Por Guilherme
César
Sweet Nothing
O
que para você realmente significa amar? Até então eu havia amado de forma
intensa, daquelas descritas nos filmes, apenas uma vez. Isabelle era até então
o meu único grande amor, os demais, ao longo da minha vida, se resumiam em
paixões de verão e amores platônicos. Nada mais que isso.
Nunca descobri qual
havia sido o momento exato em que me apaixonei pela Isa, Não sei se foi no
momento em que a conheci, ou na primeira vez que nos beijamos. Na primeira
noite de amor, ou talvez na primeira briga. Não sei, não consigo determinar.
Agora, me perguntava se estava mesmo
me apaixonando por aquela garota que conhecia tão pouco. Algumas brigas, trocas
de olhares, algumas transas, sorrisos, provocações. Será mesmo que já era o
suficiente para amar? E se não fosse amor, que diabos era aquela sensação que
corroía meu peito? Aquela vontade louca de gritar seu nome e dizer que a queria
perto de mim o tempo todo? Era cedo demais para me apaixonar. Cedo demais...
—Sério? Ela te bateu? —assustou-se
Iris enquanto almoçávamos juntos, em um restaurante perto da livraria. Sempre
fazíamos o horário de almoço juntos. —Dan, essa menina é louca!
Uma vez por semana íamos até aquele
restaurante. Um lugar rústico, com o piso feito de cerâmica e as paredes
repletas de quadros, as mesas eram todas de madeira. Ao fundo se encontrava a
grande bancada onde as panelas ficavam, para quem iria comer no self servise. A decoração toda feita em
verde e branco. O restaurante tinha variados tipos de comida e um tempero
delicioso. Como não tínhamos dinheiro para comer ali, deixávamos para ir uma
vez por semana. Nessa semana escolhemos logo a segunda-feira.
—Sim, ela se dizia sádica. —murmurei
fazendo uma pausa para mastigar meu bife a parmegiana, meu prato favorito. — No
fim consegui dominá-la.
—Estou surpreso de você ter sido tão
pervertido. —comentou Isis, que degustava um prato com arroz e salada. — Tudo
bem que sempre soube que você só tinha cara de santinho, mas que no fundo era
um safado. Agora bater nela com um chicote? Isso me surpreendeu.
—Você poderia falar mais baixo.
—sussurrei repreendendo minha amiga. Estávamos rodeados por mesas, bem no
centro do restaurante. Na mesa ao lado quatro garotas com uniformes de uma
escola da região, provavelmente do Ensino Médio, comiam e davam risadinhas
olhando para mim. — Não quero que a cidade inteira saiba da minha noite.
—Não quer ficar famoso, Daniel Grey?
—ironizou Iris fazendo referência a um livro que não me interessava nem um
pouco, mas que fazia muito sucesso entre as mulheres.
—Agradeço, mas não. —já estava
ficando sem graça com os risinhos das garotas na mesa ao lado. — Eu não curto
esse lance de sadomasoquismo.
—Sabe o que me intriga? —balbuciou
Isis depois de mastigar uma folha de alface. —Ela querer ser sua amiga
colorida, quando podia muito bem te pedir em namoro. Esse lance de amizade
colorida é muito estranho.
—Eu também não boto muita fé nisso.
—comentei desanimado. — Mas é o mínimo que vai rolar. Não aceitaria um
relacionamento aberto. Por mais que dê na mesma coisa.
—Tem algo de muito estranho nisso,
Dan. —disse Isis com um olhar sério. — Minha intuição feminina diz para você
ter cuidado.
—Engraçado, foi você que me jogou
para cima dela. —relembrei sorrindo. — Lembra?
—Sim, na época que ela era
misteriosa de uma forma legal.
—E existe uma forma misteriosa não
legal?
—Existe, podemos nomear essa
categoria como “Crystal”. —sorriu Isis voltando a comer.
Terminamos de comer e voltamos para
o trabalho. Isis passou o dia todo séria, reflexiva, como se tentasse entender
o que se passava na cabeça da Crystal. Para mim aquilo era ciúmes, a pequena
Isis era cheia de ciúmes. Afinal, quem entende a cabeça das mulheres? No inicio
me apoiava e agora estava contra? Mulheres, seres perfeitamente imperfeitos,
mas que conseguem cativar nossos olhos e corações, despertando em nossa alma a
vontade de domá-las, desvenda-las. Eu era encantado por elas e não hesitava
quando havia chance de adorá-las. Um eterno apaixonado pelo sexo oposto.
E em falar de mulheres,
misteriosamente Yara havia parado de implicar comigo. Na verdade ela havia parado
de bancar a chata funcionária do mês. Uma mudança assustadora. Passava os dias
sorrindo, alegre e cheia de gentilezas. Isis brincava dizendo que Yara tinha
arrumado um namorado. Se isso fosse verdade eu teria que juntar dinheiro para
construir uma estátua para aquele herói de guerra. Conseguir encarar a Yara e
ainda fazer com que ela ficasse de bom humor, isso sim era um ato fantástico.
Durante uma pausa no trabalho, com a
livraria vazia naquela tarde de segunda, decidi entrar no meu e-mail e enviar
os poemas que agora mantinha salvos em nuvem. Acessei a minha conta e lá
estavam, quase quarenta poemas, além de cinco
crônicas, prontos e formatados, apenas esperando para serem baixados e anexados
no e-mail. Destes, dez eram inéditos, escritos na noite em que fiquei pensando
em Crystal. Nunca tinha escrito tantos poemas em uma noite só. Confesso que não
ficaram tão bons, alguns extremamente confusos, outros mais pareciam rabiscos.
Porém, quando eu escrevi, eu tinha três pequenas regras, não siga a métrica,
não pare no meio do texto, não mude depois que terminar. Porque eu fazia isso?
Na primeira regra, por pura teimosia. Odiava ter que seguir o padrão proposto e
admirado pelos estudiosos da literatura, não seguia regras, não seguida
padrões, não seguia métrica. Apenas escrevia. Sempre acreditei que para se
escrever era necessário ser livre. Para criar é preciso ser livre, ou pelo
menos ter a liberdade. São as minhas ideias, a minha alma, os meus sentimentos
que estão no papel, logo, não podem ser aprisionados. Não parava de escrever
enquanto não terminava o texto, pois sabia que se o fizesse, o sentimento
desapareceria no limbo. Existem momentos que sentimos algo de forma intensa e
esse algo pode sumir para sempre se você não aproveitar. Não parava de escrever
justamente por isso, pois se o fizesse o texto perderia o sentido. Por fim,
nunca fazia alterações gigantescas, no máximo mudava uma ou duas palavras e
corrigia erros ortográficos. Quando escrevo, deposito minha alma, uma pequena
fração dela, naquele pedaço de papel. Sendo assim, modificar seria como
profanar aquele fragmento, algo que eu também não aceitava. Das duas uma, ou eu
era um louco, ou um gênio. Sempre achei que eu fosse um louco.
Anexei todos os arquivos e os enviei
para Suzane, como combinado. Junto dos seguintes dizeres:
“Boa tarde, Suzane,
Decidi já lhe encaminhar todos os
poemas que tenho a minha disposição, aqueles que lhe mostrei e mais alguns
antigos e outros novos, devidamente assinalados em cada arquivo. Seguem também
crônicas. Creio que de inicio esse material sirva para a revista neste mês.
Deixo a sua escolha, definir qual poema será usado. Caso seja necessário, entre
em contato comigo e irei escrever mais.
Desde já agradeço.
Daniel C. Araújo”
Pronto, e-mail enviado, obrigações
com a Poetizar cumpridas, agora era esperar pela resposta. O restante da tarde
seguiu tão rápido que nem parecia ser a cansativa segunda-feira.
Fui para casa, comi e fui tomar
banho antes de ir para a faculdade. Enquanto a água caia sobre meu corpo,
relembrei do banho que tomara com Crystal. De olhos fechados eu podia enxergar
perfeitamente sua imagem, sensual e misteriosa a minha frente, me tocando
devagar, beijando minha boca. Quase era possível sentir seu perfume exalando
ali. O calor do seu corpo ao pressionar o meu, sua pele macia, seu olhar
penetrante. Como eu poderia ter me encantado tão fácil? Meu peito queimava só
de lembrar de seu rosto, seu sorriso malicioso, seus gemidos. Por mais que
fosse um golpe duro contra o meu orgulho, eu tinha que assumir, estava
completamente enfeitiçado pela garota da ficção.
Fiquei tanto tempo imerso em
delírios que acabei me atrasando. Vesti minha roupa as pressas, apanhei uma
velha camisa vermelha de algodão e mangas compridas, minhas calças jeans e meus
sapatos All Star, passei meu perfume
e apanhei minhas coisas. Meus cabelos levemente despenteados e molhados. Corri
e sai às pressas. Andei o mais rápido que pude e cheguei com a aula em seu
inicio e o professor de Roteiro para Cinema –uma das matérias que mais me
interessava- já começava a sua explicação. Fui até o fundo da sala, a já
costumeira carteira, ultima da fila do canto, o mais isolado possível, e
retirei meu caderno. Nem bem havia começado a anotar os comentários do
professor e sinto algo vibrando no bolso dianteiro da calça. Havia recebido uma
mensagem. Ao ler o remetente um sorriso singelo e discreto surgiu em meu rosto.
Era da Crystal.
“Me
encontre no nosso cantinho, na biblioteca. Te espero na hora do intervalo, não
se atrase, criança. Kisses, Crys.”
Creio
eu que ela devia ter algum tipo de fetiche com bibliotecas. Mas, quem sou eu
para negar um pedido desses? Voltei a me concentrar na aula, ansioso para que o
intervalo chegasse. Teria de esperar cerca de uma hora e quarenta minutos. Acho
que a ansiedade vai me matar até lá.
O professor mal tinha encerrado a
aula e eu já sai da sala rumo a biblioteca. O intervalo durava meia hora, tempo
suficiente para seja lá qual fosse a intensão da Crystal. Porém, para mim,
aquilo era pouco tempo para passar com ela. Eu sempre queria mais e mais.
Caminhei rápido e logo quando entrei na biblioteca dei de cara com Jonas, que
conversava com a bibliotecária mais velha, a mesma que havia nos surpreendido
dias antes. Se Jonas me visse ele iria parar para conversar e era certo que
isso levaria o intervalo todo. Tentei passar o mais rápido por ele quando
estava a pouco mais de um metro o notei se preparando para virar, o que o faria
ficar de frente para mim. Ao mesmo tempo um grupo de garotas vinha na minha
direção. Uma delas, mais alta que eu, com longos cabelos loiros e cacheados e
levemente acima do peso, sorria e conversava com suas duas outras amigas, ambas
morenas e carregando livros. Ela tinha sardas por todo o rosto e feições
alegres.
Merda, eu não tinha outra escolha. Dei
uma longa passada e abracei a garota, surpreendendo-a. Girei seu corpo
levemente, usando-a como escudo e evitando que Jonas me visse. O professor se
virou e seguiu rumo a entrada da biblioteca. A garota loira, que era no mínimo
cinco centímetros mais alta que eu, ficou estática enquanto as amigas riam. Eu
a soltei e dei um passo para trás.
—Calma, gato. —sorriu a garota me
encarando. – Se queria um abraço era só me pedir.
—Eu... eu... —gaguejei desviando o olhar, sentia meu rosto
queimar de vergonha. As amigas dela riam descaradamente e eu não sabia o que
dizer. Foi então que meus olhos avistaram um livro nas mãos dela. Um exemplar
do famoso “A culpa é das estrelas”, um livro que eu nunca tinha lido, um
romance, mas que também fazia muito sucesso entre as jovens ultimamente. —
Desculpe. É que eu fiz uma acordo com uma amiga de abraçar toda pessoa que eu
visse carregando esse livro. —apontei para o livro, falando depressa e evitando
olhar nos olhos da garota. — Minha amiga disse que esse livro arranca muitas
lágrimas no final e que quem lê sempre precisa de um abraço. Então é isso.
—Okay. –balbuciou a garota loira
sorrindo.
—Ah... okay. –repeti, completamente
envergonhado e abaixando a cabeça. — Boa leitura.
Sai em disparada e enquanto caminhava
ouvi a voz de uma das garotas do trio me chamando.
—Ei, moço, eu também quero um abraço.
— olhei brevemente para trás e ela segurava o livro e acenava na minha direção,
sendo em seguida repreendida pela bibliotecária.
Fingi não
ter visto e entrei apressado no corredor lateral das estantes. Meu Deus! Aquele
tinha sido a desculpa mais esfarrapada que eu já tinha bolado. Meu rosto
queimava de vergonha e eu acabei não contendo o sorriso. Crystal iria ter que
me compensar por toda aquela vergonha que tinha passado. Por sorte consegui
evitar o encontro com Jonas e não tinha perdido muito tempo do intervalo.
Virei a esquerda, entrando na ultima
fileira de estampas e lá estava Crystal, parada, encostada na parede e me
olhando. Ela sorriu ao me ver, aquele sorriso suave e encantador. Vestia calças
jeans escuras e uma blusa de lã azul marinho, com mangas longas e decote em V
com rendas, repleta de detalhes bordados em forma de losango. Além de sandálias
de salto pretas. Seus cabelos lisos estavam presos em um rabo de cavalo.
—Seu rosto está vermelho, aconteceu
algo? —indagou enquanto em me aproximava e lhe dava um beijo no rosto.
—Não. Está? –me fiz de desentendido.
—Perdi um pouco o fôlego correndo até aqui. Deve ser por isso.
E lá se foi mais uma desculpa
esfarrapada para a minha lista diária. Deveria ganhar um prêmio por isso.
—Bom, não importa. –murmurou Crystal
me empurrando contra a estante. — Vamos começar.
Ela então me abraçou, entrelaçando
seus braços no meu pescoço e me beijando a boca até me fazer perder o ar. Seus
lábios tinham gosto de morango, provavelmente por causa do batom que usava.
Automaticamente minhas mãos apertaram sua cintura, segurando com firmeza e
colando seu corpo ao meu. Depois do beijo ela sorriu, tentando recuperar o
fôlego.
—Uau. —sorri ofegante. —Então era
isso que você queria?
—E você imaginava algo diferente. —
sussurrou com aquele sorriso malicioso, olhando diretamente nos meus olhos. —
Temos que tirar proveito dessa nossa amizade colorida, não?
—E por acaso eu estou reclamando?
—indaguei apertando mais o corpo dela juntou ao meu e a beijando novamente.
Meu coração estava disparado, o
simples toque dela parecia fazer cada célula do meu corpo entrar em combustão
espontânea. Aquilo era perfeito, era embriagante. Seu beijo, seus lábios
macios. Sua pele quente tocando a minha. Me sentia tão vivo ao lado dela.
Sentia todo meu corpo se arrepiar. Eu clamava por mais e mais. Me virei e a
coloquei contra a estante, fazendo-a balançar com o impacto, assim como na
primeira vez que nos beijamos ali. Deslizei minhas mãos pelo seu corpo, da
cintura passando por dentro da blusa e tocando sua barriga. A outra mão já em
sua nuca, segurando firme e a trazendo para perto. Beijei seu pescoço, chupei e
mordi.
—Isso, Dan. —gemeu Crystal
deslizando os mãos por dentro da minha blusa e arranhando minhas costas.
Suspirei com seus arranhões. — Continue, por favor.
A mão que tocava sua barriga já
estava em seu seio, tocando por cima do sutiã. Apertei com força, louco para
arrancar aquele sutiã, assim como toda a sua roupa. Crystal suspirava a cada toque
e minha arranhava mais. Uma de suas mãos já na minha nuca, segurando forte meu
cabelo. Continuei mordendo e chupando seu pescoço. Crystal começou a beijar e a
lamber minha orelha. Meu corpo todo foi tomado por arrepios. Sentia meu pênis
pulsar, ereto e consumido pelo prazer. Não pensava mais em nada, apenas em ser
consumido por todas aquelas sensações. Queria apenas me entregar ao prazer
proporcionado por aquela garota. Desci minhas mãos e levantei sua blusa,
deixando a mostra seu sutiã de renda também azul. O abaixei revelando aqueles delicados e atrativos seios, seus
mamilos duros e convidativos. Sem hesitar mergulhei meu rosto entre eles e
comecei a beijá-los. Beijando o espaço entre os dois, alternando entre chupões.
Crystal agora tinha suas duas mãos sobre minha cabeça, me segurando com força
enquanto gemia. Aqueles gemidos pareiam um mantra que ao invadir meus ouvidos
faziam com que eu perdesse todo o meu controle. Abocanhei então um de seus
mamilos, chupando freneticamente enquanto a garota da ficção contorcia, seu
rosto rubro de deleite. Suguei com bastante vontade, alternando com leves
lambidas, tocando a ponta da minha língua áspera e quente em seu mamilo rígido.
Prossegui em um ritmo frenético,
chupando, mordendo, lambendo os seios da garota em meus braços. Enquanto esta
se contorcia, tremia e gemia de prazer. Decidi ir mais longe e desci uma das
mãos até o zíper de sua calça, abrindo-o e movimentando os dedos por cima de
sua calcinha. Senti o tecido molhado, toquei bem no centro, usando as pontas
dos dedos para subir e descer. Crystal me apertava mais forte a cada toque dos
meus dedos sobre sua calcinha. Levantei um pouco o rosto, olhando-a. Ela
permanecia de olhos fechados, mordendo os lábios com força e tentando conter a
vontade de gritar de prazer. Seu rosto vermelho e sua respiração ofegante.
Aumentei a velocidade dos toques, deslizando os dedos pelo tecido molhado
enquanto chupava agora o outro mamilo. Sentia a calcinha se encharcar cada vez
mais. Crystal não demoraria a ter um orgasmo.
—Ah... Daniel. —gemeu Crystal
totalmente sem fôlego. —Eu vou gozar.
No instante seguinte ela se contorceu
tampando a boca com uma das mãos, numa tentativa de abafar seu gemido. Eu a
tocava freneticamente. E senti seu corpo estremecer enquanto sua calcinha ficava
ainda mais molhada agora com seu gozo. Crystal respirou fundo, suas pernas
bambas. Usando a pouca força que tinha depois daquele orgasmo ela me empurrou
para o lado oposto, me fazendo encostar contra a parede. Com um olhar sedento
avançou contra mim, beijando minha boca com ferocidade. Sua mão desceu até o
zíper da minha calça e dessa vez foi ela que abriu e começou a me tocar. Sua
mão indo diretamente para dentro da minha cueca. Ela agarrou meu falo com força
e começou a movimentar sua mão, indo de cima para baixo, num ritmo constante.
Senti meu coração acelerar ainda mais. Seu toque fez meu corpo tremer. Ela
repetia aquilo que tinha feito na primeira vez que nos encontramos ali na
biblioteca. Só que dessa vez nada iria nos impedir.
Ouvia agora vozes do outro lado da
estante, alunos comentando sobre algum livro. Não conseguia me concentrar em
suas vozes. A excitação era ampliada com aquela sensação de perigo. Sempre quis
fazer algo do tipo em um lugar público. Correr o risco de ser pego em
flagrante, aquele era um dos meus fetiches. Agora Crystal beijava meu queixo,
mordendo de leve por cima da barba enquanto aumentava ainda mais o ritmo. Sua
mão se movimentando cada vez mais rápido, senti meu pênis latejar e me contorci
também tentando abafar o gemido. Ao ver que eu iria gozar, a garota da ficção
parou os movimentos, fechando o zíper da calça e me deixando ali, gozando
dentro da minha cueca. Ela sorriu e me encarou, mordendo de leve os lábios.
—Foi bom para você, criança.
—sussurrou com uma cara sapeca.
—Incrível. —balbuciei sem ar.
—Esteja aqui amanhã, nesse mesmo
horário. Não se atrase. —Crystal fechou o zíper de sua calça e olhou no
relógio, o intervalo estava prestes a acabar. Ela se aproximou e me beijou
intensamente. — Amanhã brincamos mais, amiguinho.
Sorrindo maliciosamente ela acenou e
se virou. Andando até o corredor. Rebolando de forma sensual Crystal foi embora
me deixando ali ainda sem ar. Sem dúvidas aquilo havia sido incrível. Demorei
ainda alguns minutos ali, tentando voltar para o Planeta Terra. Logo depois
segui para o banheiro mais próximo, tentando me limpar o melhor possível. Perdi
alguns segundos de aula e quando retornei demorei até me situar. Estava em
transe ainda, só conseguia pensar em Crystal.
Aqueles momentos quentes se repetiram
nos dois dias que se passaram. A cada encontro o calor aumentava, estava cada
vez mais envolvido, cada vez mais enfeitiçado. Já não conseguia me concentrar
nas aulas, ia a faculdade apenas pensando em encontrar com a garota da
ficção...
Na manhã de quinta, enquanto
trabalhava, meu celular tocou. Era Suzane. Incialmente ela me pediu desculpas
pela demora em responder, mas segundo ela estava com alguns imprevistos na
revista. Por mais que aquilo parecesse ser algo ruim, sua voz permanecia com um
tom alegre. A professora e dona da Poetizar estava empolgada e me pediu que fosse
em uma reunião extremamente importante no dia seguinte. Eu disse que não
poderia faltar no trabalho, já que naquela sexta haveria o lançamento de um
livro de terror de um escritor da cidade, e o evento aconteceria na livraria.
Ficaria o dia todo preso lá e não conseguiria ser dispensado. Suzane ainda
muito empolgada me perguntou se eu me importava então de perder as primeiras
aulas de sexta na faculdade. Ela explicou que não dava aulas na sexta e que
poderia me esperar lá logo após as seis da tarde. Realmente eu não em
importaria em perder essas aulas, contando que eu conseguisse chegar antes do
intervalo. Claro que não comentei isso com ela. Confirmei a reunião e nos
despedimos. A curiosidade sobre o que ela queria falar de tão importante comigo
já me deixou inquieto durante toda a tarde. Será que havia dado algum problema
com os meus poemas? Torcia para que não...
Naquela noite ainda me encontrei com
Crystal. Estar com ela me fez esquecer um pouco as dúvidas a respeito da
reunião no dia seguinte. Estava cada vez mais viciado em me encontrar com a
garota da ficção. Os intervalos de prazer ao seu lado me faziam ter ótimos
sonhos durante a noite. Sonhos eróticos, é claro.
O dia seguinte passou depressa. O
lançamento do livro foi um sucesso e terminou duas horas antes do previsto.
Carla sempre estipulava um prazo extra, para termos uma margem de segurança naquele
tipo de evento. Com a saída dos visitantes, fechamos a livraria e encerramos o
expediente uma hora mais cedo. Tudo pelo ótimo dia de serviço. Pude então ir
para casa e me arrumar para a reunião. Desta vez mudei apenas a blusa, usando
agora uma blusa social de tom grafite, -não tão diferente da que vesti na
primeira entrevista-, engraxei meus sapatos sociais negros e vesti minhas
calças jeans escuras. Não quis levar meus cadernos, até porque não tinha
necessidade de copiar nada nas aulas de sexta, que eram sempre praticas.
Caminhei até o prédio onde se
encontrava a poetizar. Poucos funcionários ainda trabalhavam ali, já que era o
fim do expediente. Me aproximei da mesa onde se sentava a secretária pessoal de
Suzane. Uma garota baixinha, de delicados óculos com armações azuis, pele clara
e os cabelos negros presos em um coque. Seu rosto com feições orientais. Ela
vestia uma blusa social branca e em seu pescoço um cordão azul com seu crachá.
Clara Lee, era o seu nome.
—Em que posso ajuda-lo? —sorriu com
sua voz fina e gentil.
—Eu sou o Daniel, vim para a reunião
com a Susane. —respondi educadamente.
—Ah, sim. Daniel. —jurava que ela
diria Daniel-san. Contive o sorriso. — O poeta. Pode vir comigo. Ela está
atendendo uma ligação importante, mas pode esperar ela na sala de reuniões.
Clara se levantou e pude ver que ela
usava uma saia que ia até os seus joelhos. Caminhando apressada com os sapatos
de salto, a secretária me conduziu até a sala de reuniões. Entrei e me sentei
em uma das cadeiras da grande mesa oval que possuía mais de dez lugares. A sala
era toda branca, no lado oposto a porta encontrava-se um painel retrátil onde a
imagem do retroprojetor no teto era posicionada. As janelas da sala eram
bloqueadas por persianas que estavam parcialmente abertas. Esperei por quase
vinte minutos até que Suzane entrou na sala. Seus olhos estavam vermelhos,
assim como o seu nariz. Ela aparentemente tinha chorado.
—Boa noite, Daniel. —disse me dando
dois beijos no rosto e seguindo para a cadeira de frente para onde eu estava.
Sua voz estava diferente, triste e um pouco embargada. — Estou péssima hoje,
não repare, estou com uma crise alérgica. —balbuciou apontando para o rosto. Eu
sabia muito bem que aquilo não era uma crise alérgica. — Vamos então ao assunto
da reunião?
Suzane tentava sorrir, mas era nítido
que ela não estava bem. Por traz de seus óculos eu podia ver os seus olhos um
pouco vermelho, fazendo o tom verde de sua íris se destacar ainda mais. A
professora começou então a me explicar sobre ter lido todos os meus poemas e
mostrado eles para o editor chefe da revista, um homem chamado Edgar que
infelizmente não estava presente naquele dia. Ela então começou a dizer que eu
tinha um material muito bom e que depois de conversar muito ela e Edgar
decidiram me propor algo.
—Com a ajuda de alguns patrocinadores,
a revista Poetizar quer lhe ajudar a publicar um livro. —Suzane tentava sorrir,
mesmo com a tristeza nítida em seu olhar.
—Um livro, mas como assim? —indaguei
completamente surpreso.
—Edgar sugeriu que juntássemos todos
os seus poemas em um só livro. —explicou. Seus olhos verdes brilhando em
destaque. — Claro, você teria que escrever mais poemas, para atingir um nível
bom para um livro, mas creio que você consiga isso fácil.
A dona da Poetizar me explicou então
que eu deixaria de escrever poemas semanais para a revista, e me concentraria
nas crônicas, sendo que naquele mês a revista usaria os textos que eu já havia
lhes enviado. Comentou também que o editor ficou extremamente empolgado e que
depois de se reunir e apresentar a proposta a alguns patrocinadores o livro se
tornou viável.
—É um novo projeto no qual você só
precisará dividir um pouco os lucros com a revista, evidenciando ela como
apoiadora. —ressaltou Suzane. Eu estava quase pulando da cadeira de alegria. —
Normalmente a publicação de livros no nosso pais é pouco valorizada, muito
burocrática e sempre é necessário que os autores paguem uma certa quantia. A
Revista irá tomar o seu lugar nesses gastos e você só vai precisar escrever. Esse
projeto será ótimo para a imagem da Poetizar e ainda daremos destaque ao seu
trabalho, que sempre me emociona muito. Você aceita, Daniel?
—Claro! –exclamei empolgado. Estava a
ponto de surtar. Aquilo era fantástico. — Eu nunca pensei em escrever um livro,
mas essa proposta é irrecusável. Eu aceito sim.
Com um singelo sorriso, Suzane me
explicou como iria funcionar o projeto. Ficamos ali conversando por quase meia
hora. Eu nem vi o tempo passar. Estava feliz, muito feliz. Ao fim da reunião,
ainda intrigado com a tristeza de Suzane, parei
antes de sair pela porta, me virando para ela que estava logo atrás de mim.
—Desculpe a indelicadeza. —comecei.
—Eu não pude notar que a senhora esteve chorando. Ou melhor, estava sofrendo
com essa crise alérgica. —sorri gentilmente olhando em seus olhos. — Creio que
seja qual for o motivo dessa alergia, acho que a senhora não deve de modo algum
deixar que isso roube o seu sorriso. Por mais que o vermelho em seus olhos faça
o verde natural deles se destacar, creio que esse verde ficaria ainda mais
bonito acompanhando de um sorriso. —vi Suzane ficar levemente emocionada e me
assustei de ter sido tão poético naquele momento. — Ainda assim, tenho certeza
que essa alergia vai passar logo e a senhora voltará a sorrir.
—Eu não sei como agradecer. —balbuciou
Suzane tentando conter as lagrimas e me abraçando. — Você é muito gentil,
Daniel. Mas será demitido se me chamar de senhora novamente.
Eu apenas sorri e retribui o abraço,
me afastando depois.
—Você me fez muito feliz hoje e não
gosto de ver as pessoas tristes. —me preparei para sair. —Só quis retribuir.
Desta vez Suzane sorriu de forma
natural, emocionada com as minhas palavras. Nos despedimos e eu segui de alma
lavada, feliz por ter recebido aquela proposta e por ter de certa forma ajudado
minha “chefe”. Sempre odiei ver mulheres chorando, não gostava de ver ninguém
triste e fazia o possível para alegrar as pessoas que assim estivessem. Por
mais que eu me sentisse vazio, triste e melancólico as vezes, não poupava
esforços para arrancar um sorriso de alguém. Acho que eu estou um palhaço,
afinal.
Cheguei a faculdade no final do
horário, já prestes a começar o intervalo. Caminhei direto para a biblioteca
onde encontrei Crystal, que me esperava no nosso “esconderijo”.
—Nossa, ele está muito pegável hoje.
—sorriu me encarando e me abraçando. Nos beijamos e ela se afastou levemente.—
Porém não vamos brincar hoje.
—Não? —indaguei olhando em seus olhos.
—Meu professor está doente e não terei
os próximos horários. Vic vai com umas amigas em um barzinho e o apartamento
ficará vazio. —Crystal sorriu maliciosamente. — Que tal você matar a sua aula e
vir comigo para casa, gatinho?
—Um convite nada doce. —brinquei
sorrindo. — Mas bastante picante.
—Doce? Uooh, sweet nothing, baby. —murmurou como se cantasse uma música. —
Eu não sou nada doce.
—Eu percebi. —disse depois de beijá-la
novamente. — Vamos então, sweet nothing?
—Oohh
yeap, baby. —balbuciou me puxando.
Com certeza aquela noite ainda teria
um ótimo final. E cada vez mais a garota nada doce me deixava aos seus pés...

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