segunda-feira, 1 de setembro de 2014

[+18] ILUSION: Capitulo 13

Por Guilherme César

In Pieces


            Talvez o arrepio que sentimos mesclado àquela sensação de prazer quando amamos alguém, quando olhamos nos olhos da pessoa que amamos, talvez essa sensação seja a mesma que sentimos quando estamos em queda livre. Caindo rumo ao desconhecido, um misto de medo, adrenalina, prazer, esperança. O coração acelerado, a respiração difícil, o mundo inteiro paralisado enquanto você sente seu corpo sendo puxado para um abismo sem fim. Era aquela a sensação que tomava conta do meu corpo no momento em que olhava nos olhos da garota da ficção. Sua voz ecoando em minha mente.

—Senti a sua falta. —ela sorriu de forma singela me encarando.
—Em dois dias? –sorri, tentando transparecer estar calmo, torcendo para que não estivesse com olheiras e muito menos com cara de quem tinha passado o fim de semana em depressão profunda.
—Sim, criança. —Crystal deu um passo à frente, ficando mais próxima e olhando diretamente nos meus solhos. Fez um biquinho e continuou.— Você não sentiu saudades minhas?
—Eu? Não. —me virei e caminhei até a escada, próxima dali, me sentando. —Nem um pouco.
Crystal caminhou até mim. Vestia calças jeans, sapatos e uma blusa branca de rendas e mangas compridas. Seus cabelos soltos esvoaçavam a cada passo. Eu não consegui tirar os olhos dela, me controlava para não abraça-la. Precisava manter a calma, mesmo que meu corpo estivesse doendo por causa da pressão que impunha sobre mim mesmo. Eu não podia tocá-la, não mais.
—Você é um péssimo mentiroso. —ela deu um meio sorriso, parada de frente para mim.
—Eu sou muitas coisas. Um amontoado complicado de muitas coisas. —desviei o olhar. — Então, o que te traz até aqui?
—Queria te ver. —ela se sentou ao meu lado. — Saber como você está.
—Eu estou bem. —evitei olhar para ela, o contato visual só parecia me puxar para perto dela. — E você, como está? Como se sente agora que é noiva?
— Você precisa mesmo tocar nesse assunto? —Crystal indagou com um suspiro. — Estou bem, Daniel. E não estou aqui para falar disso.
—Não? —me levantei e fiquei de frente para ela. Estava inquieto, estava nervoso. Porque afinal eu não podia tê-la em meus braços? — Dois dias atrás você disse tudo o que queria. Disse que me amava, que não poderia ficar comigo, que ia ficar noiva. Foi embora me deixando um bilhete. E agora simplesmente vem aqui e me diz que veio para saber como estou? Sério mesmo?
—Sim! –exclamou se levantando. Seus olhos fixos em mim. — Eu disse tudo isso e fugi da sua casa por medo de não ter coragem de ir embora se estivesse olhando nos seus olhos. Satisfeito? Eu me preocupo com você. Por isso eu estou aqui.
—Você sabe que eu não poderia estar bem. —murmurei. —Depois de tudo o que aconteceu o melhor seria nunca mais nos vermos. Talvez isso ajudasse a minimizar a dor.
—Eu não quero isso. —ela me olhava com firmeza. — E como você quer deixar de me ver se estudamos na mesma faculdade?
—Uma faculdade que tem aproximadamente dez mil alunos só no período noturno. Eu nunca tinha te visto aqui até nos conhecermos na livraria. —retruquei. — Não seria algo impossível ficar longe.
—Então é isso o que você quer? —questionou com um olhar triste. — Ficar longe de mim?
—Não, não quero. —me aproximei mais, estávamos a um passo de distância. — Mas como eu posso suportar te ver e não poder te tocar? Não poder te beijar, dizer que te amo? —desviei o olhar novamente, olhando para o chão. — Tudo o que eu queria era apenas ter você nos meus braços.
—E eu queria o mesmo, criança. — ela disse com a voz suave, tocando meu rosto com delicadeza e me fazendo olhar em seus olhos. — É isso que eu quero.
Nos aproximamos mais, lentamente. Nossos lábios atraídos um pelo outro. Estávamos prestes a nos beijar quando ela desviou o rosto, fugindo do beijo..
—Desculpe, eu não posso. —Crystal abaixou o rosto.
—Eu sei. —dei dois passos para trás. — Eu sei...
—Eu não quero te magoar. —ela me encarou com os olhos marejados.
—Então o que está fazendo aqui? —balbuciei evitando olhá-la. — Dizer que aceitou o noivado, que não pode me beijar mais, embora esteja desesperada para fazê-lo, isso só me magoa mais. Então, por que vir aqui e me torturar?
—Eu só queria te ver de novo. —Crystal começou a caminhar, indo em direção a saída do prédio. — Me desculpe, criança.
O que diabos eu estava fazendo? Ia mesmo deixa-la ir embora? Não! Eu precisava lutar. Eu não podia perdê-la. Meu coração estava disparado. No momento em que ela passou por mim eu senti seu perfume inebriante me envolver. Meu corpo se mexeu sozinho e eu segurei seu pulso, puxando-a para perto. A abracei forte, olhando em seus olhos.
—Esquece esse babaca. —sussurrei, nossos rostos colados. — Eu te amo, Crystal.
Sem esperar uma resposta eu a beijei. Um arrepio tomando conta do meu corpo no instante que nossos lábios se tocaram. Um beijo intenso, nostálgico, Com uma das mãos eu segurava sua cintura, a outra segurando sua nuca. Senti suas mãos segurarem meu rosto e no instante que o beijo terminou ficamos ali, nos encarando por alguns segundos. As mãos da garota da ficção desceram até o meu peito e me empurraram levemente. Seu olhar dizia tudo. Eu não precisava de nenhuma palavra. Ali estava o meu destino. Ali estava a resposta para a pergunta que eu fizera.  Nada que eu fizesse poderia fazer com que ela dissesse não ao playboy loiro. Virei e me afastei, ficando de costas para ela. Eu odiava desistir, odiava me dar por vencido, mas eu também tinha a minha honra, o meu orgulho. Não adiantava mais me humilhar. Aquela batalha já estava perdida. Restava me conformar. Que belo aspirante a poeta eu era, nem lutar por quem amava eu conseguia.
—Adeus, Crystal. —balbuciei ainda de costas.
—Adeus, Daniel.
Ao ouvir suas palavras eu sabia que aquelas seriam as últimas, ou pelo menos deveriam ser. Seria a última vez que ouviria sua voz. Caminhei até a porta da sala e a abri, sem olhar para trás, entrei e fui me sentar. Não sei quanto tempo Crystal permaneceu lá fora, não sei se fiz o certo. Contudo, já não havia nada o que eu pudesse fazer. Aquele encontro só me mostrou que eu estava de mãos atadas. A garota da ficção havia feito sua escolha.

Três dias se passaram e eu comecei a me policiar, tentando não pensar em Crystal, tentando não alimentar a dor. No dia seguinte ao encontro na faculdade eu quase apanhei de Isis. A minha pequena amiga estava furiosa por eu ter beijado a garota da ficção. Me chamou de burro, imbecil e toda a sorte de xingamentos. Para ela a minha atitude tinha mostrado o quão desesperado eu estava. Isis insistia em dizer que Crystal só queria aquilo, se cerificar que eu estava sofrendo para exaltar seu próprio ego inflado, tendo certeza que conquistou mais um coração. Eu tentava não enxerga-la da mesma forma que a Isis, afinal não queria acreditar que Crystal era um monstro sem coração. Mas também não fazia diferença.

            O sol estava se pondo quando cheguei à redação da Poetizar. Entrei no prédio ansioso. Na tarde anterior Suzane havia me ligado pedindo que eu fosse até lá para uma reunião importante a respeito do meu futuro livro. Aparentemente ela queria me apresentar o editor chefe da revista, que seria o responsável por todo o projeto do livro. Mais uma vez eu optei por faltar a aula e ir até lá, mesmo que odiasse tomar falta e que isso fosse arriscado devido a minha bolsa de estudos, eu sentia que não podia atrasar aquele projeto. Minha intuição me dizia que o livro mudaria para sempre a minha vida.
            Sai do elevador e caminhei a passos rápidos pelo corredor, entrando pela porta principal da Poetizar. O local estava deserto e só havia ali a secretária de Suzane. Clara Lee me encarou com seus olhos puxados e sorriu, se levantando e me cumprimentando. Vestia o mesmo modelo social da ultima vez que a vira. A secretária me encaminhou então até a sala de reunião, onde Suzane e um homem me esperavam.
            —Boa tarde, Daniel. —sorriu Suzane se levantando apressada e vindo a minha direção, logo quando entrei na sala. A secretária fechou a porta, nos deixando lá.
            Suzane vestia um blazer preto junto com saias também pretas. A roupa justa ao corpo. Seus seios fartos evidenciados pelo decote um tanto quanto tentador. Seu rosto de feições delicadas estava livre de qualquer expressão triste. Um sorriso estampado realçava a sua animação. Seu cabelo negro estava preso em um coque. O visual executivo junto dos óculos deixava extremamente sexy. Talvez Jonas tenha feito uma péssima escolha. Seus olhos verdes brilhavam e me encararam de cima a baixo. Fiquei arrepiado e com vergonha, já que não estava tão arrumado quanto nas outras reuniões. Não quis repetir o visual e fui vestido apenas com calças jeans, uma camisa de algodão e mangas compridas com um tom escuro de azul, além dos sapatos. Fiquei a espera de um olhar repreensivo, mas Suzane apenas continuou sorrindo e me deu dois beijos nas bochechas.
            —Estávamos a sua espera, Dan. —Dan? Que intimidade era aquela?
            —Espero não estar atrasado. —sorri meio sem graça vendo o homem se levantar da cadeira e vir na minha direção.
            Alto, magro, usando uma camisa preta com a imagem da banda The Beatles. Sua pele era clara e ele tinha sardas no rosto. Aparentava ter mais de trinta anos, os cabelos ruivos penteados de lado. Era possível notar uma entrada em sua testa, o que indicava que ele já estava ficando careca. Grandes óculos em seu rosto com uma armação negra. Seus olhos eram escuros e um cavanhaque ruivo se destacava em seu rosto. O editor chefe era um roqueiro? Aquilo sim era surpreendente.
            —Atrasos são toleráveis, meu caro. —sorriu o editor apertando minha mão. — Mas você não está atrasado, nós que nos adiantamos.  
            —Esse pseudo roqueiro de meia idade se chama Edgar Ramos. —sorriu Suzane colocando a mão no meu ombro. — Ele é o nosso descolado editor chefe.
            —Morde e assopra, Sussu. —Edgar abriu um sorriso. — Primeiro diz que eu, um jovem em seu auge está na meia idade e depois me chama de descolado? O que o jovem poeta aqui vai pensar?
            —Que você tem um bom gosto musical. —disse sorrindo e olhando para a blusa que ele usava. O visual despojado do editor me deixou mais a vontade. Aparentemente ele era um cara bastante engraçado também.
            —Além de poeta ele é fã de rock? –Edgar indagou, sua voz era rouca e grave. O que contrastava com seu físico magro. — Garoto, você já ganhou meu respeito.
—Apresentações feitas, chega dessa troca de elogios. —Suzane acenou e começou a caminhar para a mesa oval. — Vamos começar a reunião.
Nos sentamos e Edgar começou a explicar detalhadamente como funcionaria o projeto. Nada diferente do que Suzane havia me dito, apenas com o acréscimo de que a Poetizar pretendia investir pesado e se tornar uma editora oficial, usando o meu livro como seu carro chefe. Eu seria o primeiro escritor da revista. O editor Ramos prosseguiu contando que uma equipe estava sendo formada justamente para esse projeto, com um designer gráfico, uma revisora profissional e ele como editor chefe e idealizador do projeto. Empresas grandes da cidade estavam dispostas a patrocinar os futuros livros e entrar de cabeça no projeto. Era uma oportunidade única e eles estavam colocando todas as expectativas possíveis na minha habilidade para a escrita. No que diziam ser o meu talento.
Edgar ainda ressaltou que eu teria a liberdade de escrever quantos poemas eu quisesse, e que ele confiava no meu talento. Sua intenção era promover um escritor que segundo ele possuía um talento diferenciado. Fiquei extremamente lisonjeado com os elogios.
—Este, Daniel, será o inicio de uma longa e promissora parceria. —disse Edgar apertando minha mão, ambos estávamos de pé, depois de quase uma hora de conversa. Ele se preparava para sair. — Está combinada então a entrega da primeira remessa de poemas para a revisão ortográfica e formatação daqui a quinze dias. Esses poemas sendo aqueles que você já escreveu. Nós da revista ficamos com a parte de juntar todos e fazer um design legal para um pré-livro. Depois pegamos os novos poemas e juntamos. Certo?
—Fechado. —sorri acenando com a cabeça.
—Então nos vemos daqui a duas semanas. Tenham uma boa noite. —Edgar despediu-se e foi até a porta. Eu o segui, assim como Suzane.
A dona da Poetizar se colocou entre mim e a porta, segurando a maçaneta e me impedindo de sair.
—Gostaria de conversar com você, Daniel. —ela ajeitou os óculos, olhando fixamente para mim. — Se importa de perder mais um tempinho comigo?
—Claro que não.—disse um pouco desconfortável com seu olhar fixo. — Tenho certeza que não é perda de tempo.
—Ótimo. —Suzane sorriu de forma sedutora e caminhou lentamente pela sala de reuniões, indo até as janelas e fechando as persianas.
—Algum problema com os textos que lhe enviei? —indaguei um pouco confuso sobre o que ela queria falar comigo.
—Não, claro que não. —Suzane se apoiou na mesa e ficou de frente para mim. —Desta vez queria conversar algo pessoal com você, se me permite, claro. Algo além da nossa relação profissional.
—Claro... tudo bem. —balbuciei concordando enquanto a olhava. Ela estava incrivelmente sensual. O que me deixava um pouco desconfortável.
Suzane deveria ter na faixa de quarenta anos, mas tinha um corpo de vinte, um estilo refinado e um ar intelectual. Parada daquela forma a minha frente ela mais parecia uma daquelas professoras de filmes pornô. De alguma forma parecia que ela queria me seduzir.
—Eu gostaria de falar com você sobre aquele dia no qual eu não estava muito bem e você foi tão gentil. —ela retirou lentamente o elástico que prendia seu coque e caminhou sensualmente até mim. Balançando os cabelos que estavam lisos, deixando-os cair até próximo dos ombros. — Eu não tive a chance de lhe agradecer da devida forma.
—Não, está tudo bem. —sorri sem graça. Ôh Deus! Ela estava tentando me seduzir. — A senhora... —parei percebendo que ela franziu o cenho ao ouvir o “senhora” — ... Você já fez e faz muito por mim, me apoiando aqui na revista.
—Mesmo assim, sinto que devo fazer mais. — ela ajeitou novamente os óculos, desviando o olhar como se tentasse parecer tímida. — Hoje em dia é raro encontrar homens como você. Sensíveis, gentis, românticos. O que você fez por mim só ressalta o quão raro é. Suas palavras doces me fizeram me sentir bem melhor.
—Que bom... —murmurei com os olhos arregalados. Suzane deu dois passos a frente ficando a um passo de distância. Engoli a seco e desviei o olhar, eu sentia meu rosto queimar. Sem querer ao olhar para baixo acabei visualizando seu decote que me fez arrepiar. Seus seios fartos eram incrivelmente tentadores. — Fico feliz por ter te feito se sentir bem.
—Gosta dos meus seios, Dan? —Suzane sussurrou percebendo que eu havia reparado em seu decote. Ela então colocou as mãos sobre os botões do blazer e abriu a peça revelando a blusa social branca que estava por baixo. — Quer tocá-los?
—Me... desculpe. —disse quase sem fala. Estava completamente desconfortável com aquela atitude. Em minha mente vinham flashes da conversa com Jonas, eu lembrava de suas palavras dizendo que Suzane mais parecia uma boneca inflável. As cenas que imaginei voltavam à mente, Suzane nua, transando. Porém, desta vez eu me via no lugar de Jonas, protagonizando a transa. — To... tocá-los?
—Sim, não se acanhe. —ela desabotoou sua blusa e a abriu também, revelando os seios fartos e o sutiã branco, no formato meia lua e rendado. Meu coração estava disparado. Não sabia como reagir. Ela era minha chefe, não podia fazer aquilo. Eu estava muito excitado. — Vamos, toque-os. Eu vi que você reparou no meu decote durante toda a reunião. —Suzane pegou minhas mãos e as colocou sobre os seus seios. Eu não resisti e os apertei. Macios, gostosos, tentadores. Ela soltou um singelo gemido. — Isso, Dan, se solte.
—Desculpe. —tirei as mãos de seus seios e dei alguns passos para trás me encostando na parede. — Eu não posso fazer isso.
O que eu estava dizendo, eu estava louco para arrancar sua roupa ali mesmo e transar loucamente. Mas ao mesmo tempo minha razão dizia que aquilo era errado, antiético. O que diriam se soubessem que eu havia transado com a minha chefe? Onde estariam os meus méritos se eu publicasse um livro depois de ter fodido ela? Além do mais Suzane tinha idade para ser minha mãe. Apesar de que não aparentava e era incrivelmente sedutora e exuberante. Aquela Suzane a minha frente estava completamente diferente da de antes. Mais quente, decidida. Era óbvio que ela me desejava. Merda, o que eu faço?
            —O que foi, Daniel? —Suzane me olhou intrigada. – Não me diga que você é gay?
            —Não, claro que não. —eu não sabia o que dizer e não conseguia tirar os olhos de seus seios. — Eu só não sei se isso é certo. Afinal eu trabalho para você.
            —Nunca teve esse fetiche? —ela sussurrou se aproximando. —Nunca quis foder sua chefe?
            Claro que eu queria, transar com uma mulher mais velha e tão sedutora era um grande fetiche. Sem falar que podíamos ser pegos a qualquer momento. Já estava suando, excitado, prestes a perder o controle.
            —Sim. E você é incrivelmente atraente. —dei um meio sorriso ignorando meu nervosismo e todas as dúvidas na minha mente.
            —Isso. —Suzane avançou e colocou sua mão sobre a minha ereção, por cima da calça. Ela apertou forte me fazendo gemer. — Hmmmm, como você está duro. —sussurrou mordendo os lábios. — Me come, rápido.
            Aquilo era demais para mim, estava a ponto de explodir com tamanha excitação. Morder os lábios era golpe baixo. Não conseguia mais me segurar. Que se dane a ética. Agarrei Suzane pela cintura e girei meu corpo, colocando-a contra a parede. Pressionei o meu corpo contra o dela e a beijei. Seus lábios tinham um gosto bom, eram suaves e o nosso beijo foi intenso. As línguas se tocando freneticamente. Suzane com suas mãos agarrando minha nuca.
            —Isso, poeta. —Gemeu entre beijos. — Me fode, vai.
            Comecei a beijar seu pescoço, a chupar, sem controle, sem medo. Seu perfume era intenso e arrebatador. Sua pele bem cuidada parecia pedir pelo meu toque. Agarrei seu sutiã e o tirei junto da blusa, deixando seus seios brancos e grandes expostos. Seus mamilos inchados e duros me atraíram como imas. Desci meu rosto até eles e comecei a lamber, logo depois abocanhando-o. Suzane soltava gemidos abafados enquanto eu chupava freneticamente. Meu pênis latejava de tão excitado.  Puxei Suzane e a levei até a mesa. Ela se sentou sobre a mesa e abriu suas pernas, seus cabelos bagunçados e seus mamilos apontando para mim. Ela lambeu os lábios e me encarou. Avancei e agarrei suas coxas, beijando-a novamente. Subi sua saia e comecei a tocar sua vagina por cima da calcinha. A professora e dona da Poetizar estava extraordinariamente molhada.
            —Anda, arranca minha calcinha e mete em mim. Depressa. —suplicou gemendo com meu toque. — Eu estou enlouquecendo, vai.
            Me preparei para puxar sua calcinha quando ela jogou a cabeça para trás, se entregando. Eu levantei meu rosto, a encarando e quando a olhei, vi Crystal parada a minha frente em seu lugar.
            —Vamos, criança. Me come. —Crystal sussurrou com seu sorriso malicioso.
            Me assustei e dei dois passos para trás. Pisquei os olhos várias vezes e vi Suzane na mesa, com as pernas abertas me encarando sem entender. Eu estava ofegante e minha excitação tinha assustadoramente passado.
            —O que foi? –indagou Suzane me olhando assustada.
            —Me perdoe, Suzane. —disse me recompondo. — Eu quero muito transar contigo, mas não posso. Eu sou comprometido, na verdade estamos em crise. Porém, ainda assim eu não sou capaz de traí-la e a amo muito. —menti. — Você é sexy e muito gostosa. Mas eu não posso, ela é a garota que inspirou o cores de outono, espero que entenda.
            —Eu... eu não sabia que você namorava. —Suzane se colocou de pé, envergonhada e cobrindo os seios com seus braços. — Me sinto uma vadia agora.
            —Não, é um relacionamento complicado. Me desculpe. —abaixei a cabeça. — Eu quero que saiba que eu realmente queria transar contigo. Muito. Você é deslumbrante, inteligente e me seduziu muito bem. Contudo seria um erro, eu trabalho para você. E você não merece uma transa casual com alguém que não possa se entregar de verdade. Você merece ser amada.
            Suzane enrubesceu me encarando com um olhar encantado. Caminhou e foi até onde estava suas roupas, as pegando sensualmente no chão e cobrindo seus seios.
            —Esse foi o fora mais doce que já levei. —comentou. — Essa garota não sabe a sorte que tem.
            —Creio que você esteja certa. —sorri sem graça.
            —Está tudo bem, Daniel. –Suzane retribuiu o sorriso sem graça. — Vamos esquecer esse nosso momento quente. Estarei torcendo para que você seja feliz com essa garota. —Suzane caminhou até mim e me deu um beijo suave e carinhoso. — Mas se ela bobear, eu te pego para mim. — Suzane gargalhou e começou a se vestir.
            Apenas fiquei a observando se vestir. Estava me sentindo um idiota por não ter transado com ela, mas no fundo sabia que tinha feito o certo. Meus olhos percorriam seu corpo sensual. Estava quase me arrependendo.
            —Acho que a nossa reunião está encerrada, não é? —Suzane ajeitou seus óculos. — Nos vemos daqui a duas semanas, jovem poeta.
            —Sim. –suspirei e acenei com a cabeça. — Obrigado mais uma vez e me desculpe, Suzane.
            Me despedi e sai apressado do prédio, ainda confuso. Levemente arrependido da burrice que tinha cometido. E ainda assim agradecendo por não ter feito as coisas terminarem ainda pior. Só espero que nada mude dali em diante entre eu e a professora sexy. Jonas estava errado, ela não parecia ser uma boneca inflável. Pelo contrário, tinha um fogo incontrolável. Realmente seria errado continuar com aquilo, era nítido que Suzane estava carente e uma transa comigo só faria as nossas vidas ficarem mais caóticas.
            Caminhei para casa, desistindo de ir para a faculdade. Minha cabeça estava cheia de pensamentos confusos. Aquela visão de Crystal só me fez me sentir pior. Agora, se já não bastasse o amor que sentia por ela, eu aparentemente seria assombrado pelas suas lembranças.

            Já em casa decidi tomar um banho para tentar relaxar. Ainda estava atordoado com o que havia acontecido junto de Suzane. Deixei a água cair sobre meu corpo e mergulhei dentro dos meus pensamentos. Submerso em meu mundo, no fundo de minha mente. Comecei a rever cenas das últimas semanas. Como sempre fazia, vendo cada flash, cada momento, tentando entender como havia chegado ali. Agora aqueles momentos com Crystal pareciam muito distantes.
            Senti o velho aperto no peito, a angústia mesclada à saudade. Talvez o meu grande erro tenha sido me apaixonar. Me tornei vulnerável e deixei que Crystal me dominasse, me manipulasse. Ela me tinha quando bem entendia, me seduzia facilmente, sem pudor, sem nem suar. A garota da ficção era mais uma prova de que aquela minha melancolia, aquela minha tristeza e carência me deixavam mais fraco, me deixava vulnerável. Assim como Suzane, que por ser tão carente havia, deixado de lado todos os seus princípios éticos e tentado me seduzir. A carência era a maior fraqueza de qualquer pessoa. Era ela a causa de toda a merda que eu já tinha feito. A carência de atenção, de um carinho, de alguém ao meu lado.
            O som da agua caindo, o vapor tomando conta do banheiro, o calor invadindo meu corpo. Tentei me distanciar emocionalmente de todas as lembranças, tentando analisa-las da forma mais racional possível. Os sonhos que tive, Crystal dizendo que me amava, depois dizendo que não confiava mais em mim. O porta-retratos, o encontro com Bernardo, ele chamando-a de amor, seu noivado. Tudo aquilo se juntando, convergindo para o mesmo caminho. Me mostrando que não podíamos ficar juntos.  Mas algo parecia errado, algo parecia não se encaixar. Crystal tinha tantos mistérios, tanta coisa parecia estar fora do lugar. Qual era verdade afinal?
            No fim, os mistérios, os sentimentos, todos os momentos que passamos juntos me levaram a ficar naquele estado. Me sentindo incompleto, quebrado. Meu coração em pedaços. Em pedaços enquanto imaginava qual a peça ainda não se encaixava no quebra-cabeça...
           
            Os dias continuaram passando e com eles a sensação de estar cada vez mais distante da garota da ficção. Meu coração, minha dor, meu vazio, tudo parecia querer abrandar. E eu sabia que um dia tudo aquilo iria passar.
           
            Segunda-feira, o intervalo acabara de começar. Decidi ir até o cinema, sabia que naquele horário o local ficava deserto. Peguei meus fones de ouvido e fui, deixando a música me guiar.
            O cinema ficava no final do corredor, no primeiro andar do prédio onde estudava. A grande porta dupla de madeira estava entreaberta. Entrei avistando aquele grande espaço. Frio, escuro e encantador. As cadeiras vermelhas, mais de 100, separadas pelo corredor de entrada. Desci os degraus em direção ao grande telão. Não havia ninguém ali, como eu tinha previsto. O carpete também vermelho abafando meus passos. Fazia semanas que eu não visitava o cinema, meu canto escuro, meu esconderijo. Ali, debaixo da baixa iluminação, daquele teto alto, eu me sentia protegido, confortável, livre.
            Sentei em uma das cadeiras da terceira fileira e fechei os olhos. Relaxando e ouvindo minha playlist. Foi então que a música foi interrompida e meu celular começou a tocar. Olhei para a tela e lá estava escrito o nome que eu tanto tentava esquecer. Crystal...
            Sabia que não deveria atender, sabia que não precisava me torturar mais. Porém também não gostava de deixar as pessoas no vácuo. Atendi a ligação.
            —Alô. –murmurei colocando o celular próximo do ouvido.
            —Olá, criança. —ela respondeu com sua voz suave.
            —Oi, Crystal. —respondi de forma seca. — O que você quer?
            —Eu preciso te ver, onde você está? Não veio a aula? —o que diabos ela queria?
            —Estou no cinema da faculdade.  —parei assim que respondi, percebendo a burrice que tinha feito.
            —Estou indo aí então, está sozinho?
            —Espera, estou. Mas o que você quer? —indaguei.
            —Quero te ver! —ela repetiu.
            —Nós já conversamos sobre isso, eu já te disse que isso só piora as coisas... –comecei a dizer, mas fui interrompido.
            —Eu não estou mais noiva. —Crystal disse fazendo meu coração parar momentaneamente. 


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