Por
Guilherme César
In Pieces
Talvez o arrepio que sentimos
mesclado àquela sensação de prazer quando amamos alguém, quando olhamos nos
olhos da pessoa que amamos, talvez essa sensação seja a mesma que sentimos
quando estamos em queda livre. Caindo rumo ao desconhecido, um misto de medo,
adrenalina, prazer, esperança. O coração acelerado, a respiração difícil, o
mundo inteiro paralisado enquanto você sente seu corpo sendo puxado para um
abismo sem fim. Era aquela a sensação que tomava conta do meu corpo no momento
em que olhava nos olhos da garota da ficção. Sua voz ecoando em minha mente.
—Senti a sua falta. —ela sorriu de
forma singela me encarando.
—Em dois dias? –sorri, tentando
transparecer estar calmo, torcendo para que não estivesse com olheiras e muito
menos com cara de quem tinha passado o fim de semana em depressão profunda.
—Sim, criança. —Crystal deu um passo à
frente, ficando mais próxima e olhando diretamente nos meus solhos. Fez um
biquinho e continuou.— Você não sentiu saudades minhas?
—Eu? Não. —me virei e caminhei até a
escada, próxima dali, me sentando. —Nem um pouco.
Crystal caminhou até mim. Vestia
calças jeans, sapatos e uma blusa branca de rendas e mangas compridas. Seus
cabelos soltos esvoaçavam a cada passo. Eu não consegui tirar os olhos dela, me
controlava para não abraça-la. Precisava manter a calma, mesmo que meu corpo
estivesse doendo por causa da pressão que impunha sobre mim mesmo. Eu não podia
tocá-la, não mais.
—Você é um péssimo mentiroso. —ela deu
um meio sorriso, parada de frente para mim.
—Eu sou muitas coisas. Um amontoado
complicado de muitas coisas. —desviei o olhar. — Então, o que te traz até aqui?
—Queria te ver. —ela se sentou ao meu
lado. — Saber como você está.
—Eu estou bem. —evitei olhar para ela,
o contato visual só parecia me puxar para perto dela. — E você, como está? Como
se sente agora que é noiva?
— Você precisa mesmo tocar nesse
assunto? —Crystal indagou com um suspiro. — Estou bem, Daniel. E não estou aqui
para falar disso.
—Não? —me levantei e fiquei de frente
para ela. Estava inquieto, estava nervoso. Porque afinal eu não podia tê-la em
meus braços? — Dois dias atrás você disse tudo o que queria. Disse que me
amava, que não poderia ficar comigo, que ia ficar noiva. Foi embora me deixando
um bilhete. E agora simplesmente vem aqui e me diz que veio para saber como
estou? Sério mesmo?
—Sim! –exclamou se levantando. Seus
olhos fixos em mim. — Eu disse tudo isso e fugi da sua casa por medo de não ter
coragem de ir embora se estivesse olhando nos seus olhos. Satisfeito? Eu me
preocupo com você. Por isso eu estou aqui.
—Você sabe que eu não poderia estar
bem. —murmurei. —Depois de tudo o que aconteceu o melhor seria nunca mais nos
vermos. Talvez isso ajudasse a minimizar a dor.
—Eu não quero isso. —ela me olhava com
firmeza. — E como você quer deixar de me ver se estudamos na mesma faculdade?
—Uma faculdade que tem aproximadamente
dez mil alunos só no período noturno. Eu nunca tinha te visto aqui até nos
conhecermos na livraria. —retruquei. — Não seria algo impossível ficar longe.
—Então é isso o que você quer?
—questionou com um olhar triste. — Ficar longe de mim?
—Não, não quero. —me aproximei mais,
estávamos a um passo de distância. — Mas como eu posso suportar te ver e não
poder te tocar? Não poder te beijar, dizer que te amo? —desviei o olhar
novamente, olhando para o chão. — Tudo o que eu queria era apenas ter você nos
meus braços.
—E eu queria o mesmo, criança. — ela
disse com a voz suave, tocando meu rosto com delicadeza e me fazendo olhar em
seus olhos. — É isso que eu quero.
Nos aproximamos mais, lentamente.
Nossos lábios atraídos um pelo outro. Estávamos prestes a nos beijar quando ela
desviou o rosto, fugindo do beijo..
—Desculpe, eu não posso. —Crystal
abaixou o rosto.
—Eu sei. —dei dois passos para trás. —
Eu sei...
—Eu não quero te magoar. —ela me
encarou com os olhos marejados.
—Então o que está fazendo aqui?
—balbuciei evitando olhá-la. — Dizer que aceitou o noivado, que não pode me
beijar mais, embora esteja desesperada para fazê-lo, isso só me magoa mais.
Então, por que vir aqui e me torturar?
—Eu só queria te ver de novo. —Crystal
começou a caminhar, indo em direção a saída do prédio. — Me desculpe, criança.
O que diabos eu estava fazendo? Ia
mesmo deixa-la ir embora? Não! Eu precisava lutar. Eu não podia perdê-la. Meu
coração estava disparado. No momento em que ela passou por mim eu senti seu
perfume inebriante me envolver. Meu corpo se mexeu sozinho e eu segurei seu
pulso, puxando-a para perto. A abracei forte, olhando em seus olhos.
—Esquece esse babaca. —sussurrei,
nossos rostos colados. — Eu te amo, Crystal.
Sem esperar uma resposta eu a beijei.
Um arrepio tomando conta do meu corpo no instante que nossos lábios se tocaram.
Um beijo intenso, nostálgico, Com uma das mãos eu segurava sua cintura, a outra
segurando sua nuca. Senti suas mãos segurarem meu rosto e no instante que o
beijo terminou ficamos ali, nos encarando por alguns segundos. As mãos da
garota da ficção desceram até o meu peito e me empurraram levemente. Seu olhar
dizia tudo. Eu não precisava de nenhuma palavra. Ali estava o meu destino. Ali
estava a resposta para a pergunta que eu fizera. Nada que eu fizesse poderia fazer com que ela
dissesse não ao playboy loiro. Virei
e me afastei, ficando de costas para ela. Eu odiava desistir, odiava me dar por
vencido, mas eu também tinha a minha honra, o meu orgulho. Não adiantava mais
me humilhar. Aquela batalha já estava perdida. Restava me conformar. Que belo
aspirante a poeta eu era, nem lutar por quem amava eu conseguia.
—Adeus, Crystal. —balbuciei ainda de
costas.
—Adeus, Daniel.
Ao ouvir suas palavras eu sabia que
aquelas seriam as últimas, ou pelo menos deveriam ser. Seria a última vez que
ouviria sua voz. Caminhei até a porta da sala e a abri, sem olhar para trás,
entrei e fui me sentar. Não sei quanto tempo Crystal permaneceu lá fora, não
sei se fiz o certo. Contudo, já não havia nada o que eu pudesse fazer. Aquele
encontro só me mostrou que eu estava de mãos atadas. A garota da ficção havia
feito sua escolha.
Três dias se passaram e eu comecei a
me policiar, tentando não pensar em Crystal, tentando não alimentar a dor. No
dia seguinte ao encontro na faculdade eu quase apanhei de Isis. A minha pequena
amiga estava furiosa por eu ter beijado a garota da ficção. Me chamou de burro,
imbecil e toda a sorte de xingamentos. Para ela a minha atitude tinha mostrado
o quão desesperado eu estava. Isis insistia em dizer que Crystal só queria
aquilo, se cerificar que eu estava sofrendo para exaltar seu próprio ego
inflado, tendo certeza que conquistou mais um coração. Eu tentava não
enxerga-la da mesma forma que a Isis, afinal não queria acreditar que Crystal
era um monstro sem coração. Mas também não fazia diferença.
O sol estava se pondo quando cheguei
à redação da Poetizar. Entrei no prédio ansioso. Na tarde anterior Suzane havia
me ligado pedindo que eu fosse até lá para uma reunião importante a respeito do
meu futuro livro. Aparentemente ela queria me apresentar o editor chefe da
revista, que seria o responsável por todo o projeto do livro. Mais uma vez eu
optei por faltar a aula e ir até lá, mesmo que odiasse tomar falta e que isso
fosse arriscado devido a minha bolsa de estudos, eu sentia que não podia
atrasar aquele projeto. Minha intuição me dizia que o livro mudaria para sempre
a minha vida.
Sai do elevador e caminhei a passos
rápidos pelo corredor, entrando pela porta principal da Poetizar. O local
estava deserto e só havia ali a secretária de Suzane. Clara Lee me encarou com
seus olhos puxados e sorriu, se levantando e me cumprimentando. Vestia o mesmo
modelo social da ultima vez que a vira. A secretária me encaminhou então até a
sala de reunião, onde Suzane e um homem me esperavam.
—Boa tarde, Daniel. —sorriu Suzane
se levantando apressada e vindo a minha direção, logo quando entrei na sala. A
secretária fechou a porta, nos deixando lá.
Suzane vestia um blazer preto junto
com saias também pretas. A roupa justa ao corpo. Seus seios fartos evidenciados
pelo decote um tanto quanto tentador. Seu rosto de feições delicadas estava
livre de qualquer expressão triste. Um sorriso estampado realçava a sua
animação. Seu cabelo negro estava preso em um coque. O visual executivo junto
dos óculos deixava extremamente sexy. Talvez Jonas tenha feito uma péssima
escolha. Seus olhos verdes brilhavam e me encararam de cima a baixo. Fiquei
arrepiado e com vergonha, já que não estava tão arrumado quanto nas outras
reuniões. Não quis repetir o visual e fui vestido apenas com calças jeans, uma
camisa de algodão e mangas compridas com um tom escuro de azul, além dos
sapatos. Fiquei a espera de um olhar repreensivo, mas Suzane apenas continuou
sorrindo e me deu dois beijos nas bochechas.
—Estávamos a sua espera, Dan. —Dan?
Que intimidade era aquela?
—Espero não estar atrasado. —sorri
meio sem graça vendo o homem se levantar da cadeira e vir na minha direção.
Alto, magro, usando uma camisa preta
com a imagem da banda The Beatles. Sua pele era clara e ele tinha sardas no
rosto. Aparentava ter mais de trinta anos, os cabelos ruivos penteados de lado.
Era possível notar uma entrada em sua testa, o que indicava que ele já estava
ficando careca. Grandes óculos em seu rosto com uma armação negra. Seus olhos
eram escuros e um cavanhaque ruivo se destacava em seu rosto. O editor chefe
era um roqueiro? Aquilo sim era surpreendente.
—Atrasos são toleráveis, meu caro.
—sorriu o editor apertando minha mão. — Mas você não está atrasado, nós que nos
adiantamos.
—Esse pseudo roqueiro de meia idade
se chama Edgar Ramos. —sorriu Suzane colocando a mão no meu ombro. — Ele é o
nosso descolado editor chefe.
—Morde e assopra, Sussu. —Edgar
abriu um sorriso. — Primeiro diz que eu, um jovem em seu auge está na meia idade
e depois me chama de descolado? O que o jovem poeta aqui vai pensar?
—Que você tem um bom gosto musical.
—disse sorrindo e olhando para a blusa que ele usava. O visual despojado do
editor me deixou mais a vontade. Aparentemente ele era um cara bastante
engraçado também.
—Além de poeta ele é fã de rock?
–Edgar indagou, sua voz era rouca e grave. O que contrastava com seu físico
magro. — Garoto, você já ganhou meu respeito.
—Apresentações feitas, chega dessa
troca de elogios. —Suzane acenou e começou a caminhar para a mesa oval. — Vamos
começar a reunião.
Nos sentamos e Edgar começou a
explicar detalhadamente como funcionaria o projeto. Nada diferente do que
Suzane havia me dito, apenas com o acréscimo de que a Poetizar pretendia
investir pesado e se tornar uma editora oficial, usando o meu livro como seu
carro chefe. Eu seria o primeiro escritor da revista. O editor Ramos prosseguiu
contando que uma equipe estava sendo formada justamente para esse projeto, com
um designer gráfico, uma revisora profissional e ele como editor chefe e
idealizador do projeto. Empresas grandes da cidade estavam dispostas a
patrocinar os futuros livros e entrar de cabeça no projeto. Era uma oportunidade
única e eles estavam colocando todas as expectativas possíveis na minha
habilidade para a escrita. No que diziam ser o meu talento.
Edgar ainda ressaltou que eu teria a
liberdade de escrever quantos poemas eu quisesse, e que ele confiava no meu
talento. Sua intenção era promover um escritor que segundo ele possuía um
talento diferenciado. Fiquei extremamente lisonjeado com os elogios.
—Este, Daniel, será o inicio de uma
longa e promissora parceria. —disse Edgar apertando minha mão, ambos estávamos
de pé, depois de quase uma hora de conversa. Ele se preparava para sair. — Está
combinada então a entrega da primeira remessa de poemas para a revisão
ortográfica e formatação daqui a quinze dias. Esses poemas sendo aqueles que
você já escreveu. Nós da revista ficamos com a parte de juntar todos e fazer um
design legal para um pré-livro. Depois pegamos os novos poemas e juntamos.
Certo?
—Fechado. —sorri acenando com a
cabeça.
—Então nos vemos daqui a duas semanas.
Tenham uma boa noite. —Edgar despediu-se e foi até a porta. Eu o segui, assim
como Suzane.
A dona da Poetizar se colocou entre
mim e a porta, segurando a maçaneta e me impedindo de sair.
—Gostaria de conversar com você,
Daniel. —ela ajeitou os óculos, olhando fixamente para mim. — Se importa de perder
mais um tempinho comigo?
—Claro que não.—disse um pouco
desconfortável com seu olhar fixo. — Tenho certeza que não é perda de tempo.
—Ótimo. —Suzane sorriu de forma
sedutora e caminhou lentamente pela sala de reuniões, indo até as janelas e fechando
as persianas.
—Algum problema com os textos que lhe
enviei? —indaguei um pouco confuso sobre o que ela queria falar comigo.
—Não, claro que não. —Suzane se apoiou
na mesa e ficou de frente para mim. —Desta vez queria conversar algo pessoal
com você, se me permite, claro. Algo além da nossa relação profissional.
—Claro... tudo bem. —balbuciei
concordando enquanto a olhava. Ela estava incrivelmente sensual. O que me
deixava um pouco desconfortável.
Suzane deveria ter na faixa de
quarenta anos, mas tinha um corpo de vinte, um estilo refinado e um ar
intelectual. Parada daquela forma a minha frente ela mais parecia uma daquelas
professoras de filmes pornô. De alguma forma parecia que ela queria me seduzir.
—Eu gostaria de falar com você sobre
aquele dia no qual eu não estava muito bem e você foi tão gentil. —ela retirou
lentamente o elástico que prendia seu coque e caminhou sensualmente até mim.
Balançando os cabelos que estavam lisos, deixando-os cair até próximo dos
ombros. — Eu não tive a chance de lhe agradecer da devida forma.
—Não, está tudo bem. —sorri sem graça.
Ôh Deus! Ela estava tentando me seduzir. — A senhora... —parei percebendo que
ela franziu o cenho ao ouvir o “senhora” — ... Você já fez e faz muito por mim,
me apoiando aqui na revista.
—Mesmo assim, sinto que devo fazer
mais. — ela ajeitou novamente os óculos, desviando o olhar como se tentasse
parecer tímida. — Hoje em dia é raro encontrar homens como você. Sensíveis,
gentis, românticos. O que você fez por mim só ressalta o quão raro é. Suas
palavras doces me fizeram me sentir bem melhor.
—Que bom... —murmurei com os olhos
arregalados. Suzane deu dois passos a frente ficando a um passo de distância.
Engoli a seco e desviei o olhar, eu sentia meu rosto queimar. Sem querer ao
olhar para baixo acabei visualizando seu decote que me fez arrepiar. Seus seios
fartos eram incrivelmente tentadores. — Fico feliz por ter te feito se sentir
bem.
—Gosta dos meus seios, Dan? —Suzane sussurrou
percebendo que eu havia reparado em seu decote. Ela então colocou as mãos sobre
os botões do blazer e abriu a peça revelando a blusa social branca que estava
por baixo. — Quer tocá-los?
—Me... desculpe. —disse quase sem
fala. Estava completamente desconfortável com aquela atitude. Em minha mente
vinham flashes da conversa com Jonas, eu lembrava de suas palavras dizendo que Suzane
mais parecia uma boneca inflável. As cenas que imaginei voltavam à mente, Suzane
nua, transando. Porém, desta vez eu me via no lugar de Jonas, protagonizando a
transa. — To... tocá-los?
—Sim, não se acanhe. —ela desabotoou
sua blusa e a abriu também, revelando os seios fartos e o sutiã branco, no
formato meia lua e rendado. Meu coração estava disparado. Não sabia como
reagir. Ela era minha chefe, não podia fazer aquilo. Eu estava muito excitado.
— Vamos, toque-os. Eu vi que você reparou no meu decote durante toda a reunião.
—Suzane pegou minhas mãos e as colocou sobre os seus seios. Eu não resisti e os
apertei. Macios, gostosos, tentadores. Ela soltou um singelo gemido. — Isso,
Dan, se solte.
—Desculpe. —tirei as mãos de seus
seios e dei alguns passos para trás me encostando na parede. — Eu não posso
fazer isso.
O que eu estava dizendo, eu estava
louco para arrancar sua roupa ali mesmo e transar loucamente. Mas ao mesmo
tempo minha razão dizia que aquilo era errado, antiético. O que diriam se
soubessem que eu havia transado com a minha chefe? Onde estariam os meus
méritos se eu publicasse um livro depois de ter fodido ela? Além do mais Suzane
tinha idade para ser minha mãe. Apesar de que não aparentava e era
incrivelmente sedutora e exuberante. Aquela Suzane a minha frente estava
completamente diferente da de antes. Mais quente, decidida. Era óbvio que ela
me desejava. Merda, o que eu faço?
—O que foi, Daniel? —Suzane me olhou
intrigada. – Não me diga que você é gay?
—Não, claro que não. —eu não sabia o
que dizer e não conseguia tirar os olhos de seus seios. — Eu só não sei se isso
é certo. Afinal eu trabalho para você.
—Nunca teve esse fetiche? —ela
sussurrou se aproximando. —Nunca quis foder sua chefe?
Claro que eu queria, transar com uma
mulher mais velha e tão sedutora era um grande fetiche. Sem falar que podíamos
ser pegos a qualquer momento. Já estava suando, excitado, prestes a perder o
controle.
—Sim. E você é incrivelmente
atraente. —dei um meio sorriso ignorando meu nervosismo e todas as dúvidas na
minha mente.
—Isso. —Suzane avançou e colocou sua
mão sobre a minha ereção, por cima da calça. Ela apertou forte me fazendo
gemer. — Hmmmm, como você está duro. —sussurrou mordendo os lábios. — Me come,
rápido.
Aquilo era demais para mim, estava a
ponto de explodir com tamanha excitação. Morder os lábios era golpe baixo. Não
conseguia mais me segurar. Que se dane a ética. Agarrei Suzane pela cintura e
girei meu corpo, colocando-a contra a parede. Pressionei o meu corpo contra o
dela e a beijei. Seus lábios tinham um gosto bom, eram suaves e o nosso beijo
foi intenso. As línguas se tocando freneticamente. Suzane com suas mãos
agarrando minha nuca.
—Isso, poeta. —Gemeu entre beijos. —
Me fode, vai.
Comecei a beijar seu pescoço, a
chupar, sem controle, sem medo. Seu perfume era intenso e arrebatador. Sua pele
bem cuidada parecia pedir pelo meu toque. Agarrei seu sutiã e o tirei junto da
blusa, deixando seus seios brancos e grandes expostos. Seus mamilos inchados e
duros me atraíram como imas. Desci meu rosto até eles e comecei a lamber, logo
depois abocanhando-o. Suzane soltava gemidos abafados enquanto eu chupava
freneticamente. Meu pênis latejava de tão excitado. Puxei Suzane e a levei até a mesa. Ela se
sentou sobre a mesa e abriu suas pernas, seus cabelos bagunçados e seus mamilos
apontando para mim. Ela lambeu os lábios e me encarou. Avancei e agarrei suas
coxas, beijando-a novamente. Subi sua saia e comecei a tocar sua vagina por
cima da calcinha. A professora e dona da Poetizar estava extraordinariamente
molhada.
—Anda, arranca minha calcinha e mete
em mim. Depressa. —suplicou gemendo com meu toque. — Eu estou enlouquecendo,
vai.
Me preparei para puxar sua calcinha
quando ela jogou a cabeça para trás, se entregando. Eu levantei meu rosto, a
encarando e quando a olhei, vi Crystal parada a minha frente em seu lugar.
—Vamos, criança. Me come. —Crystal
sussurrou com seu sorriso malicioso.
Me assustei e dei dois passos para
trás. Pisquei os olhos várias vezes e vi Suzane na mesa, com as pernas abertas
me encarando sem entender. Eu estava ofegante e minha excitação tinha
assustadoramente passado.
—O que foi? –indagou Suzane me
olhando assustada.
—Me perdoe, Suzane. —disse me
recompondo. — Eu quero muito transar contigo, mas não posso. Eu sou
comprometido, na verdade estamos em crise. Porém, ainda assim eu não sou capaz
de traí-la e a amo muito. —menti. — Você é sexy e muito gostosa. Mas eu não
posso, ela é a garota que inspirou o cores de outono, espero que entenda.
—Eu... eu não sabia que você
namorava. —Suzane se colocou de pé, envergonhada e cobrindo os seios com seus
braços. — Me sinto uma vadia agora.
—Não, é um relacionamento
complicado. Me desculpe. —abaixei a cabeça. — Eu quero que saiba que eu
realmente queria transar contigo. Muito. Você é deslumbrante, inteligente e me
seduziu muito bem. Contudo seria um erro, eu trabalho para você. E você não
merece uma transa casual com alguém que não possa se entregar de verdade. Você
merece ser amada.
Suzane enrubesceu me encarando com
um olhar encantado. Caminhou e foi até onde estava suas roupas, as pegando
sensualmente no chão e cobrindo seus seios.
—Esse foi o fora mais doce que já
levei. —comentou. — Essa garota não sabe a sorte que tem.
—Creio que você esteja certa. —sorri
sem graça.
—Está tudo bem, Daniel. –Suzane
retribuiu o sorriso sem graça. — Vamos esquecer esse nosso momento quente.
Estarei torcendo para que você seja feliz com essa garota. —Suzane caminhou até
mim e me deu um beijo suave e carinhoso. — Mas se ela bobear, eu te pego para
mim. — Suzane gargalhou e começou a se vestir.
Apenas fiquei a observando se
vestir. Estava me sentindo um idiota por não ter transado com ela, mas no fundo
sabia que tinha feito o certo. Meus olhos percorriam seu corpo sensual. Estava
quase me arrependendo.
—Acho que a nossa reunião está
encerrada, não é? —Suzane ajeitou seus óculos. — Nos vemos daqui a duas
semanas, jovem poeta.
—Sim. –suspirei e acenei com a
cabeça. — Obrigado mais uma vez e me desculpe, Suzane.
Me despedi e sai apressado do
prédio, ainda confuso. Levemente arrependido da burrice que tinha cometido. E
ainda assim agradecendo por não ter feito as coisas terminarem ainda pior. Só
espero que nada mude dali em diante entre eu e a professora sexy. Jonas estava
errado, ela não parecia ser uma boneca inflável. Pelo contrário, tinha um fogo
incontrolável. Realmente seria errado continuar com aquilo, era nítido que
Suzane estava carente e uma transa comigo só faria as nossas vidas ficarem mais
caóticas.
Caminhei para casa, desistindo de ir
para a faculdade. Minha cabeça estava cheia de pensamentos confusos. Aquela
visão de Crystal só me fez me sentir pior. Agora, se já não bastasse o amor que
sentia por ela, eu aparentemente seria assombrado pelas suas lembranças.
Já em casa decidi tomar um banho
para tentar relaxar. Ainda estava atordoado com o que havia acontecido junto de
Suzane. Deixei a água cair sobre meu corpo e mergulhei dentro dos meus
pensamentos. Submerso em meu mundo, no fundo de minha mente. Comecei a rever
cenas das últimas semanas. Como sempre fazia, vendo cada flash, cada momento,
tentando entender como havia chegado ali. Agora aqueles momentos com Crystal
pareciam muito distantes.
Senti o velho aperto no peito, a
angústia mesclada à saudade. Talvez o meu grande erro tenha sido me apaixonar.
Me tornei vulnerável e deixei que Crystal me dominasse, me manipulasse. Ela me
tinha quando bem entendia, me seduzia facilmente, sem pudor, sem nem suar. A
garota da ficção era mais uma prova de que aquela minha melancolia, aquela
minha tristeza e carência me deixavam mais fraco, me deixava vulnerável. Assim
como Suzane, que por ser tão carente havia, deixado de lado todos os seus
princípios éticos e tentado me seduzir. A carência era a maior fraqueza de
qualquer pessoa. Era ela a causa de toda a merda que eu já tinha feito. A
carência de atenção, de um carinho, de alguém ao meu lado.
O som da agua caindo, o vapor
tomando conta do banheiro, o calor invadindo meu corpo. Tentei me distanciar
emocionalmente de todas as lembranças, tentando analisa-las da forma mais
racional possível. Os sonhos que tive, Crystal dizendo que me amava, depois dizendo
que não confiava mais em mim. O porta-retratos, o encontro com Bernardo, ele
chamando-a de amor, seu noivado. Tudo aquilo se juntando, convergindo para o
mesmo caminho. Me mostrando que não podíamos ficar juntos. Mas algo parecia errado, algo parecia não se
encaixar. Crystal tinha tantos mistérios, tanta coisa parecia estar fora do
lugar. Qual era verdade afinal?
No fim, os mistérios, os
sentimentos, todos os momentos que passamos juntos me levaram a ficar naquele
estado. Me sentindo incompleto, quebrado. Meu coração em pedaços. Em pedaços
enquanto imaginava qual a peça ainda não se encaixava no quebra-cabeça...
Os dias continuaram passando e com
eles a sensação de estar cada vez mais distante da garota da ficção. Meu
coração, minha dor, meu vazio, tudo parecia querer abrandar. E eu sabia que um
dia tudo aquilo iria passar.
Segunda-feira, o intervalo acabara de
começar. Decidi ir até o cinema, sabia que naquele horário o local ficava
deserto. Peguei meus fones de ouvido e fui, deixando a música me guiar.
O cinema ficava no final do
corredor, no primeiro andar do prédio onde estudava. A grande porta dupla de madeira
estava entreaberta. Entrei avistando aquele grande espaço. Frio, escuro e
encantador. As cadeiras vermelhas, mais de 100, separadas pelo corredor de
entrada. Desci os degraus em direção ao grande telão. Não havia ninguém ali,
como eu tinha previsto. O carpete também vermelho abafando meus passos. Fazia
semanas que eu não visitava o cinema, meu canto escuro, meu esconderijo. Ali,
debaixo da baixa iluminação, daquele teto alto, eu me sentia protegido,
confortável, livre.
Sentei em uma das cadeiras da
terceira fileira e fechei os olhos. Relaxando e ouvindo minha playlist. Foi então que a música foi
interrompida e meu celular começou a tocar. Olhei para a tela e lá estava
escrito o nome que eu tanto tentava esquecer. Crystal...
Sabia que não deveria atender, sabia
que não precisava
me torturar mais. Porém também não gostava de deixar as pessoas no vácuo.
Atendi a ligação.
—Alô. –murmurei colocando o celular
próximo do ouvido.
—Olá,
criança. —ela respondeu com sua voz suave.
—Oi, Crystal. —respondi de forma
seca. — O que você quer?
—Eu
preciso te ver, onde você está? Não veio a aula? —o que diabos ela queria?
—Estou no cinema da faculdade. —parei assim que respondi, percebendo a
burrice que tinha feito.
—Estou
indo aí então, está sozinho?
—Espera, estou. Mas o que você quer?
—indaguei.
—Quero
te ver! —ela repetiu.
—Nós já conversamos sobre isso, eu
já te disse que isso só piora as coisas... –comecei a dizer, mas fui
interrompido.
—Eu
não estou mais noiva. —Crystal disse fazendo meu coração parar
momentaneamente.

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