Por Guilherme César
Depois de uma longa conversa reflexiva com uma amiga,
decidi vir aqui escrever sobre um tema que é bem frequente tanto no meu
cotidiano, quanto no de tantas pessoas ao longo do globo. Por que, afinal,
aceitamos o amor que pensamos merecer? Por que escolhemos justamente aquilo que
nos faz mal? Duvido muito que eu consiga resumir um tema tão amplo como este em
um único texto, mas espero que as linhas a seguir sirvam no mínimo como gatilho
para te ajudar a refletir sobre.
O que te atrai nem sempre é aquilo que te fará bem,
isso é um fato. É normal que a maioria das pessoas busque por algo que as
complete, mas é mais normal ainda que busquem algo que as faça se sentir vivas.
Porém muita gente vê isso na busca por perigo, na busca por algo diferente do
convencional, na busca por algo que explicitamente as fará sofrer. A frase que
decidi colocar como titulo dessa crônica é uma citação do filme “As vantagens
de ser invisível”, onde temos um claro exemplo do que quero tratar nesse texto.
As pessoas aceitam o amor que pensam merecer, pois em suma tem medo de se
acharem capazes de amar algo que as faça bem.
Buscar pelo perigo, por pessoas rebeldes, por
pessoas complicadas, pessoas quebradas emocionalmente –esse ultimo acontece
sempre comigo-, essas são simples classificações que definimos ao pensar
naquilo que nos atrai. Muitas pessoas se negam a se envolver com alguém que
lhes faz bem justamente por pertencerem a uma dessas classificações acima. Quem
se enquadra nessas classificações é tomado pelo medo, e também pela dor.
Normalmente são pessoas que sofreram e se decepcionaram, que tiverem suas
expectativas destruídas e decidiram por fim evitar causar a mesma dor a alguém
que não mereça.
Resumidamente, quem já sofreu muito tende a ter medo
de se envolver com pessoas extremamente boas, pessoas que seriam capazes de
curar tais feridas causadas por tanto sofrimento. E por quê? Porque elas
simplesmente se vêm como indivíduos quebrados, quebrados e afiados. Elas temem
que a dor que sentem seja capaz de ferir as pessoas mais puras e sensíveis, então
buscam por pessoas mais rebeldes, diferentes, perigosas, aparentemente fortes.
Essa fachada de força atrai as pessoas “quebradas” ou “abaladas emocionalmente”
como moscas. Pois as pessoas que sofreram pensam que procurando por alguém que
aparenta ser forte não terão chances de magoar quem não merece e que caso
cometam um erro, a pessoa que se diz forte não terá problemas em superar. E
ainda, o perigo de conviver com alguém que lhe pode abrir uma nova ferida serve
como estimulo para que ela se sinta viva, algo como uma injeção de adrenalina
diária.
Enquanto isso, a pessoa realmente boa, aquela que é
vista como pura e frágil, está apenas à espera para curar as feridas de alguém,
para amar. Normalmente é esse tipo que sofre mais, pois essas pessoas são evitadas,
como se fossem frágeis demais para encarar a vida. Esses “anjos” acabam
enfrentando a solidão e sofrem justamente por não serem aceitos pelas pessoas
“quebradas”. Por medo de fazê-los sofrer, os quebrados acabam por fazendo
realmente os “anjos” sofrerem, simplesmente por não darem a estes a chance de
ajuda-los.
E aí nos deparamos com um ciclo infinito, onde temos
os “perigosos” que vivem a vida de forma alucinante sem se importar com as
consequências de seus atos e do que
podem fazer com quem está próximo, temos os “quebrados” que sofreram muito e
ainda assim não conseguem buscar por alguém que não os faça sofrer, e temos os
anjos, que permanecem buscando alguém que aceite seu amor, e ao longo do tempo
vão se perdendo nessa busca e se tornando quebrados.
Obviamente sempre existem as exceções, o mundo não
existiria sem elas. E muito menos posso afirmar que o mundo inteiro se encaixa
nesse texto. Mas é isso que vejo sempre que olho a minha volta. Como dito por
Dumbledore, "O problema é que os seres humanos têm o condão de escolher
exatamente aquilo que é pior para eles.”, e ouso completar, pelo fato de que
tem medo de arriscar fazer diferente, de tentar algo diferente. Já disse uma
vez em um texto que quem ama inevitavelmente sofre em algum momento. Então, se
isso é verdade, porque devemos nos ater a classificações? Não é mais simples
arriscar e romper o ciclo? Uns se preocupam demais em evitar o sofrimento dos
outros e fecham seus olhos para o que certamente os fará feliz, outros buscam
cegamente por algo que os faça se sentir vivos, enquanto não percebem que viver
não é simplesmente sentir adrenalina, mais sentir amor, ter carinho e não dor.
Termino então esse texto confuso deixando uma
pergunta para você que está lendo: já pensou em qual dessas classificações você
se enquadra? Você está feliz com isso? Está contente em aceitar um amor que
pensa merecer por medo de buscar algo melhor? Deixo-lhe um humilde conselho,
não tema fazer alguém sofrer, tema forçar alguém ao sofrimento vindo da
solidão. Seria egoísmo da sua parte achar que uma pessoa não está disposta a
sofrer por você na tentativa de te curar. E sempre tente enxergar seus
relacionamentos pelo menos uma vez como um expectador, só assim você vai
perceber se faz ou não parte do ciclo. Só assim você vai definir se precisa ou
não fazer uma escolha que realmente te faça bem.

Nenhum comentário:
Postar um comentário