quinta-feira, 25 de junho de 2015

[Crítica – Cinema] Divertida Mente

Por Guilherme César




                Já tentou entender suas emoções? Saber onde ficam guardadas suas memórias e por que você se esquece de certas coisas depois de tanto tempo? Temas relativamente complexos e que para respondê-los você teria que no mínimo ler diversos livros sobre psicanálise e demais, para entender como funciona seu cérebro. Um tema um tanto quanto difícil de se explicar e que foi tratado de uma forma incrivelmente simples no novo filme da Pixar, “Divertida Mente”.

                Logo na primeira vez que assisti ao trailer fui cativado quase que instantaneamente. Lidar com o imaginário e mostrar o comportamento das emoções dentro de nossa mente já era o básico para me encantar, somado ao fato de ser uma animação, aí não tem como, receita para atrair minha atenção concluída. Sempre fui fã de animações, cresci assistindo aos filmes da Disney, Dreamworks e Pixar, me encantando com as histórias infantis e aprendendo com elas. Tanto que, o primeiro filme que assisti no cinema foi uma animação, “O Rei Leão” –o filme que o pai do leãozinho morre, bastante citado no filme da Pixar. Desde então foram dezenas de títulos que me fascinam até hoje. Não me envergonho de dizer que sempre tiro um tempinho para assistir alguma animação, afinal esses filmes, dotado de simplicidade, boas ideias e ótimas piadas sempre tem uma linda mensagem para passar. Quando criança eles ajudam a moldar nossa personalidade, quando adultos, ajudam a iniciar reflexões que podem nos fazer mudar a visão que temos do mundo.


                Divertida Mente consegue te prender do inicio ao fim. A dublagem é ótima e não tenho do que reclamar. O visual é perfeito, com cada emoção bem definida e caracterizada, um filme repleto de cores que nos ensina a enxergar o poder das memórias e emoções em nossa vida, além do impacto de nossas ações. Não dá para não notar nas entrelinhas um tema bastante ousado, a depressão infantil, sendo exposto de forma sutil, mas marcante.
                Personagens cativantes, cenas hilárias e uma explicação tão bem feita que remete ao “quer que eu desenhe?”. O filme faz parecer fácil entender as emoções e pode ajudar muito as crianças a saberem como sua mente funciona, de maneira divertida, e aos pais, como tentarem perceber quando os filhos estão deprimidos.

                Espera aí, a depressão é o foco do filme? Não. O foco é a tristeza que caí sobre Riley, uma garotinha feliz que perde o brilho ao mudar de cidade, deixando seus amigos e lembranças para trás. A dificuldade de lidar com uma mudança, aos olhos de uma criança de onze anos, se adaptar e superar, esse é o conflito central do filme. Nisso podemos ver como as emoções influenciam em cada atitude tomada pela garota e o reflexo das atitudes dentre de sua mente. Assim como o reflexo do que acontece dentre de si, ecoando do lado de fora.

                Um filme divertido, que é capaz de lhe emocionar facilmente. Confesso que fiquei a ponto de chorar umas duas vezes no cinema, tamanho o envolvimento com a trama. E não é uma tarefa difícil, pelo contrário, é fácil se apegar aos personagens e sofrer com eles. Torcer para que Alegria e Tristeza retornem para a Sala de Comando e que Riley pare de sofrer.

                Em meio a uma trama bem escrita estão as diversas piadas, grandes sacadas e claro, uma explicação cômica para o impacto da propaganda em nossa mente, justificada de uma maneira hilária. Até a repetição de certas piadas não deixa o filme chato, fazendo com que cada vez que uma piada retorna lhe provocar mais risos.


                Por fim, o filme nos ensina que existem momentos que tem tamanha importância em nossa vida que criam Memorias Base, essas, capazes de moldar nossa personalidade e que, ao perde-las, perdemos junto nossa essência. Nos mostra o valor da família e da amizade. A importância de sempre sorrir e olhar as situações pelo melhor ângulo. Ser positivo sempre e saber reconhecer, que chorar nos ajuda a aliviar a dor, sem esquecer que guardar o sofrimento dentro de si só piora tudo. A tristeza pode nos fazer crescer e abrir caminho para que a Alegria prevaleça.


                Logo, Divertida Mente merece um 10, pela genialidade e sutileza ao tratar as emoções, pela maneira encantadora que nos mostra esse mundo e claro, pelas ótimas piadas. Um filme que os pais deveriam assistir junto dos filhos, para compreenderem o quanto certas atitudes tem valor para uma criança. Se você que está lendo esse texto ainda não assistiu, você não sabe o que está perdendo. E que bom que a Pixar ressurgiu com mais um filme brilhante e cativante Até a próxima. 

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