quinta-feira, 14 de maio de 2015

[Crônica] Sobre a saudade, a eternidade e o amor

Por Guilherme César



Pouco mais de um ano atrás eu escrevi um texto refletindo sobre “uma pergunta que todos querem responder”, o que é o amor? Como disse no texto em questão, o amor é um tema recorrente para mim e sem dúvidas algo que poderia passar horas, dias, ou até anos refletindo sobre. Em suas várias formas, o amor é um dos sentimentos mais intensos e poderosos que conheço, o mais simples e o mais complexo, ao mesmo tempo. A dualidade do amor e a dificuldade em entendê-lo talvez seja o que o torna tão belo. Um tema, como disse acima, que renderia diversos textos.

Hoje, tomado pela imensa saudade de quem amo –e como sou um escritor apaixonado por escrever e por amar- decidi esvaziar a minha mente escrevendo sobre a vertente mais clichê do amor, o amor entre namorados, o amor de um par, o mais romântico e há quem diga que o mais intenso. Muitos de nós, reles mortais, perseguimos o futuro em busca de um grande amor, aquele dito como “verdadeiro amor”, colocado como eterno. O amor que muitos filmes, livros e demais se inspira para tocar as pessoas. O sentimento pelo qual guerreiros poderosos se colocaram de joelhos, ou até mesmo desafiaram a morte.
Há quem diga que tal amor –único e eterno- não existe. Confesso que a primeira coisa que penso quando ouço alguém dizer é que a pessoa não amou, ou sofreu demais por amar. Desacreditar e negar é o primeiro passo para tentar se proteger de algo doloroso e, correndo o risco de ser repetitivo, o amor dói. E completo, quanto mais intenso ele é, mais doloroso será.
Posso imaginar que nesse ponto você deve se perguntar: “então porque amar?”. Bom, já comentei sobre e vale ressaltar, vale a pena amar porque tal sentimento é capaz de nos mudar, de nos reinventar. E com amor, o mundo seria um lugar melhor. Ou talvez o amor seja a causa de todos os males do mundo, não posso afirmar. De uma coisa eu sei e digo com toda certeza, amar é muito bom. Mas como tudo na vida, até o amor tem seus efeitos colaterais. O ciúmes, a distância, a saudade... ôh, a saudade.
Já tentei em diversos poemas explicar a saudade e afirmo, como todo bom fruto do amor, ela não é muito fácil de se explicar. Caramba, mas nada dá para ser explicado? Pois é, sentimentos são assim, você não explica, você sente. E quando se sente, todos acham que podem explicar. Eu sempre caio nessa, de tentar explicar o amor, a saudade, o ciúmes. O motivo pelo qual os casais apaixonados insistem em jurar amor eterno, mesmo sabendo que o para sempre, na maioria das vezes, acaba.
Contudo, estar apaixonado nos torna extremamente esperançosos, pois quem ama quer ser imortal, quem ama quer viver para sempre ao lado de seu par. E afinal, quem seria louco de não querer isso? Você encontra alguém que lhe faz feliz, alguém que transforma seu mundo em um lugar colorido, cheio de vida, de cheiros, de sons. Você encontra algo tão bom que a única coisa que realmente lhe importa é quando você voltará a contemplar aqueles olhos, aquele sorriso. Acho então que acreditar na eternidade é outro dos efeitos colaterais do amor. Pois os apaixonados sofrem com o ditado que diz que “o que é bom dura pouco”. Dura pouco o caralho – e perdão pelo palavreado. Maldita mania das pessoas de quererem definir regras a serem seguidas. Sim, pode até ser que as coisas não sejam eternas e que tudo tenha um prazo de validade. Posso até estar me iludindo, mas para mim, existe sim a chance do amor ser eterno, daquele “para sempre” existir pela eternidade.
Esse foi o meu eu loucamente apaixonado por uma certa garota falando. Mas até mesmo o meu eu racional há de concordar que dane-se o que os outros pensam, podemos sim fazer de algo eterno, basta lutarmos para isso. Mesmo que o mundo diga o contrário, é nos momentos que a saudade aperta que pensamos como seria bom passar cada dia de nossas vidas ao lado da pessoa que nos faz sentir sua falta a cada segundo distante. Até as brigas se tornam toleráveis, os defeitos, as incertezas do futuro. Pois mesmo que a eternidade não exista e a saudade persista, quem ama é livre e dotado da liberdade poética de acreditar no para sempre, de sonhar e perseguir tal sonho. Se duas cabeças pensam melhor que uma, dois corações são suficientes para tornar um sonho realidade. Basta amar.
Pois amar é tornar o mundo do outro mais belo, é se emocionar com palavras bonitas e sorrir com asneiras ditas. É rimar sem querer, chorar sem poder, respirar simplesmente para poder viver mais um dia, e rever quem se ama. Amar é tudo aquilo que já foi dito por qualquer um, e ao mesmo tempo nada daquilo que você já leu ou ouviu. Afinal, o amor é algo único e singular, onde cada pessoa sente da forma que lhe cabe.
O que posso afirmar para finalizar essas linhas, é que o meu amor me faz querer lutar, me faz querer viver e acima de tudo, criar um futuro onde a eternidade ao lado “da garota do sorriso bonito” seja algo real. O meu amor me faz acreditar no impossível e me faz querer nada menos que passar o resto da minha vida com a pessoa que me conquistou. A pessoa que me fez perceber que todas as vezes que pensei amar, estava enganado, pelo menos na proporção. Até por que, o amor que sinto hoje é tão intenso que me fez perceber que não quero mais amar novamente outro alguém. Pois o amor que sinto hoje faz valer a pena essa saudade que quase me mata e essa eternidade que não existe de forma exata. E eu acabo crendo que existe um “amor para toda vida”, pois o verdadeiro amor é aquele que você verdadeiramente escolhe para toda a vida. Da mesma forma que eu escolhi “ela” para o meu “para sempre”.


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