Por Guilherme César
Cores do outono
Uma imensidão vazia, um abismo
dentro dos próprios olhos. Era aquilo que eu via quando me olhava no espelho,
alguém que já não tinha mais expectativas, alguém que já havia perdido o brilho
no olhar. Ela também tinha a mesma imensidão dentro de seus olhos castanhos,
olhos castanhos como os meus, porém mais claros e brilhantes, quase hipnóticos,
como se ao olhar dentro deles qualquer individuo pudesse ser preso em uma
grande e doce ilusão.
Não consegui deixar de pensar
naquele pequeno momento em que pude conversar com a Crystal. Tudo bem que, logo
depois o mundo desabou sobre mim. Mas aquele momento, aquelas palavras, o
olhar, o sorriso, parecia ter ficado fixado no fundo da minha mente, como se eu
tivesse sido enfeitiçado.
Abaixei meu rosto próximo à torneira
e joguei mais um pouco de água, uma tentativa falha de apagar a imagem da
“garota da ficção” de dentro da minha mente. O reflexo no espelho compartilhava
daquela sensação, –um rosto cansado, uma barba negra por fazer, uma pele pálida
de quem raramente toma sol e os cabelos negros e lisos bagunçados e quase
tampando os olhos, caindo em ondas despontadas e emoldurando o rosto- aquela
vontade de quem anseia por mudanças. Quem dera tudo tivesse corrido bem, talvez
ela tivesse sido a minha chance de escapar dessa solidão.
Antes de sair do banheiro me abaixei
e apanhei a blusa verde musgo da livraria que havia jogado no chão ao entrar
para tomar banho. Minha sorte foi não ter sido despedido naquele dia. Já fazia
duas semanas desde o ocorrido. Yara agora estava fazendo campanha contra mim,
se esforçando ao máximo para que eu fosse demitido. Crystal, por sua vez, nunca
mais visitara a livraria. Talvez eu nunca mais fosse encontrá-la.
Vesti minhas calças jeans, minha
camisa preta sem estampa e coloquei meus All
Stars velhos, peguei meus fones de ouvido, meu caderno e me preparei para
sair. O apartamento organizado como sempre, meu velho transtorno obsessivo por
organização. Antes de sair bati a mão no bolso traseiro da calça para conferir
se a carteira estava ali, um velho hábito de alguém que tem a mania de esquecer
tudo. Sai às pressas e tranquei a porta, já estava atrasado para a aula.
Morava a algumas quadras da grande
Universidade Excelsior, que fazia parte da rede de instituições com o mesmo
nome, espalhadas por todo o país. Faculdade privada, ensino de qualidade por um
preço não muito convidativo, minha sorte –e essa palavra vem se repetindo
muito- era ter conseguido a tão sonhada bolsa integral. Não precisava me
preocupar com dinheiro para estudar, apenas manter minhas notas altas.
Caminhei por alguns minutos pelas
ruas da cidade. Aquela região próxima ao Parque Central era lotada de árvores.
Uma região composta por prédios, onde os estudantes tinham o costume de criar
suas repúblicas. Um bairro tipicamente estudantil, repleto de pubs, lanchonetes, com o som de músicas
variadas se espalhando em meio a risadas e alto astral.
O chão naquela época -inicio de
maio- coberto por folhas já secas, de coloração escura, variadas entre marrom e
laranja. Cores que combinavam com o céu daquela tarde, já quase noite. Um tom
avermelhado, como uma bela pintura, um dégradê em tons quentes indo do vermelho
ao laranja e em breve sendo substituídos pelo azul escuro, adornado pelas
estrelas.
Adorava o outono –talvez por ter
nascido naquela estação- as cores me encantavam, ficava fascinado por aquela
paisagem, as folhas secas pelo chão, o céu avermelhado. O Parque Central
naquela época do ano parecia um paraíso para mim, coberto pelas mais belas
cores.
Me aproximei então da entrada ao sul
da Universidade, pouco usada pela grande maioria dos estudantes. Excelsior era
constituída por oito prédios, cada um com quatro andares, dispostos lado a lado
formando duas filas. Ao meio ficava o extenso pátio. A Universidade era
gigantesca e eu mesmo nunca havia visitado todos os prédios. O bloco que eu
estudava era o ultimo, reservado para os cursos de Psicologia, Cinema, Teatro e
Letras. Um curso por andar. No nosso andar, o primeiro, encontrava-se o pequeno
cinema da instituição, onde diversas turmas do meu curso apresentavam seus
curtas em festivais anuais.
Para evitar a multidão que sempre se
forma na entrada principal, e pela entrada ao sul ser mais próxima do caminho
que eu usava, sempre entrava por ali. Além de ser próxima ao prédio onde
estudava. Confesso que também odeio multidões e ultimamente evitava sair do
andar reservado para o meu curso.
No ano anterior, eu e Isabelle
costumávamos caminhar pelo pátio, durante o intervalo das aulas. Isabelle
cursava Psicologia e mesmo estudando no mesmo prédio que eu, adorava explorar
os cantos da instituição. Depois que ela foi embora eu perdi o interesse em
andar por ali e passava boa parte do intervalo sentado dentro do cinema,
ouvindo música, escrevendo ou desenhando.
As aulas naquela noite foram
tranquilas e quando o intervalo começou um aluno do curso de Comunicação Social
me chamou a porta da sala. De inicio me assustei, pois não conhecia ninguém
daquele curso. O rapaz então veio me passar um recado do meu antigo professor, Jonas,
-o professor mais popular dentre os cursos que dava aulas. Baixo, forte,
carismático e extremamente engraçado, ele tinha se tornado o meu mentor e
sempre ia até a minha sala para jogar papo fora. Na ultima vez que nos vimos,
uma semana antes, Jonas pegou alguns dos últimos poemas que eu havia escrito.
Ele lia e ficava me cobrando, dizendo que eu tinha que investir naquilo, que
tinha talento. Professor de Sociologia, havia dado aula para mim apenas em um
período, mas desde então tinha se tornado um grande amigo.
—O Professor Jonas pediu para que você
fosse até a biblioteca. —informou o rapaz, de cabelos loiros espetados e camisa
xadrez. — Disse ser algo relacionado aos seus poemas.
—Obrigado. —respondi com educação e
sai da sala rumo à biblioteca que ficava no prédio 4.
Jonas tinha o costume de ir até o meu
prédio para conversar, afinal dava aulas ali também. Ele sabia da minha
resistência em sair do prédio, já que não queria recordar dos momentos com
Isabelle, mas assim como Isis, ele insistia na teoria que eu devia encarar as
lembranças de frente, para superar. Coloquei meus fones de ouvido, conectei no
celular e dei play no bom e velho rock’in roll. Instantaneamente todo o
mundo a minha volta desapareceu e antes do fim da primeira música já estava
adentrando no bloco 4.
—Daniel, que bom que você veio.
—sorriu Jonas apertando minha mão e acenando para que eu o seguisse.
—Tentando me tirar da sala de novo?
—brinquei enquanto entrava na biblioteca junto do meu baixo ex-professor. Eu
com meus um metro e setenta e cinco centímetros achava cômico andar lado a lado
com o Jonas, que era no mínimo uns dez centímetros mais baixo que eu.
—Você precisa sair mais daquele
prédio. —comentou Jonas agora com a voz mais baixa, já que estávamos dentro da
biblioteca. —Sair, conhecer garotas de outros cursos, se distrair.
Eu mal ouvia o que ele estava dizendo.
Estava encantado com o interior da biblioteca. Fazia um bom tempo que eu não
visitava aquele local e tinha me esquecido de como ela era grande. Logo ao
entrar tínhamos uma ampla bancada oval feita de madeira, onde as funcionarias
ficavam com seus computadores, auxiliando os alunos a encontrarem os livros e
marcando no sistema os empréstimos. A esquerda do balcão se encontrava um
extenso corredor onde se enfileiravam as prateleiras com dois metros de altura,
abarrotadas de livros. A direita um espaço amplo cheio de mesas de madeira onde
os alunos se sentavam para ler e ao fundo uma grande escada levava ao piso
superior, com mais prateleiras, mais mesas e mais bancadas. O piso era todo de tábua
corrida e as paredes adornadas com quadros. Pequenas estantes de pouco mais de
um metro circulavam o local que era maior que duas quadras de futsal. Acima das
estantes grandes janelas se estendiam, de duas em duas, intercaladas por dois
metros de parede. Tudo ali era muito rústico e tranquilo, aconchegante para os
alunos que quisessem um recanto para estudar.
Caminhamos até uma mesa onde uma
mulher bastante bonita estava sentada. Ela se levantou logo quando nos
aproximamos. Alta, pele clara, –diferente de Jonas que tinha a pele bronzeada- cabelos
negros ondulados caindo até a altura dos ombros, rosto fino, olhos verdes.
Óculos delicados lhe conferiam um ar intelectual. Vestia uma blusa de seda azul
e calças negras, não consegui ver seus pés. Era magra, mas possuía seios
fartos. Além de um olhar tranquilo.
—Queria lhe apresentar a Suzane.
—disse Jonas, enquanto eu cumprimentava a mulher que me deu dois leves beijos
no rosto. Jonas sorriu para ela que retribuiu o sorriso.
Logo pude perceber que rolava algo
entre os dois. Minha intuição não costumava falhar. Segurei para não rir, pois
achei legal meu amigo e ex-professor ter arrumado uma affair. Jonas tinha pouco mais de trinta anos e apesar do assédio
das alunas, era um cara solitário. Fique feliz em saber que ele tinha encontrado alguém.
Nos sentamos e Jonas prosseguiu.
—Suzane é uma amiga, professora de
Letras aqui na faculdade. —“Amiga”, sei... — Ela também dá aula em alguns
outros cursos, em matérias referentes à língua portuguesa. Comentei dias atrás
sobre os seus textos e poemas e ela se interessou muito em lê-los.
—Jon falou muito bem dos textos, tão
bem que não resisti em pedir para ler alguns. —interrompeu Suzane, sua voz era
calma e aguda. Uma dicção perfeita. Espera! Jon? Meu Deus! A coisa estava mais
séria do que eu imaginava, mais uma vez tive que conter o sorriso. — Espero que
você não se importe.
—Não, tudo bem. —murmurei um pouco
tímido. — Não estou com nenhum aqui, mas posso trazer algum amanhã, se quiser.
—Não precisa se preocupar, Daniel.
—disse Jonas indicando algumas folhas sobre a mesa. Percebi que ali estava os
poemas que eu havia lhe entregado. — Tomei a liberdade de mostra-los a Suzane.
—Ah, que bom, e você gostou?
—indaguei. Realmente não me importava com aquilo. Me intrigava era pensar se o
Jonas estava usando meus poemas para conquistar o coração da professora.
—Adorei! São tão profundos, tão
tocantes. —respondeu a mulher com um tom
animado, colocando a mão sobre o coração, como se a simples lembrança dos
poemas fosse suficiente para que ela se emocionasse novamente. — E é justamente
sobre eles serem tão magníficos que pedi que o Jon te chamasse aqui. Quer
contar para ele?
Olhei para o Jonas com um olhar ainda
mais intrigado e curioso. O que eles teriam em mente? Jonas tinha aquele
sorrisinho de quem está aprontando algo. Juro que se ele me fizer declamar meus
poemas em algum sarau eu vou cometer um “professorcídio”.
—Serei gentil. —sorriu Jonas. Ele
estava sorrindo muito, era assustador. —Pode contar você, Su!
Su? Ôh meu Deus! A coisa era realmente
séria. Não consegui me conter, Tive que sorrir. Será que eles vão pedir que eu
seja o padrinho? Ou escreva algo para o casamento deles? Casamento? Estou
viajando muito ultimamente.
—Então, Daniel. —começou Suzane
fazendo uma pausa dramática. Como se eu já não estivesse curioso o bastante.
—Eu sou dona de uma revista literária e queria lhe convidar para participar
dela. Seria uma renda extra, você só precisaria escrever semanalmente para o
nosso blog, e separar um poema especial para publicarmos na edição mensal da
revista impressa. O que acha?
—Uau. — murmurei entusiasmado. Na
verdade havia parado de ouvir quando ela pronunciou o “renda extra”. — Eu nem
sei o que dizer.
—Apenas aceite, Daniel. —disse Jonas
bastante animado, me dando um cutucão nas costas. – É uma oportunidade única!
—Eu sei. Apenas estou em choque ainda.
—sorri meio sem graça. Nunca tinha divulgado para um grande número de pessoas
os meus poemas. — É algo novo, fico um pouco inseguro, não sei se irei agradar.
—Se todos os seus poemas ficarem no
nível do “Cores de Outono”, tenho certeza que você fará muito sucesso.
—comentou Suzane, citando o ultimo poema que eu havia escrito. Meus olhos se
arregalaram na hora que ouvi o nome. — Notei que ele é mais intenso que os
demais, seria uma nova paixão? Quem é a sua musa?
Meu coração estava acelerado. Havia me
esquecido que tinha entregado aquele poema junto dos outros. “Cores do outono”,
diferente dos demais, tinha sido um poema inspirado em uma situação diferente,
em alguém diferente. Em geral meus poemas eram melancólicos, nostálgicos,
sempre usando Isabelle como inspiração. Este, no entanto, descrevia a Crystal,
tudo o que eu havia sentido por ela naquele diálogo havia colocado ali. Chamei
de Cores do Outono, pelo nosso encontro ter sido no inicio na estação, pelo meu
fascínio por esta época do ano e também pela semelhança dela com a garota da
ficção. Crystal e seus olhos castanhos, seu cabelos castanho com mechas
vermelhas, seus lábios rosas. Todos aqueles tons que me lembravam o outono.
Ouvir o nome do poema me fez mergulhar novamente naquele mar de sensações.
Fiquei aéreo por alguns segundos, até que percebi que era encarado por ambos na
mesa.
—Me desculpe, o que tinha perguntado?
—indaguei um pouco desnorteado. —A proposta me fez viajar um pouco.
—Perguntei sobre sua musa. —repetiu
Suzane me olhando, parecia extremamente curiosa. —É uma nova paixão?
Notei que Jonas também estava
interessado, provavelmente ele havia comentado sobre o meu estado emocional e
sobre meu ultimo relacionamento, que eram a razão pela qual eu escrevia.
—Não sei dizer. Acho que minha paixão
é o outono mesmo. —respondi sem vontade de comentar sobre a Crystal com alguém
que acabara de conhecer.
—Interessante. —sorriu Suzane. – Fico
fascinada pela capacidade que os artistas têm de criar.
Artistas? Eu estava sendo
supervalorizado.
—Nossa, o tempo voa. — comentou Jonas
olhando o relógio. — Temos que ir andando, ou iremos nos atrasar para as
próximas aulas.
—Isso mesmo, não gosto de me atrasar.
—completou Suzane se levantando. —Então estamos combinados, Daniel. Vou pegar
seus contatos com o Jon e te ligo para marcarmos uma visita até a redação da
revista. Lá acertaremos todos os detalhes.
—Ok. —consenti enquanto nos
levantávamos. Cumprimentei novamente a professora. Jonas pegou as folhas e me
entregou. Dando um leve tapa no meu ombro.
—Você tem futuro, Dan. —sorriu
novamente, dessa vez um sorriso fraterno, como o de um pai orgulhoso. — Você
vai longe!
Sorri, acenando com a cabeça. Ao
chegar à porta da biblioteca nos despedimos e cada um seguiu seu rumo. Com os
poemas em mãos segui andando e ouvindo música. Comecei a imaginar como seria
trabalhar para uma revista. Aquilo era diferente de tudo o que eu planejava.
Seria um novo rumo na minha vida? Era uma sensação fantástica.
Caminhei de cabeça baixa, observando
os poemas em minhas mãos e completamente alheio a tudo. De repente sinto algo
se chocar em mim, me desequilibrei, mas me mantive de pé. O impacto fez com que
minhas folhas caíssem. Vi pés e escutei um “ai!”; A pessoa na qual eu esbarrei
havia caído sentada no chão, seus cadernos e folhas soltas se espalharam no piso.
Me abaixei rapidamente para ajudá-la a
recolher tudo, balbuciando um, ”Me desculpe”. Quando levantei os olhos meu
coração parou.
—Você não olha por anda, garoto? —esbravejou
enfurecida a garota linda a minha frente. Aqueles olhos castanhos que quase
conseguiam ver através do meu corpo.
—Crystal? —sussurrei completamente
atordoado. Como era possível? Eu nunca a tinha visto nos corredores. E agora,
do nada, dou de cara, literalmente, com ela. Tudo bem, eu não saio da sala, mas
aquilo era muita coincidência. Sem falar que parecia aquela típica cena de uma
“comédia romântica adolescente”.
O que faltava acontecer? Nossas mãos
se tocarem enquanto recolhíamos o material no chão e aí nós dois iriamos nos
olhar, sabendo que naquele momento nasceria um belo sentimento. Dali em diante
estaríamos apaixonados e viveríamos uma linda e intensa história de amor?
—Só podia ser o babaca da livraria.
—rosnou ela tomando as folhas da minha mão e pegando o caderno. É... lá se foi
a comédia romântica. Rapidamente ela se levantou enquanto eu continuava
estático a encarando. — Vê se olha por onde anda, criança!
—Criança? —indaguei me levantando. De
pé eu ficava um pouco mais alto que ela. —Quem você pensa que é? Foi um
acidente. Eu não tive culpa. E agora vem me chamar de criança?
—Que legal, ele vive sofrendo
acidentes. —ela falava alto, as pessoas já começavam a nos olhar no corredor. —
Todo inocente, feito uma criancinha. Não tem culpa de nada, né? Dá próxima vez
olha para frente, CRIANÇA!
Ela nem ao mesmo esperou que eu
dissesse mais alguma palavra e saiu pisando duro. Eu estava extremamente
enfurecido. Quem era aquela garota e onde estaria o sorriso lindo do dia em que
conversamos? Só conseguia enxergar um ogro em forma de mulher. Me virei para
esboçar alguma reação, mas tudo que pude notar era ela se afastando com aquele
rebolado sedutor. Mesmo estressada ela conseguia ser sedutora. Droga, o que
diabos eu estou pensando? Ela acabou de me humilhar publicamente. Dei um passo
para ir embora e ouvi o barulho de papel se rasgando. Merda! Esqueci dos poemas,
acabara de pisar em um deles e acabei rasgando a folha com o movimento. Me
abaixei novamente e recolhi as folhas que estavam espalhadas pelo chão. Na
minha mente só conseguia lembrar daquela voz irritante me chamando de criança.
Como ela tinha coragem?
E mais uma vez, depois de outro
encontro com aquela garota, lá estava eu, no chão, recolhendo a bagunça. Aquilo
já estava ficando cansativo. Ela conseguia mexer comigo de um jeito assustador.
Já não conseguia entender se estava atraído por ela, ou se estava começando a
odiá-la. Só sabia de uma coisa, ela não saia da minha mente...

Nenhum comentário:
Postar um comentário