segunda-feira, 1 de setembro de 2014

[+18] ILUSION: Capitulo 10


Por Guilherme César

Crazy




            Já perdeu o controle por causa de alguém? Sentiu o mundo girar ao contrario, como se tudo ao seu redor obedecesse aos desejos daquela pessoa? Um indivíduo capaz de te prender com um olhar, de te manipular apenas com um sussurro. Alguém capaz de romper com todas as correntes que lhe prendem, capaz de fazer toda a sua sanidade se esvair de forma acelerada.
Tão acelerada que é possível sentir aquela pressão exercida pelo ar, quando como nos encontramos em inércia e subitamente começamos a correr. Pessoas assim são incríveis, são intensas. Pessoas assim, nos levam ao céu. Mas esse céu tem um preço bem caro. Para isso você deve deixar sua alma nas mãos dela. Já se deixou ser controlado por alguém?
            Enquanto caminhava pelo corredor do décimo sétimo andar do luxuoso Edifício Babel –um gigantesco prédio residencial, composto por cinquenta apartamentos divididos em seus vinte e cinco andares – eu imaginava o que aquela noite ainda poderia me reservar. Crystal caminhava ao meu lado, seu semblante sereno e misterioso. Vestia calças jeans justas ao corpo, uma blusa preta de mangas longas e um cachecol cinza por causa do frio daquela noite. Aquele olhar de quem está cheia de planos. O extenso corredor possuía sensores de movimento que faziam as mais de vinte lâmpadas acenderem conforme íamos andando. Dois apartamentos por andar, a garota da ficção parou de frente para uma das grandes portas de madeira negra, com uma maçaneta dupla. Em uma singela, mas muito bonita placa, residia o número “17” seguido da letra A. Lentamente a “nada doce” jovem a minha frente abriu a porta que era bem maior do que uma porta comum. Só aquela porta já fazia com que eu e o meu apartamento nos sentíssemos humilhados.
            —Bem vindo ao 17A, conhecido também como República Carpie Diem. —sorriu Crystal caminhando para dentro do apartamento. Eu a segui. Depois de dar dois passos ela parou, me olhando maliciosamente e dizendo antes de seguir. — O local onde seus maiores desejos podem se tornar realidade.
            Crystal me deixou passar e fechou a porta. Caminhamos por um pequeno corredor até chegarmos a uma sala que provavelmente era maior que o meu apartamento. Meu queixo simplesmente caiu. A gigantesca sala tinha as paredes brancas e o chão de ladrilhos também brancos. Os moveis ali entram todos negros e reluziam em contraste com as paredes. Um enorme sofá de sete lugares ficava ao centro, estando de costas para quem chegava pela porta de entrada. A frente dele estava um grande móvel com uma TV de 42 polegadas, tão fina quanto um quadro. Também haviam pequenas caixas de som, componentes do home theater. Na mesma parede onde se encontra este móvel estavam as quatro janelas que davam visão ao centro da cidade. Uma linda visão também do céu escuro. As cortinas claras estavam abertas. Na parede à esquerda estava um aparador que funcionava como um bar, com divisórias para se acomodar as taças e espaços reservados para as várias garrafas de bebida. Todas em seus devidos lugares. Ao centro da sala, a frente do sofá havia um tapete que parecia ser de veludo, ou pelo menos aparentava, de tom claro, quase bege. Sobre ele, no centro exato do local estava uma mesa de vidro com pequenos objetos de decoração que não me chamaram a atenção. Outro sofá, este de três lugares ficava de costas para o bar. Nas paredes algumas pinturas em preto e branco completavam o ambiente. Tudo muito limpo e organizado. O teto de gesso era rebaixado repleto por pequenas lâmpadas. A direita do sofá, outro aparador, esse com algumas gavetas e um vaso com rosas brancas findava a decoração da sala. Fiquei completamente encantado, nunca tinha entrado em um apartamento tão bonito, e eu apenas tinha conhecido a sala. Ao lado do bar uma grande porta de vidro parecia dar acesso à cozinha, que por sua vez também devia ser muito grande.
            —Me espere um segundo, criança. —pediu Crystal indo na direção oposta a que estávamos, passando pela sala rumo a um corredor ao fundo. — Vou me trocar.
            —Posso te ajudar com isso. —indaguei sorrindo— Não precisa nem se vestir, vamos só tirar.
            —Nada disso. —ela acenou negativamente com a cabeça. —E estragar a brincadeira?
            Crystal virou a esquerda no corredor e seguiu para o que provavelmente deveria ser o seu quarto. Fiquei ali observando a sala, observando a vista pelas grandes janelas. Percebi que as paredes possuíam um tipo de textura, feita de maneira precisa, dando um ar mais sofisticado ao ambiente. Me aproximei das janelas e abri uma delas lentamente. Logo meu corpo foi atingido por uma forte rajada de vento frio. Debrucei-me sobre a janela e senti um desconforto ao ver a altura que estava, odiava aquele meu velho medo de altura. Voltei a ficar mais afastado da janela, olhando os diversos prédios desenhando o horizonte da capital. Meus olhos se voltaram então para o céu, sem nuvens, repleto de estrelas e uma linda lua cheia. Fazia quanto tempo que eu não parava para observar a lua? Nem fazia ideia. Eu amava fazer aquilo, sentar durante a noite e ficar observando a lua enquanto ouvia minhas músicas favoritas. Ficar vagando entre mundos, apenas vivendo em dimensões paralelas, criando personagens e diálogos. Sempre fui um romântico incurável e diziam que todo romântico era apaixonado pela lua. Estavam certos. A lua cheia, sobretudo, exercia um fascínio sobre mim.
            —Pare de sonhar e venha viver a realidade comigo, gatinho. —murmurou Crystal as minhas costas, me despertando de meus devaneios.
            Virei e lá estava ela, seus cabelos soltos esvoaçando com o vento que entrava pela janela. Seu corpo alvo e esguio coberto por um hobby de seda azul turquesa, que chegava um palmo acima de seus joelhos. Perdi brevemente o ar com aquela visão.
            —Tem certeza que isso é real? —indaguei sorrindo. — Ainda acho que estou sonhando.
            —Acredite, você vai amar essa realidade. —Crystal sorriu maliciosamente e estendeu uma das mãos balançando uma fita também de seda, essa era negra e tinha mais de trinta centímetros de comprimento por quase dez de largura. —Vamos vendá-lo.
            —E eu vou perder a chance de ver seu corpo? –contestei. — Não acho isso justo.
            —O mundo é injusto, criança. —ela então se aproximou, indo até as minhas costas e colocando a venda em meus olhos.
Não protestei, quis entrar em seu jogo. Depois de amarrar a fita, Crystal pegou minha mão esquerda e me puxou, me fazendo caminhar um pouco. Notei as variações de iluminação pelo caminho, ela me fez virar a esquerda, provavelmente entrando no corredor onde ela havia ido. Depois de quase dez passos viramos novamente a esquerda. Mais passos senti Crystal me fazendo parar. Puxando minha mão ela me fez abaixar e tocar algo macio, provavelmente a cama.
—Deite-se. —sussurrou sensualmente ao meu ouvido.
Obedeci, tateando e tentando encontrar um apoio na cama macia. Me sentei enquanto sentia suas mãos macias me empurrando, fui seguindo seu toque até chegar a cabeceira da cama, senti minhas costas se chocarem contra algo macio, provavelmente travesseiros. Fiquei ali, sentado, encostado neles. Percebi que o colchão balançou, com o peso de alguém sobre ele, caminhando até onde eu estava. Subitamente alguém se sentou no meu colo, alguém leve, entrelaçando as pernas na minha cintura. A abracei, sentindo a seda que cobria seu corpo. Percebi que por baixo do hobby ela estava totalmente nua. Comecei a ficar excitado. Seus lábios macios e com gosto de morango tocaram os meus. Nos beijamos intensamente enquanto eu senti uma de suas mãos segurando a minha e estendendo contra a cabeceira. Em seguida ela parou de me beijar e começou a amarrar meu braço na cabeceira da cama. Forcei o punho, tentando me soltar, mas Crystal pousou um de seus dedos na minha boca.
—Acalme-se, criança. —sussurrou. —Isso faz parte da brincadeira.
“Que assim seja”, pensei sem protestar. Deixei-a me amarrar com destreza. Senti que ela usara algo macio para me prender de forma que não machucava meus punhos, porém estava bem preso, sem chances de escapar. Voltou então a me beijar intensamente, nossas línguas se tocando. Me senti indefeso, acuado. Sentia seu toque, sentia seu cheiro, mas não podia tocá-la, abraça-la. Apenas beijar sua boca. Não podia vê-la e aos poucos ela me tirava meus sentidos, um a um. Senti que ela se levantou então e desceu da cama. Ouvi seus passos pelo quarto, até que uma música começou a tocar. O colchão novamente se mexeu com o peso de seu corpo sobre ele. Sorri ao reconhecer a música que começara, coincidentemente uma das que eu gostava. “Crazy” da banda Aerosmith. Meu Deus, como a letra daquela música se encaixa tão perfeitamente com a gente. Meu corpo se arrepiou ao lembrar da letra.
“Venha aqui, querida.
Você sabe que me faz subir pelas paredes
Com o seu jeito de fazer essas maldades parecerem boas
Parece que estamos mais fingindo do que fazendo amor...”
Senti novamente ela se sentar sobre mim, minhas pernas esticadas na cama, suas nádegas pressionando minhas coxas. Seus dedos começaram a tocar os botões da minha camisa e aos poucos ela desabotoou todos, começando de baixo para cima. Minha blusa foi aberta e mãos começaram a tocar meu peito, acariciando de forma lenta. Sentia suas unhas arranharem de forma leve a minha pele. Meu corpo totalmente arrepiado. Crystal se debruçou sobre mim e senti sua boca tocando meu pescoço. Droga, aquilo era angustiante, queria me soltar e tocá-la. Tudo parecia ter sido intensificado. As sensações, o toque de seus lábios molhados em minha pele. Eu estava sendo consumido por arrepios.
“...Esse tipo de amor
Faz um homem virar um escravo
Esse tipo de amor
Manda um homem direto para a sepultura...”


—Me solte, eu quero te tocar. —pedi enquanto a música ia para o refrão.
—Calma, gatinho. —sussurrou em meu ouvido. Como aquela voz conseguia ser tão sensual? —Eu nem comecei a brincar.
“...Fico louco, louco
Querida, fico louco
Você provoca, e depois vai embora...”


Cada movimento dela parecia acompanhar o ritmo da música. Começou então a chupar meu pescoço, mordendo depois meu queixo e em seguida meus lábios. A ausência da visão e a impossibilidade de tocá-la ampliavam o tesão e eu estava –como a música- prestes a enlouquecer. Senti os lábios da garota da ficção tocando minha orelha, ela então mordeu devagar e começou a sussurrar, sua voz ecoando em minha mente.
—Você indefeso, Daniel. —ela pausava para lamber minha orelha. —E eu agora posso fazer o que quiser com você. O que eu quiser.
—Querendo me bater? —indaguei. —Achei que tínhamos superado isso.
—Bater? —ela gargalhou de forma cínica. — Existem várias formas de se torturar alguém, criança.
Beijando minha orelha, Crystal cravou as unhas de uma das mãos em meu peito, arranhando da altura do mamilo até próximo ao umbigo. Me contorci de dor enquanto a ouvi gargalhando de prazer. Senti suas mãos tocando a minha calça, pretendia tirar minha calça. Fiquei feliz com isso, afinal calças jeans costumavam ser péssimas quando se estava excitado. 
“... Esse tipo de amor
Agora nunca, nunca, nunca, nunca mais serei o mesmo

Fico louco, louco...”

Rapidamente ela tirou minha calça, puxando-a até o fim e a jogando de lado. Ouvi a fivela do cinto se chocar contra o chão e senti as mãos da garota nada doce tocarem as minhas coxas. Já tinha desistido de lutar e tentar me soltar. Já tinha desistido de tentar ver. Me contentava em ficar de olhos fechados, imaginando Crystal sobre mim, beijando o entorno agora da minha cueca box, uma das mãos tocando a minha ereção, apertando firme e me fazendo soltar suspiros. Eu era um mero refém dos desejos daquela garota safada e incrivelmente sedutora. Um refém apaixonado, sim, apaixonado por aquela jovem que era um mar de mistérios. E tudo aquilo que eu não sabia sobre ela desaparecia no momento em que meu peito queimava e a minha respiração parava subitamente, naquele momento eu sabia que havia a garota que agora beijava a minha barriga.
“...Estou perdendo a cabeça, garota
Porque estou ficando louco

Preciso do seu amor, meu bem.
Preciso do seu amor...”

De forma delicada Crystal começou a puxar minha cueca e a retirou, deixando meu pênis completamente duro e pulsando, livre. Estava louco para que ela o tocasse e de alguma forma ela pareceu ter lido os meus pensamentos. Sua boca começou a tocar toda a extensão do meu membro, seguindo para a base e então chupando meus testículos. Me contorci, gemendo de prazer, totalmente entregue enquanto a música chegava ao seu fim.
Enquanto a música chegava ao seu fim, senti Crystal parando de chupar meus testículos e subindo, lambendo então da base ao topo do meu falo, depois indo pela barriga, deslizando a língua por dentro do meu umbigo e logo depois subindo mais. Chegou até o meu mamilo esquerdo e o mordeu, arrancando um leve grito de dor. Suas mãos então tocaram a venda e ela a abaixou, liberando a minha visão. A luz ofuscou minha visão momentaneamente enquanto eu via um vulto sentado sobre mim. Aos poucos pude distinguir os traços do rosto da garota da ficção. Estava em um quarto branco, também decorado com móveis negros. Não consegui me concentrar no quarto, pois Crystal chamou minha atenção sussurrando a minha frente;
—Agora que já me aqueci, vou começar a tortura. —sorriu de forma maliciosa.
Uma nova música começava. Aquele inicio que era fácil de se reconhecer. Uma música pesada para aquele momento, mas bastante excitante. Pelo sorriso da garota da ficção, o ritmo mais acelerado daquela faixa seria seguido por ela em seu próximo passo da tortura. O som começou a se espalhar pelo quarto, começa agora “Smells Like Teen Spirit”, da banda Nirvana.
Se colocando de pé a minha frente, Crystal tocou a fita que entrelaçava seu corpo e prendia o hobby, lentamente ela desatou o nó e abriu de forma sensual o roupão, mostrando seu corpo nu. Seu olhar fixo em mim parecia me perfurar enquanto suas mãos retiravam lentavam o tecido, depois jogando-o no chão. Mordendo os lábios ela deslizou as próprias mãos pelo seu corpo esguio, contornando sua cintura e acariciando sua barriga. Instantes depois subindo até os seios e apertando-os. Tocando o pescoço e os cabelos. A expressão de desejo cada vez mais intensa, estampada em seu rosto.
—Quer tocar o meu corpo, Dan. —balbuciou, sua voz saindo quase como um gemido.
Eu já estava ofegante apenas de observá-la ali Ter recuperado a minha visão me deixou inquieto novamente, agora sofria por ver e não poder tocar. Estava sendo consumido pelo desejo, estava enlouquecendo. Enlouquecendo!
Crystal ajoelhou de forma sensual, ficando aos meus pés, a cama grande era maior que uma cama simples de casal, os lençóis brancos.
—Te ver excitado assim me deixa louca, gatinho. —murmurou Crystal apertando os próprios seios e gemendo alto. —Eu quero me tocar, eu preciso me tocar.
—Me solte, por favor. —supliquei. —Me deixe te chupar.
—Quer me chupar? —ela suspirou descendo a mão pela barriga e chegando entre as pernas. Seus dedos tocando sua vagina lentamente. — Que delicia, Daniel.
Eu não acreditava no que via. Crystal estava começando a se masturbar a minha frente. Ela penetrava o dedo médio lentamente enquanto gemia, a outra mão apertando o seio. Eu não conseguia tirar meus olhos dela. Meu pênis latejava, eu estava suando. A música ressoando pelo quarto, cada vez mais intensa, assim como os movimentos da garota a minha frente. Ela começou a movimentar os quadris. Seu toque ficou mais acelerado. Seus olhos fechados, mordendo os lábios.
—Ahhh! —gemeu aumentando a velocidade. —Isso é muito bom, muito bom.
            Já não conseguia dizer mais nada. Minha boca salivava, sedento, louco para tocá-la. Crystal jogou sua cabeça para trás, aumentando ainda mais o ritmo e arqueando o corpo. O liquido começava a escorrer pelas suas pernas. Os gemidos mais constante, suas respiração difícil.
            —Ahhh, Daniel! —Gritou Crystal em meio a um orgasmo, gozando e deixando escorrer aquele melado por entre suas pernas.
            Abrindo os olhos ela me encarou e veio engatinhando sobre mim, sua mão molhada tocando o meu corpo. Ela deslizou o dedo pelos meus lábios, deixando com que eu sentisse brevemente o seu gosto.
            —Viu como existem várias formas de te torturar? —sorriu maliciosamente me beijando. Nossas línguas se tocavam freneticamente. Eu estava a ponto de surtar, tão grande era a minha excitação. — Quero gozar mais.  —sussurrou com a sua mão tocando agora o meu pênis e fazendo movimentos de vai e vem. Eu poderia gozar a qualquer momento, tão excitado eu estava.
            Sorrindo ela parou de me tocar e beijou meus lábios, depois indo em direção ao criado mudo que estava do meu lado direito. Sobre o criado havia um pequeno abajur e uma pequena miniatura de uma fada, feita de louça, ela parecia saltar, com suas asas se preparando para levantar voo. Crystal abriu brevemente a primeira gaveta e dela retirou um pacote com uma camisinha. Rasgou o pacote e delicadamente colocou a camisinha sobre o meu membro. Passando uma das pernas sobre as minhas ela se preparou para sentar, segurando meu pênis com uma das mãos. Suavemente ela se sentou, fazendo com que eu a penetrasse. Senti seu órgão úmido e quente pressionando o meu, ela gemeu e colocou as mãos sobre os meus ombros, começando a se movimentar. A música já havia acabado e eu nem ao menos conseguia me concentrar na que agora estava tocando. Meu corpo era tomado por arrepios e minha mente tinha sido dominada pela garota da ficção. Era incrível como estar preso me deixava ainda mais ofegante, como se o simples fato de não poder tocá-la fosse o suficiente para me tirar o ar.
            A cada movimento eu sentia uma onda de prazer ser irradiada pelo meu corpo. Crystal rebolava cada vez mais rápido, agora suas mãos segurando minha nuca enquanto ela me beijava intensamente, entre suspiros e gemidos, Ambos ofegantes, ela não parava de me beijar, aumentando mais ainda a velocidade. Ela então arqueou o corpo para trás, suas mãos apoiadas na cama. Seus movimentos ainda mais intensos. Olhos fechados, mordendo os lábios novamente. Nossa, como ela ficava tão sexy mordendo os lábios. Eu não aguentava mais. Senti o orgasmo e gozei, meu corpo tremendo levemente. Meus olhos se fecharam, senti minha cabeça girar, minha respiração mais difícil e meu coração acelerado. Ouvi então Crystal gemendo alto e a encarei, vi seus olhos revirarem e ela sorrir de forma satisfeita. Senti então um liquido quente escorrer pela minha virilha. Ambos havíamos chegado ao orgasmo.
Sorrindo ela se levantou, tirando meu pênis de dentro dela. Engatinhou até mim e beijou suavemente a minha boca. Em seguida retirou as amarras que me prendiam, libertando finalmente meus pulsos. Me sentia sem forças, como se toda a minha energia tivesse sido sugada por ela.
—Compensou perder a aula comigo? —sorriu me beijando.
—Muito. —retribui o beijo. — Você sempre me surpreende.
—Vamos tomar um banho agora? —sugeriu com aqueles grandes olhos castanhos me encarando.
—Vamos. —estava vidrado, apenas tentando recuperar o fôlego.
—Vou pegar uma toalha limpa para você, pode me esperar aqui se quiser. —Crystal se levantou e seguiu nua pelo corredor. Aquela bundinha alva, tão deliciosa se afastando.
Me levantei da cama, ainda com a camisa desabotoada e aberta. Olhei ao meu redor, finalmente podia me concentrar no ambiente a minha volta. Um grande quarto de paredes brancas e repletas de textura, assim como a da sala. Na parede oposta a porta ficava a grande cama, bem maior que uma cama de casal comum. Sua cabeceira feita de algo que parecia aço, cheia de detalhes circulares. Dos dois lados da cama haviam pequenos criados negros com três gavetas cada. Observei que o que se encontrava a minha esquerda possuía apenas um enfeite, uma miniatura da estatua da liberdade. Porém ele tinha espaço para mais um objeto. Meu transtorno obsessivo compulsivo por organização gritava dizendo que faltava algo ali. Meu olhos desceram então até a primeira gaveta que estava um pouco aberta. Aparentemente alguém tinha tentado fechá-la às pressas. Como não conseguia me controlar, tentei fechá-la. Contudo ao forçar vi que algo a impedia de ir até o fundo.
Abri a gaveta revelando o que bloqueava o avanço, um porta-retratos de madeira. A curiosidade falou mais alto e eu o apanhei, virando e olhando a foto que ali estava. Um aperto tomou conta do meu peito, aquela sensação de frio no estomago e um pouco de náuseas. Na foto estava Crystal, abraçada com um rapaz de ombros largos, cabelos loiros espetados e um sorriso brilhante. Sua pele era clara e seu sorriso fazia aparecer as ditas covinhas em suas bochechas. Olhos profundos e verdes. Crystal sorria bastante, com o rapaz de olhos verdes a abraçando por trás. Uma linda paisagem ao fundo. A foto não parecia ser muito antiga e tinha a impressão de já ter visto aquela paisagem em algum lugar. Grandes árvores, verde intenso e postes de luz imitando os postes do Japão feudal. Aquele era o Parque Central, sem dúvidas. Ouvi passos se aproximando e coloquei rapidamente o porta-retratos na gaveta, fechando-a em seguida. Depois comecei a caminhar rumo ao lado oposto do quarto. Nossas roupas espalhadas pelo tapete também de veludo, esse num tom de azul tão escuro que mais parecia preto. Ao lado da porta, de frente para caminha havia uma cômoda também de madeira negra, sobre ela vários enfeites, alguns livros e a bolsa que Crystal havia levado para a faculdade. Tudo bastante organizado. A minha esquerda havia uma porta de vidro escura que levava até a sacada. Logo ao lado da cômoda havia outra porta, essa menor e branca, que aparentemente levava ao banheiro.
—Vamos para o banho? —sorriu Crystal entrando no quarto, segurando duas toalhas brancas.
Somente esbocei um singelo sorriso e acenei com a cabeça positivamente. O Iphone branco da garota “nada doce” estava sobre a cômoda e reproduzia agora a música “Blue Jeans” da belíssima Lana Del Rey. Uma cantora que conseguia me seduzir apenas com suas músicas.
—Vamos tomar banho no banheiro do corredor, o meu está levemente bagunçado. —sorriu apontando para a porta branca ao lado da cômoda. Então se virou e seguiu para o corredor.
Ainda dei uma ultima olhada pelo quarto. Fixada na parede acima da cômoda estava outra TV, essa de cerca de 21 polegadas, preta e também tão fina quanto a outra. Me assustei ao olhar para a minha direita e ver meu reflexo refletido em um grande espelho que estava fixado na parede. Meus olhos percorreram o espelho e então percebi que ela na verdade era uma porta que levava ao closed. Ao lado dele, em uma pequena escrivaninha estava o notebook da garota da ficção, junto de alguns livros.
Sai do quarto e entrei no corredor. Pude contar cinco portas, todas de madeira escura. Viramos a esquerda e Crystal abriu a ultima delas revelando então o banheiro. Entramos, eu ainda pensativo, refletindo sobre a foto que acabara de ver. Seria certo questioná-la agora, ou esperar que ela dissesse algo? Aparentemente ela tinha escondido o porta-retratos as pressas, justamente para evitar que eu o visse. Desviei minha atenção momentaneamente, observando o banheiro. Todo coberto por azulejos negros com desenhos em dourado, era três vezes maior que o meu. Crystal colocou as toalhas em um suporte na parede e seguiu até o box.
—O que aconteceu, criança? —indagou ligando o chuveiro. —Tire essa blusa e venha.
—Estou apenas te admirando. —menti retirando a blusa.
Durante o banho, entre cariciais e beijos, a imagem que vira continuava surgindo em minha mente. Fui tomado por dúvidas, assombrado por todas as possiblidades. Queria questioná-la, queria perguntar. Mas não sabia como. De fato eu tinha mexido em suas coisas sem permissão, porém me sentia traído. E infelizmente eu era um tanto quanto ciumento.
Pouco mais de meia hora depois estávamos nos secando. Crystal havia se livrado daquela camisinha já usada. Ela permanecia sentada sobre a tampa do vaso, secando suas pernas. Eu estava de pé a sua frente, secando meu cabelo.
—Quer que eu seque as suas costas, criança? —brincou Crystal se colocando de pé e envolvendo o corpo com a toalha, prendendo-a na altura dos seios.
—Vai me deixar mal acostumado. —retruquei. Enrolei a toalha na minha cintura e me abaixei, pegando minha camisa que estava no chão.
Com o velho sorriso malicioso Crystal se aproximou e me beijou. Começamos a nos beijar intensamente. Ela me empurrando para fora do banheiro. Já estávamos no corredor quando Crystal segurou minha toalha e a puxou, me deixando nu novamente e sorrindo. Voltamos a nos beijar enquanto minha toalha jazia no chão. Só de beijá-la eu já sentia que perdia o controle do meu corpo. Minhas mãos subindo pelas suas costas, me preparando para arrancar a sua toalha.
—Uau, que bundinha sexy. —ouvi uma voz feminina vinda mais a frente no corredor.
Um arrepio gélido percorreu o meu corpo. Paramos de nos beijar. Me virei e encarei assustado a garota que ali estava. Pouco mais baixa que eu, pele parda, cabelos curtos chegando acima dos ombros, negros e cacheados. Magra, mas com quadris largos e seios pequenos. Olhos negros e lábios finos. Usava calças jeans e uma blusa cinza de botões com uma logomarca acima do seio, do lado esquerdo. Nela estava escrito “LF. Escritório de Defesa”. Não fazia a mínima ideia de onde era aquele lugar. A jovem também trazia consigo uma mochila preta que segurava apenas em uma das alças. Me encarando ela sorria de forma descarada e perversa.
Senti meu rosto queimar e provavelmente estava mais vermelho que um pimentão. Abaixei velozmente e apanhei a toalha, me cobrindo em seguida. Crystal se colocou a minha frente, sorrindo para a amiga.
—Chegou cedo, Vic. —murmurou. —O barzinho não estava legal?
—Estou muito cansada, trabalhei muito. E lá só tinha casal. —respondeu Victoria, sua voz não era nem fina e nem suave. Mas era calma e bastante melancólica. Ela desviou o olhar e depois voltou a nos encarar com aquele sorriso perverso. —Fazendo uma festinha, Crys?
—Digamos que sim. —Crystal então saiu da minha frente apontando para a jovem. – Dan, essa é a Victória, minha colega de apartamento que deveria ter ficado no bar. Vic, esse é o Daniel. Meu “amigo”.
— Amigo? Sei. —sorriu Victória de forma irônica. — Prazer, Dan. Embora eu ache que você já teve muito prazer hoje.
—Err... —balbuciei sem encontrar as palavras. Estava me encolhendo, queria me jogar para dentro do banheiro e trancar a porta. Um surto de timidez excessiva. Já sentiu vontade de ficar invisível? Era tudo o que eu queria naquele momento. Crystal me encarava, assim como Victória. Respirei fundo e tentei organizar meus pensamentos. — Olá, Victória, prazer.
—Relaxa, magrelo. —gargalhou Vic me olhando. — Isso daí que você tem eu não gosto não. E podem se divertir, só não comecem a gemer alto.
Victória abriu a porta logo ao seu lado, ao que tudo indicava era a de seu quarto.
—E espero que não tenha transado no banheiro. —piscou e entrou no quarto. —Até mais, magrelo.
A porta se fechou com um baque e Crystal começou a gargalhar me olhando. Eu realmente devia estar com uma expressão de terror nos olhos. Meu coração havia parado de bater. Meu rosto ardia de tão quente.
—Respire, criança. —disse Crystal colocando a mão no meu ombro. — Pelo visto você não é de ficar pelado para várias garotas. Não é?
—Digamos que eu não gosto de ficar pelado nem na frente da minha mãe. —respondi abaixando a cabeça e fitando o chão. — Sou tímido, afinal.
—Tadinho dele, fiquei com pena agora. —Crystal fez um biquinho e apertou minhas bochechas. — Depois dessa você perdeu o pique para transar, né?
—Sinceramente... —murmurei olhando nos olhos dela. Naquele instante me veio à imagem do porta-retratos em minhas mãos. Todas as dúvidas voltaram a ecoar em minha mente. — Sim.
—Que pena. Então entraremos de recesso, afinal eu irei viajar amanhã. —comentou Crystal com um sorriso sem graça. — Problemas de família. Mas nos veremos na segunda a noite, pode ser?
—Segunda... —balbuciei, meu olhar distante. Segunda era dia 27 de maio. Dia do meu aniversário. — Tudo bem.
—Algum problema? — Crystal me questionou, olhando no fundo dos meus olhos.
—É que eu faço aniversário nessa segunda. —dessa vez fui eu que sorri de forma sem graça.
—Interessante. —ela sorriu, vendo que eu estava desanimado por causa daquilo. — Então está combinado. Segunda iremos sair, pelo menos para comer uma pizza. Depois da aula, certo?
—Certo. —consenti. Talvez fosse bom sair naquele dia, fazia tanto tempo que eu não comemorava.
Crystal me deu um beijo e ficamos ali por alguns minutos nos beijando. Agora, não só a imagem da foto que vira estava presente em minha mente. Minha ficha finalmente tinha caído sobre a proximidade daquela data.
Me vesti e fui embora, minha mente tomada por flashes de um acidente de carro ocorrido anos atrás. Para ser mais exato, seis anos atrás. O som dos pneus derrapando, o barulho do impacto, vidro se estilhaçando, luzes, gritos, dor. Escuridão... lágrimas.

O final de semana passou rápido, logo no domingo já recebi várias ligações de velhos amigos me desejando feliz aniversário adiantado. Meus pais ficaram horas falando comigo, entre felicitações e reclamações por eu não ter ido visitá-los. Contudo a melhor noticia era que eu iria publicar um livro. Minha mãe não conteve o choro e disse que queria me abraçar forte. Sempre me emocionava com aquelas ligações.
Já na segunda fui surpreendido na hora no almoço pelos meus colegas de trabalho. Liderados por Iris, eles organizaram uma pequena festinha, com direito a bolo e refrigerante, cantando parabéns e me fazendo rir bastante. De todos ali, apenas Iris sabia do motivo pelo qual eu não gostava de comemorar meu aniversário.

Na faculdade tudo correu bem e me encontrei com Crystal na saída ao sul. Ela vestia um suéter grafite com um cinto e legging pretas, além de botas de cano longo, também pretas. Seus cabelos soltos e a franja de lado tampando um dos olhos. Trazia consigo a mesma bolsa de antes, colocada de forma transversal ao corpo. Eu seguia com minhas calças jeans surradas, uma blusa branca de mangas compridas, meus bons e velhos All Stars e uma jaqueta azul com capuz.
Depois de me cumprimentar com um beijo, Crystal segurou em um dos meus braços e me puxou, dizendo que iria me levar até a melhor pizzaria da cidade. Durante todo o caminho tentei pensar apenas em me divertir ali e afastar os fantasmas que me assombravam. Meu corpo, vez ou outra, era tomado por arrepios gélidos e aquela nítida sensação de estar sendo observado. Naquele dia, isso era normal.
Sentamos em uma mesa dentro da pizzaria, um lugar bonito, com uma decoração chamativa, repleta de cartazes com fotos de pizzas deliciosas. O dono era um italiano que falava alto e ajudava os garçons, sorrindo e atendendo os clientes. Vestia uniforme vermelho e tinha um grande bigode. Tive que me segurar parar não chamá-lo de Mario. Sentamos ao fundo e ficamos ali conversando enquanto esperamos pela pizza que seria metade de frango e metade de calabresa, já que ficamos na dúvida de qual pedir.
Rimos, contamos histórias sobre a infância. Crystal em momento algum falou de seu pai ou da misteriosa viagem que fizera. E eu tentei disfarçar a tristeza que pesava sobre mim naquele dia. Como não queria estragar o momento, evitei comentar sobre a foto, deixando para dizer depois, em uma melhor ocasião.
A noite foi tão tranquila, tão alegre. Me sentia bem, como há tempos não sentia. A cada novo assunto os fantasmas que me entristeciam iam se afastando e Crystal com seu sorriso animado foi me trazendo paz. Estava feliz por estar com ela, estava me sentindo querido.
Era diferente me encontrar com a garota da ficção e não ir para a cama, em uma transa intensa e surpreendente. Mas francamente, eu não precisava de sexo naquela noite. A simples presença dela ali já me fazia um bem que não conseguia descrever. Sua alegria, seu sorriso. A face misteriosa e enigmática, aquele egocentrismo e sua ironia tinham sumido. Havia me deparado com uma outra Crystal, mais doce, alegre, sorridente. Cada vez mais encantadora. Capaz de iluminar aquele dia sombrio, capaz de me trazer paz.
Meu Deus! Eu estava sorrindo, sorrindo descaradamente. Eu não era daquele jeito, eu tinha vergonha de sorrir. Sempre fui tímido e escondia meu sorriso. Agora não, eu gargalhava sem me preocupar, eu gargalhava por prazer. Ria enquanto aqueles grandes olhos castanhos me observavam. Tão intensos, tão hipnóticos.
A pizzaria estava para fechar quando saímos, ainda rindo, brincando pelas ruas desertas da cidade. O frio mais intenso. Tirei minha jaqueta e fiz questão de entrega-la a Crystal. Ela negou no inicio, mas a forcei a aceitar. Depois fiquei rindo de vê-la vestindo aquilo. A blusa era grande demais para seu corpo, mesmo que fossemos quase da mesma altura e ambos magros, mas para ela a jaqueta ficava enorme. Achei meigo ver ela daquele jeito.
—Obrigado, Crystal. —murmurei, parando brevemente enquanto estávamos próximos de um beco. — Obrigado por essa noite perfeita.
—O que é isso, criança? —indagou sorrindo e me olhando— São lágrimas se formando nesses olhos castanhos e profundos?
—Eu não costumo comemorar meu aniversário... —balbuciei contendo um sorriso, por ela ter usado a mesma descrição que eu, a respeito dos olhos. — Faz um tempo já, seis anos atrás...
—Ei. —disse ela colocando o dedo indicador sobre os meus lábios e me impedindo de contar. — Hoje não é um dia para histórias tristes.

Se aproximando lentamente ela se preparou para me beijar. Foi então que um vulto irrompeu da escuridão e me empurrou, me afastando dela. Dei alguns passos para trás encarando um homem que se colocava entre mim e a garota da ficção. De inicio achei que ele era um assaltante, mas ao olhar para suas roupas percebi que estava enganado. Ele usava tênis de marca que só o preço de um par era superior ao preço do meu aluguel. Calças também de marca, além de um moletom preto. Seus cabelos loiros estavam espetados e seu rosto estava pálido. Seus olhos esbugalhados e os dentes cerrados. O mesmo homem da foto, com seus ombros largos e quase um metro e oitenta de altura estava parado a minha frente. Entretanto, o sorriso tinha sumido e deixado no lugar uma expressão de insanidade e descontrole. Quem afinal era aquele cara? 

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