Por: Guilherme César
Admita
Caminhei até a biblioteca pensativo,
tentando imaginar o que afinal a Crystal queria comigo. Logo que entrei percebi
que não havia quase ninguém naquele local. Olhei rumo às mesas e não a
encontrei, então fui surpreendido por alguém vindo do outro lado.
—Daniel, preciso falar contigo.
—murmurou Crystal se aproximando.
Daniel? Era a primeira vez que tinha
a ouvido dizer meu nome. O assunto realmente parecia bem sério. Apenas consenti
com a cabeça e me preparei para dar meia volta, esperando que fossemos sair da
biblioteca.
—Não. —disse ela segurando meu braço.
— Venha comigo.
Começamos a caminhar e ela me levou
rumo as estantes. Parei de súbito, pois já não entendia mais nada.
—Espera, —sussurrei. —Porque não
conversamos lá fora? Aqui teremos que sussurrar.
—Não reclame, apenas me siga. — ela respondeu
também com um sussurro, soltando meu braço e fazendo um gesto com a mão para
que eu continuasse a seguindo.
O ditado “a curiosidade matou o
gato” servia perfeitamente para mim. Estava curioso demais para não segui-la.
Crystal era um poço de mistérios e eu sempre adorei bancar o detetive,
desvendar enigmas, resolver charadas, descobrir segredos. O mistério contido no
olhar daquela garota me fascinava, cada movimento seu, cada gesto, cada
palavra, tudo servia como referência para que eu tentasse analisá-la e por mais
que soubesse que parecia ser impossível entendê-la, eu queria mais e mais.
Caminhamos pelo corredor rente as
janelas até o final, onde Crystal virou para a esquerda, entrando na última
fileira de estantes, um dos pontos mais afastados da biblioteca, extremamente
silencioso e com baixa iluminação. Um beco sem saída, sem chance alguma de
sermos vistos. A curiosidade, mesclada
com aquele silêncio e a presença da Crystal em um local isolado me deixava
excitado. Enquanto a seguia eu listava mentalmente as possibilidades de qual
seria o motivo dela me levar até ali. Minha intuição, ao contrário da razão, me
fazia sentir que de alguma forma a Crystal me queria. Mas todas as vezes que eu
pensava nessa possibilidade, minha mente me fazia recordar do momento em que
ela me negou o beijo. Algo que um homem nunca é capaz de esquecer. O momento em
que foi rejeitado.
—Então. — murmurei quando chegamos
ao fim da última estante, no canto isolado da biblioteca. Crystal havia parado
de caminhar, já que não havia mais para onde ir. — O que viemos fazer aqui?
—Tudo vai depender de uma resposta.
—contrapôs Crystal se virando e me olhando nos olhos. —Eu tenho uma pergunta
para lhe fazer.
—Faça. —disse com firmeza. Minha
intuição continuava me dizendo que havia algo diferente no olhar daquela
garota, parecia... Desejo.
—Estava relendo o poema que me deu e
pensando sobre uma coisa. —ela agora encarava a estante, deslizando os dedos de
uma das mãos sobre os livros. —Depois de hoje e depois de te ouvir recitar o
poema, me restou uma dúvida sobre você.
—E qual seria essa dúvida? —Para quê
tanta enrolação? Ela podia fazer logo a pergunta.
—Aquele poema... —ela parou e me
encarou novamente, seus olhos fixos nos meus. — Era sobre mim?
—Sim, era. —respondi ainda firme, embora
por dentro meu coração estivesse disparado. Será mesmo que a minha intuição
estava correta? — Você é a garota que eu descrevo no Cores de Outono.
—Hmmmm. —balbuciou se aproximando
lentamente. Em seguida voltou a falar em sussurros, de forma pausada e
sedutora. —Então quer dizer que você me
deseja?
—Talvez. —ela gostava de ser
ambígua, vamos dar o troco a ela. — E pelo que percebi, pode ser reciproco.
—O que te leva a pensar que eu te
quero? —indagou com um sorriso irônico.
—O fato de me chamar até aqui. A
maneira como age. As perguntas que está fazendo. —sorri, também de forma
irônica. Ela estava encurralada agora. — Isso só mostra que você me quer, só
que espera que eu assuma primeiro.
—A maneira como estou agindo?
—balbuciou de forma pausada. Ela tentava me seduzir com aquela voz suave. E eu
não podia negar que ficava excitado com o jeito com que ela falava.
—Tentando me seduzir. —respondi
olhando fixamente em seus olhos. Havia vencido a timidez, agora iria apostar
todas as fichas na minha intuição.
—Acredite, criança... —sussurrou
chegando bem perto de mim, seus lábios quase colados aos meus. Podia sentir sua
respiração. — Eu nem comecei a tentar te seduzir.
—Adoraria te ver tentar, então.
—retruquei. Crystal se afastou, dando alguns passos para trás e se virou,
ficando de costas para mim.
—Você está caidinho por mim e não
quer assumir. —ela comentou, ainda de costas. — Parece estar louco para que eu
assuma primeiro que te quero. Por quê?
—Porque eu já percebi que você gosta
de brincar de gato e rato, ver quem tem mais poder. —respondi, analisando toda
a situação. — Você me trouxe até aqui, se encurralando apenas para me deixar à
vontade e me deixar curioso. No fim você só está tentando me dominar, me
manipular. Perguntando algo que já sabe a resposta, quer apenas uma
confirmação. Já entendi o seu jogo, criança. Você gosta de dominar, de
enlouquecer a presa para no fim abater. Você é uma caçadora.
—Uau! —exclamou, ainda de costas.
—Ele é mais esperto que pensei. E ainda conseguiu me analisar. E eu achando que
você era um pobre garoto passivo.
—Desastrado, ansioso, tímido, às
vezes estranho e antissocial. —murmurei. — Mas nunca passivo ou submisso.
—Interessante. —ela se virou agora
me encarando. —Você ainda está aqui, mesmo sabendo que eu estou tentando te
encurralar, brincar contigo. Você próprio assumiu que me deseja. Só falta dizer
“sim, eu te quero”.
—Sou um cavalheiro. —sorri
caminhando e a segurando pela cintura. Coloquei ambas as mãos em torno de seu
corpo e a puxei contra mim, prendendo seu corpo ao meu. Crystal colocou as mãos
sobre os meus ombros. Seus olhos arregalados, surpresa com a minha atitude.
—Deixarei que admita primeiro.
—Nunca! —ela sorriu aproximando os
lábios dos meus.
—Se é assim... —sussurrei.
Nos aproximamos mais e nossos lábios
se tocaram, no inicio um toque sutil, um beijo de reconhecimento. Os lábios
colados, se movimentando levemente, sentia o toque macio de sua pele, o seu
perfume doce e o calor de seu corpo. Ainda a segurando com uma das mãos, subi a
outra pelas suas costas até a sua nuca. Estava arrepiado, estava tomado por
diversas emoções que não conseguia identificar. Acariciei seus cabelos tenros e
lisos e segurei sua nuca. Aumentei a intensidade do beijo e ela retribuiu.
Nossas línguas se tocaram e continuamos ali, naquele beijo intenso por alguns
segundos.
—Ainda quer que eu assuma?
—sussurrei quando terminamos de nos beijar. Um pouco ofegante.
—Sim, criança. —ela sorriu e
deslizou as mãos pelo meu rosto, me puxando para beijá-la novamente.
Voltamos a nos beijar de forma ainda
mais intensa. A empurrei contra a estante que balançou com o baque. Nem ao
menos nos importamos, só continuamos a nos beijar. Os corpos juntos, a
respiração ficando acelerada, eu sentia o calor de seu corpo junto ao meu.
Minhas mãos deslizando, passando por cada centímetro de seu corpo e agora
descendo até suas coxas. Apertei suas coxas e a levantei colocando-a contra a
estante e deixando seu corpo suspenso no ar. Crystal entrelaçou as pernas em
minha cintura e ficamos ainda mais colados. Ela entrelaçou seus braços no meu
pescoço e deslizou suas mãos pela minha nuca, me despenteando e provocando arrepios.
Meus olhos grudados aos seus, fixos, aquele castanho belo e intrigante, aquele
olhar sedutor e misterioso. Um vazio repleto de enigmas que eu estava ansioso para
desvendar. Continuamos nos beijando mais e mais, perdendo o fôlego a cada longo
beijo.
As dúvidas em minha mente tinham
sumido, não conseguia pensar em mais nada, apenas naquela garota em meus
braços. Com seu corpo quente junto ao meu, sua pele macia tocando a minha e me
despertando as mais gostosas e intensas sensações. Seus lábios doces e
sedutores me beijando entre sorrisos e suspiros. Aquele momento era surreal,
mais parecia uma ilusão.
Não conseguia parar de beijá-la,
aquilo era bom demais, seu beijo, seu toque, seu calor. Tudo era perfeito,
quente e irresistível. Apertei mais o seu corpo contra a estante e ela voltou a
balançar. Crystal soltou um leve gemido e eu parei de beijar sua boca. Comecei
a beijar seu queixo e fui descendo até o pescoço. Dei leves mordidas em seu
pescoço enquanto ela suspirava, beijei, dei alguns chupões e mordi novamente.
Entre suspiros e gemidos, Crystal
desceu uma das mãos e levantou um pouco minha camisa, colocando sua mão dentro
dela e tocando minha barriga. Senti um arrepio gostoso percorrer meu corpo e
mordi a ponta de sua orelha. Crystal pareceu gostar, notei que ela tremeu
levemente e cravou as unhas em minha barriga. Ignorei o leve incomodo, aqueles
arranhões me deixavam ainda mais excitado. Ainda a segurando com uma das mãos e
usando a estante como apoio, deslizei minha mão direita pelo seu corpo subindo
e entrando por baixo de sua blusa. Escorreguei meus dedos tocando sua pele e
subindo até um de seus seios. Apertei-o por cima do sutiã, e ela voltou a
gemer. Como era bom ouvi-la gemendo. Estávamos ofegantes, era a primeira vez
que me envolvia de forma tão intensa com uma garota logo na primeira vez que
ficávamos. Crystal desceu sua mão e tocou meu pênis, que estava muito ereto. por
baixo da calça. Suspirei ao sentir seu toque. Estava cada vez mais perdendo o
meu controle. Imerso naquele turbilhão de sensações.
Foi então que ouvi o barulho de vozes
se aproximando e passos bem próximos dali. Parei de tocar Crystal e a encarei.
As vozes estavam chegando cada vez mais perto e não demorariam a nos ver.
Coloquei Crystal de pé e ela arrumou rapidamente sua roupa e apanhou um livro
na estante no momento exato que duas funcionárias da biblioteca viraram,
entrando naquele corredor de estantes onde estávamos. Ambas, uma mulher mais
velha e um pouco gorda e sua jovem assistente de grandes óculos nos encararam
desconfiadas.
—Eu tinha certeza que estava por aqui.
—comentou Crystal se virando para mim. —Acho que alguém pegou.
—Posso ajudá-los? —indagou a mulher
mais velha com a voz rouca.
—Não, obrigada. —disse Crystal
sorrindo gentilmente e devolvendo o livro para o seu lugar. — Estávamos
conversando e decidi vir aqui mostrar uma citação de um dos livros, mas não o
encontrei.
—É importante? Talvez se disser o nome
eu possa ajudá-la a achar. —comentou a assistente.
—Acho que você vai ter que deixar para
amanhã, nós já estamos fechando a biblioteca. —disse a senhora, antes que
Crystal pudesse responder.
—Tudo bem, não era nada importante.
—respondeu Crystal sorrindo novamente e segurando minha mão. Ela então começou
a caminhar e me puxou. —Vamos, meu bem, amanhã voltamos aqui.
—Claro, amor. —respondi entrando em
seu jogo. —Não vamos atrapalhar as moças.
A assistente da bibliotecária sorriu e
nos passamos rapidamente por elas.
—Boa noite para vocês. —acenou Crystal
virando e entrando no corredor lateral das estantes. As bibliotecárias
responderam e acenaram de forma cordial. Eu e Crystal apertamos o passo, saindo
apressados dali.
Quando saímos da biblioteca e entramos
no corredor não conseguimos nos conter e começamos a rir. Por pouco não
tínhamos sido flagrados e mesmo com a encenação creio que não enganamos muito
bem.
—Você é uma ótima atriz. —comentei
depois que paramos de rir e começamos a caminhar pelo corredor.
—É, e você até que atua bem, criança.
—Para onde vamos agora? —indaguei,
louco para continuarmos.
—Não sei, você acabou não respondendo
a minha pergunta. —rebateu Crystal com um sorriso irônico novamente.
—E nem você. —retruquei. —Estamos
empatados, criança.
—Como me surpreendeu, irei deixar com
que vença dessa vez. —falou Crystal enquanto saiamos de dentro do prédio. — Eu
te quero, criança. Mesmo você sendo muito inocente.
—Inocente? —indaguei com um meio
sorriso. – Dessa vez você está enganada.
—É? —sussurrou parando de caminhar e
se virando para mim. —Admita que me deseja e quem sabe eu te deixo tentar mudar
a minha opinião.
—Eu te desejo. —finalmente assumi a
puxando novamente e a envolvendo em meus braços. —E agora, posso te provar que
não sou inocente, como diz?
—Talvez. —sorriu com aquele jeito
sedutor. — Mas não aqui. Acho que vamos precisar de privacidade, não?
—Sim. —concordei, — Podemos ir para o
meu apartamento. Quer?
—Hmmm. —balbuciou fingindo estar em
dúvida. — Não acha que é cedo demais para me levar para cama, criança?
—Nossa, é mesmo. —respondi a soltando
e dando um passo para trás. — Mil perdões, ôh doce donzela.
—Bobo. —ela sorriu novamente. —Então,
vamos ou não?
***

Nenhum comentário:
Postar um comentário