel tinha de sofrer pelas garotas erradas. Tudo bem que a Isabelle era um amor de pessoa, mas as que vieram antes dela não seguiam a mesma linha. Todas as pequenas paixonites que ele teve depois que morou na capital se mostraram ser fontes inesgotáveis de sofrimento. Daniel tinha o dedo pobre para mulheres. Sempre acabava escolhendo as meninas que o fariam sofrer. Era incrível como ele sempre sofria. Um tolo, ingênuo e de coração puro. Todas as vezes se entregava, se apaixonava, doava seu amor sem medo. Era raro alguém assim, mas era triste também. Amava tão intensamente, mas sofria dobrado. E aquela dor o destruía aos poucos.
Por diversas vezes eu briguei com ele, implorando para que fosse menos intenso, mais cauteloso. Mas o babaca nunca conseguia se controlar. Se jogava de peito aberto, amava sem se preocupar com a dor. E nem ao menos via o quanto era corajoso, o quanto era forte. Sofria por amor, sofria pela solidão. E sempre que entrava em crise, acabava conhecendo alguma vadia que iria lhe dar esperanças, só para depois fazer pior que a anterior.
Um romântico insuperável, um poeta encantador. Mas falhava em se cuidar, proteger o coração de ouro em seu peito. E não percebia que dava um tesouro a quem não merecia, toda vez que se sentia sozinho.
Mas quando a Isabelle surgiu eu pensei que aqueles dias de dor acabariam e realmente acabaram. Ou pelos menos pararam por um certo tempo. Daniel superou toda a dor e esqueceu as paixonites, a solidão, os ex-amigos. Ele estava bem, feliz. Até que mais uma vez o destino lhe deu uma rasteira.
Por que ele tinha que sofrer tanto? Porque Deus não lhe dava um crédito por ser um bom garoto e parava de ser tão cruel com ele? Aquilo era covardia, deixa-lo feliz só para depois tomar tudo que o alegrava.
E com o fim do namoro as crises voltaram, mais fortes, mais intensas. Uma tsunami de emoções que o levaram ao fundo do poço. E então foi a vez dela surgir. Eu me arrependia de ter incentivado. Me culpava por não ter percebido antes que ela era uma vadia sem coração. Mas já sabia o que fazer e estava preparada para colocar meu plano em ação.
Consegui sair mais cedo da livraria naquela sexta-feira e corri para casa. Me arrumei e fiquei mais linda que o normal. Caprichei no decote, afinal seria minha arma secreta. Não tinha seios fartos, medianos eu diria. Mas o decote iria valorizar. Vesti meu short-saia assimétrico preto, junto com uma regata branca e um casaco social também preto. Calcei meus sapatos pretos e passei um batom vermelho deixando meus lábios irresistíveis. Meus cabelos soltos, caindo em ondas. A maquiagem bem trabalhada ressaltando meus olhos. Meu perfume cítrico deu um toque especial. Era hora de seduzir.
Sabia que ter interrogado Yara sobre o tal escritório do Doutor Lorenzo Ferraz iria ser útil. Naquela tarde, quando a chata funcionária do mês revelou que seu namorado trabalhava no lugar eu tive uma ideia. Contudo tinha desistido de usá-la naquele momento e acabei deixando para lá. Era hora de usar minha carta na manga. E confesso que bancar a espiã me excitava.
 Mais cedo eu tinha conversado novamente com Yara que foi super prestativa me contando sobre o horário de funcionamento. O escritório ficava aberto nas sextas até as seis da tarde. Tinha meia hora ainda. Caminhei o mais rápido que pude com aqueles sapatos que apertavam meus pés e atravessei o saguão do bonito e chique Edifício Dr. Sancal. O lugar era lindo, limpo e tinha um ar de requinte encantador. Um dos mais modernos e novos prédios da cidade, tinha cerca de trinta andares, todos próprios para escritórios e clinicas médicas.
Cheguei ao elevador e o ascensorista sorriu para mim. Um homem velho e barbudo, com o clássico uniforme dos filmes hollywoodianos e um nariz enorme. Seus olhos focaram nas minhas coxas e depois subiram até meus seios, me deixando completamente envergonhada. Velho tarado. Só não lhe dou um soco porque não tenho tempo de espancar ninguém agora.
—Qual andar, mocinha? —ele perguntou com sua voz rouca, sem parar de olhar para as minhas pernas. Maldito, vou lhe matar.
—Nono. —respondi de forma seca, virando o rosto e segurando minha bolsa com firmeza. Nove andares de revolta, precisava me controlar.
Era impressão minha ou aquele elevador estava mais lento que o normal? Que merda, que demora para chegar no nono andar. E o velho tarado me encarando. Lambendo os lábios. Vou lhe meter um soco nesse nariz gigante. Depois de alguns segundos chegamos ao nono andar e a porta finalmente se abriu.
—Seu andar, docinho. —o velho disse com um sorriso amarelo.
Atravessei rapidamente a porta sem nem olhar na cara do homem que ainda balbuciou um “Marrenta e gostosa”. Estava arrepiada de raiva. Nota mental: denunciar aquele pervertido para a gerência do edifício assim que tivesse oportunidade. Mas isso teria que esperar, agora eu precisava me livrar da raiva e assumir o papel de garota sexy, mas doce. Tinha que estar diva para a missão a seguir.
Caminhei até o fim do vasto corredor onde uma placa dourada fixada na ornamentada porta de madeira indicava o local que estava procurando. “L.F. Escritório de defesa.”. A porta estava aberta, mas uma divisória de vidro impedia a visão da parte de dentro do escritório. Entrei dando a volta na divisória e avistei o local. Teto rebaixado de gesso, dois sofás de estofado azul-marinho aparentemente bem confortável, ar frio e um ambiente limpo e organizado. De frente para os sofás haviam duas portas e entre elas uma grande bancada em forma de meia lua, de onde olhos escuros me encaravam. A sala de espera estava vazia. Ajeitei meu cabelo e caminhei lentamente até a secretária.
—Boa tarde. —disse ela me encarando, seu sorriso singelo. —Em que posso ajuda-la?
—Gostaria de saber se consigo marcar um horário com o Dr. Lorenzo para semana que vem. —sorri de volta. A garota era exatamente como Dan havia descrito, pele parda, cabelos pretos e cacheados, mas não era bonita, pobrezinha. Mas parecia ser extremamente gentil. — Estou extremamente necessitada de uma consulta com ele.
—Me desculpe, senhorita, mas não será possível. —a secretária me olhou de forma triste. — A agenda dele está toda ocupada para a próxima semana. É muito urgente?
—Sim, problemas de família. –fiz um biquinho, tentando parecer fofa. – Preciso resolver isso logo.
—Eu posso ver se te encaixo, já que diz ser tão urgente. –ela não parava de olhar para o meu decote. Me aproximei mais da bancada, colando meu corpo lá e pressionando os seios contra o granito, fazendo-os ficarem um pouco mais evidentes no decote.
—Sério? –falei com os olhos arregalados, uma expressão de espanto e alegria. – Faria isso por mim?
—Ahhh, claro... —ela parecia hipnotizada pelo decote. -  Não será difícil te encaixar na agenda.
—Hmmm. —coloquei o dedo sobre a boca, sorrindo. — Tão prestativa, nem sei como agradecer.
Que merda, eu estava dando bola para uma garota. Dan, você me deve sua vida agora. Nesse instante um rapaz lindo saiu de umas das portas. Pele escura, tórax largo, vestindo um terno impecável, um olhar sereno e lábios carnudos. Alto e forte. Meu Deus! Ele era gatissimo. Trazia consigo uma pasta amarela que colocou sobre a bancada. Me olhou e sorriu de forma educada, seus dentes completamente brancos. Parecia ter pouco mais de vinte anos. Contudo seus olhos não se fixaram em mim. Será que ele era gay?
—Vic, terminei tudo, vou indo, okay? —ele disse, sua voz firme, mas gentil. Tentei não encará-lo, para não dar na cara, meu alvo era outro. 
—Claro, André. O Dr. Lorenzo não vai achar ruim. –Victória apanhou a pasta e a colocou perto de seu computador. — Tenha um ótimo fim de semana.
Espera! André? Eu não acredito nisso. O Deus Africano era o namorado da Yara? Não! Aquilo era impossível. Como assim a Yara conseguiu laçar um cara daquele nível? Tudo bem, sem preconceitos. E pelo visto ele era fiel. Inacreditável.
—Obrigado. —ele sorriu — Tenha um bom fim de semana também. Até segunda.  –fez uma pausa e acenou. – Boa noite para vocês.
Tentei não olhar para ele e apenas balbuciei um boa noite. Logo depois que ele saiu voltei a me apoiar no balcão, mesmo sendo difícil pelo meu tamanho.
—Então, Vic, posso te chamar de Vic, né? —perguntei com uma voz sedutora. Eu realmente estava fazendo aquilo? – Como posso te agradecer?
—Não precisa agradecer. —Victória ficou levemente vermelha, mas não conseguia desviar o olhar. – Pode me chamar do que quiser. E eu como posso te chamar?
—Hmmm. —mordi os lábios, estava me esforçando, mas aquilo era muito estranho. — Me chamo Isis. Digo o mesmo, me chame do que quiser, Vic.
—Um nome lindo. — Vic já estava com os cotovelos apoiados sobre sua mesa, me encarando, praticamente babando. — Lindo como você.
—É sempre tão gentil assim com as clientes do seu chefe? —sorri de forma maliciosa.
—Não, só com as que são encantadoras. —ela estava me cantando. Eca.
—Nossa, você me deixa tímida assim. —virei o rosto, fingindo estar encabulada.
—Não foi a minha intenção. –ela apressou-se para dizer. – Me perdoe, estou sendo indiscreta.
—Não, está sendo um doce. –pisquei um dos olhos. — Então, que horas você sai daqui?
—Eu.. –ela ficou desarmada com a minha pergunta. — Eu saio em alguns minutos. Por que?
—Não quer tomar um café comigo? Para que eu possa retribuir sua gentileza? —olhei no fundo de seus olhos.
—Eu não posso, tenho aula daqui a pouco. —seu rosto foi tomado por uma expressão triste. —Infelizmente.
—Ah, tudo bem, podemos marcar outro dia, né? – sorri ajeitando o cabelo. — E então, posso voltar na semana que vem?
—Pode... pode sim. — Victória se virou para o computador. – Na quarta, as três da tarde?
—Fechado, muito obrigado, Vic. —sorri acenando. — É uma pena não poder tomar café comigo. —fiz um biquinho novamente, mostrando estar triste. Acenei e me virei. —Xauzinho.
—Espera. —Victória chamou antes que eu desce mais de dois passos. — Acho que faltar um dia não fará mal.
-Isso! –me virei sorrindo, ela caiu na minha lábia, eu seduzi uma garota. Meu Deus! — Está certa.

Eu não tinha nenhum problema com garotas lésbicas, nenhum tipo de preconceito. Mas também não tinha coragem de me relacionar com outra mulher. Era um sacrifício para mim flertar daquela forma, mas precisava fazer pelo Dan. Eu tinha que ajuda-lo e aquela era a melhor opção. Victória parece ser uma boa pessoa, diferente da Crystal, era errado usá-la, mas não tinha outra alternativa.
Esperei a garota por alguns minutos, até que ela organizasse tudo para fechar o escritório. Segundo ela seu chefe tinha saído mais cedo. Era pouco mais de seis horas da tarde quando saímos do prédio, rumo a uma singela cafeteria na esquina perto dali. Um lugar simples, mas aconchegante. Naquele horário estava vazio e nos sentamos numa mesa no fundo do estabelecimento. Pedi um cappuccino assim com Victória que não parava de me encarar. Seus olhos negros ressaltavam o desejo que ela sentia.
—Então, Vic, me conte, trabalha para o Dr. Lorenzo ha muito tempo? —perguntei tentando iniciar a conversa.
—Não muito, consegui o emprego alguns meses atrás. —ela respondeu de forma educada. – Não era daqui.
—Ah, não? –indaguei fingindo estar surpresa. — E você veio para cá estudar?
—Sim, faço faculdade na Excelsior. —ela me observava enquanto eu tomava meu cappuccino. Eu sempre lambia os lábios sensualmente, fazendo-a ficar eriçada. — Vim para cá junto de uma amiga.
—Amiga? —perguntei fingindo um leve ciúmes.- Vocês moram juntas?
—Sim, mas não é isso que está pensando. —apressou-se para responder.. — Eu estou solteira.
—Hmm, isso é bom. —olhei de forma sensual. — Mas essa sua amiga, rolou algo entre vocês? –fiz uma pausa, fingindo estar envergonha. – Desculpe perguntar, eu nem sei se devia perguntar algo assim. Você...
—Sim, eu sou lésbica. —Victória sorriu. — E não, eu e minha amiga nunca ficamos.
—Ah, interessante. –sorri fingindo procurar o batom dentro da bolsa, havia acabado meu cappuccino. Aproveitei para colocar meu celular para gravar a conversa. Peguei um espelho e retoquei o batom de forma sensual. — E essa sua amiga também é solteira?
—Sim, agora está. —Vic respondeu com a sobrancelha erguida. – Parece interessada na minha amiga.
—Não, estou interessada em você. —fui direta, fazendo Victória arregalar os olhos. Coloquei uma das mãos sobre a mão dela. — Só perguntei sobre essa amiga, pois quero saber se ela não vai nos atrapalhar.
—Não, minha amiga é hetero. —Victória respondeu sorrindo. – E estava namorando a pouco tempo.
—Namorando? —indaguei.
—Sim, ela começou a namorar um louco pouco tempo depois que nos mudamos. —Aquela vadia mentiu, eu sabia. — Mas me diga, você está mesmo interessada em mim?
—Sim, estou, por qual motivo eu te chamaria aqui? —sorri maliciosamente. – Algum problema?
—Não, é que uma garota linda como você cai do céu e se interessa por mim logo de cara. Eu nem estou produzida, vestindo esse uniforme feio. —ela era insegura e visivelmente carente. – Me desculpe, não quis ofender. E você ainda parece interessada na minha amiga.
—Vou te contar um segredo. –Me debrucei sobre a mesa meu decote mais evidente. Comecei a sussurrar. — Adoro mulheres de uniforme, fico tão excitada. —Dan, o que eu não faço por você, seu idiota. — E eu só perguntei sobre sua amiga porque gostei de ouvir sua voz.
—Obrigada. –ela engoliu seco, seus olhos cravados em meu decote. Tentei esconder o desconforto e voltei a me sentar corretamente. — E me desculpe. Mas pergunte o que quiser, se gosta da minha voz, terei prazer em falar tudo.
—Prazer.... –mordi os lábios, ela caiu feito um patinho. – Adorei isso. Mas me diga... porque disse que o ex da sua amiga é um louco?
—Porque ele tem problemas. É esquizofrênico. —bingo, ele não era um drogado. — Minha amiga sofreu com ele, acabava ficando muito estressada por causa das brigas constantes. Ele além de crises de esquizofrenia também tinha crises intensas de ciúmes. Namoraram por meses, ele com crises sérias, enlouquecendo do nada. Até que ela pediu um tempo por não aguentar mais. Só que não conseguia terminar, por medo dele se matar.
—Meu Deus! —exclamei espantada. — E como ela conseguiu terminar com ele?
—Ela pediu um tempo em meados de maio e acabou se envolvendo com um magrelo. —Ei, vadia, não fale assim do Dan. — Só que o Bernardo sempre forçava a barra e eles acabavam se pegando algumas vezes nesse meio tempo. Só que ela não queria voltar a namorar.  Em uma noite, Bernardo a seguiu e tentou agredir o magrelo durante uma crise. Por sorte o único machucado foi o Bernardo. Daí minha amiga o levou para o hospital e por pressão da família dele acabou reatando o namoro de vez. Com medo dele piorar. —Vic fez uma pausa, parecendo indignada. — Só que ele estava enciumado e foi ficando cada vez pior. Daí duas semanas atrás ela terminou com ele, por não aguentar mais. Usando como desculpa estar apaixonado por outro. Coisa que nem sei se é verdade. Bernardo entrou em crise e a família dele resolveu interna-lo numa clinica.
—Coitada da sua amiga. —Crystal, sua puta, então nunca existiu casamento algum. — Mas então ela tava gostando do tal magrelo?
— Não sei, parece que eles não ficaram juntos. —Victória comentou. — Minha amiga quer ser livre, isso sim. Curtir a vida. Nem sei por que ela está aqui ainda. Vive dizendo que quer usar o dinheiro do pai para viajar pelo mundo.
—Entendo. Ela é de família rica? —perguntei ajeitando a blusa, o que atraiu novamente o olhar de Vic para os meus seios. — Tipo, para querer viajar o mundo.
—É sim, o pai dela é, na verdade. Mas eles não dão muito certo. —pelo menos isso era verdade. — E você, me conte sobre você.
—Eu sou uma garota comum, com uma vida comum. – olhei nos olhos dela. — Procurando por aventuras.
—Eu estou louca por aventuras também. —agora eu precisava arrumar uma forma de escapar dali. Já tinha a informação que precisava, minha missão estava completa.
Daniel tinha sido iludido, Crystal estava namorando Bernardo o tempo todo. Possivelmente nas primeiras brigas deles Crystal estava estressada por causa do namoro. Deve ter pedido um tempo no namoro justamente por ler o cores de Outono e acabou se envolvendo com o Dan. Inventou a desculpa de estar noiva para se afastar. Talvez nunca tenha se apaixonado, só queria manter o Daniel preso a ela.
—Sabe o que me intrigou no que você disse. —murmurei voltando ao assunto. – Sua amiga ter se envolvido com um cara e depois de terminar não ter ficado com ele. Se ela disse que gostava dele, porque não começar esse novo relacionamento? Eles poderiam viajar juntos.
            -Não sei viu. Parece que o magrelo é apaixonado por ela. —Victória pareceu pensativa. — Nisso eu sempre fui contra. Crystal gostava de ver os caras aos seus pés. Era até cruel. Sempre tinha algum idiota louco por ela, mas no fim ela sempre ficava sozinha. Não entendo o porque, acho que ela tem medo de se apaixonar. Ou tenha medo de ser dominada, de ficar presa a alguém.
            —Então você é romântica, Vic? —perguntei. Realmente o Dan havia sido manipulado pela vadia da ficção. Infelizmente ele caiu em sua lábia. Aquele idiota, não merecia isso.
            —Sou sim, tudo que eu quero é alguém para namorar sério. —poxa, fiquei com pena agora. Mas precisava focar.
Estava na hora de terminar a conversa. Não tinha mais nada o que descobrir. Estava provado que o Dan tinha se iludido. Crystal, sua vadia, você me paga. Coloquei minha mão dentro da bolsa e finalizei a gravação, apanhei o celular e o tirei de lá.
—Nossa, uma chamada perdida. E é da minha mãe. —menti. – Me dá um segundo, vou ver o que ela quer, rapidinho.
—Claro, meu anjo. —Meu anjo? Eu precisava fugir logo.
Me afastei e fingi conversar ao telefone. Quando voltei falei que minha mãe estava com problemas e precisava de mim. Anotei meu número de telefone e passei para Victória, por pena de tê-la enganado. Paguei a conta e me despedi saindo apressada. Ainda dei um beijo no canto da boca da garota, quase a beijando os lábios. Uma ultima investida apenas para não dar na cara que eu estava a enrolando. Victória ficou lá toda boba, derretida com o beijo. Sai dali às pressas, ciente que precisava encontrar o Dan. O conteúdo da gravação iria destruí-lo, mas eu tinha certeza que colocaria fim ao amor que ele sentia por Crystal. Pelo menos era o que eu pensava.






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