Por
Guilherme César
Print do episódio 5x18
Estou
eu tentando colocar em dia os diversos episódios das séries que assisto, quando
me deparo com um episódio da quinta temporada de The Vampire Diaries -
possíveis spoilers por aí - que fala justamente, de um tema que vem se
repetindo muito nessas ultimas semanas.
Seja nas séries, ou na vida real –fria e cinza – tenho notado que o tema “éramos namorados, agora somos amigos” parece ter sido jogado na minha cara.
Seja nas séries, ou na vida real –fria e cinza – tenho notado que o tema “éramos namorados, agora somos amigos” parece ter sido jogado na minha cara.
Diversos
amigos(as) e conhecidos, me param para comentar o quão triste está sendo
conviver com o(a) ex após o término, exatamente por terem decidido ser
“amigos”.
Não
jovens, não estou aqui para iniciar um debate sobre problemas adolescentes ou
criar uma crônica para alguma revista “teen”, apenas quero refletir sobre esse
assunto tantas vezes repetido. Tomando como exemplo o casal da série
adolescente – para quem não queria ir para o lado “teen” da força, olha o caldo
entornando -, a nossa digníssima – lê-se “chata pra caralho, mas muito gata”-
Elena, quer continuar sendo “amiga” do pobre Damon, mesmo que ambos ainda sejam
apaixonados um pelo outro.
Ela
nem se importa que isso seja torturante e cruel, nem com o fato dos dois não
conseguirem ficar juntos sem arrancar as roupas um do outro. Guardadas as
devidas proporções, na vida real vejo casais sofrendo pelo mesmo ponto,
continuar sendo amigo de alguém que você chamava de “amor”, que fazia planos e
que dividia uma história é no mínimo uma tortura. Na teoria é tudo muito lindo,
“olha que fofo, eles terminaram e ainda são amigos, que exemplo”, mas na
prática a coisa é bem mais complicada.
Quando
se ama, você quer a pessoa por perto. Você quer tocar, beijar, deitar na grama
e olhar as estrelas, fazer planos e coisas do tipo, não virar o melhor amigo da
pessoa e a ouvir dizer que está gostando de outra – porque, sim, isso é
inevitável. Não devemos ser egoístas ao ponto de querer a pessoa só para a
gente e mesmo depois de terminar, sonhar que ela continuará sozinha, por nos
amar. A vida continua, sejamos realistas, o amor bate na nossa porta mais de
uma vez e acredite ouvir um “estou namorando” da sua antiga paixão é o mesmo
que ser alvejado por tiros de canhão.
As
pessoas se apegam quando gostam, é normal. Parte desse “seremos amigos”, vem
desse apego, desse medo de não conseguir viver sem a pessoa. As vezes por causa
do apego de um dos lados, não percebemos o quanto sofremos ao continuar com
aquela amizade. E citando uma frase do episódio “ou você é amigo, ou você está
apaixonado”, não tem como ser os dois. Você pode me dizer o contrário, dizer
que você consegue, mas na prática, em algum momento você vai ficar no mínimo
levemente abalado com alguma conversa, seja por ciúmes, seja por inveja do novo
namorado da sua ex, ou pelo que for.
Amar
é isso, você quer o bem da pessoa que ama, mas de preferência com você.
Acredito que todo fim de namoro tem que ser precedido por um período de
afastamento, nem que seja quase como uma “Guerra Fria”, um período de tensão
entre os dois. É obvio que sempre vai existir aquela quedinha um pelo outro, se
o namoro terminou de uma maneira tranquila, com os dois ainda se gostando -, sempre
vai ter o velho e bom ciúmes, mas o tempo ajuda a diminuir esses efeitos.
Ser
amigo da pessoa logo depois de terminar dói. Você sofre toda vez que chama a
pessoa pelo nome, e não pelo “apelidinho carinhoso”. Sofre quando ambos
comentam sobre aquela banda que embalava o romance, quando citam aquele livro
no qual imitavam o casal de protagonistas, ou simplesmente quando param para se
lembrar o quão foi lindo o amor dos dois. Não dá, quando existe um “vou te amar
para sempre, mesmo que não possamos ficar juntos” a amizade imediata não será
boa para ambos. É necessário um tempo para respirar, colocar a vida nos eixos e
reaprender a viver, reaprender a acordar todos os dias sem que aquela pessoa
seja a primeira que você pensa ao abrir os olhos.
Não
é por falta de amor, não é por egoísmo, nem muito menos por falta de carinho
pela pessoa. É justamente o contrário, é o excesso de tudo isso que torna a
tarefa de ser amigos depois de um relacionamento praticamente impossível. O
problema é que nem sempre o casal consegue enxergar o quanto doí. Sempre um dos
dois vai ficar mais apegado, vai ignorar o sofrimento por ter medo de se
afastar para sempre. Enquanto o outro, mesmo sofrendo, tenta diminuir a dor do
ex ficando junto, como amigo. É necessário que ambos entendam e se permitam
seguir em frente.
Ou
você está apaixonado, ou se é amigo. Ser os dois não é prático, não é
funcional. Por isso, todas as vezes que fui abordado sobre esse tema nas
últimas semanas, eu dei o mesmo conselho: “Se afaste, por uma semana, um mês,
um ano. Pelo tempo que for necessário, até que dizer ‘oi’ para aquela pessoa
não venha acompanhado de uma vontade louca de completar com um ‘amor’.”. Eu
acredito em amizade pós-relacionamento, se essa não vier acompanhada de dor.
Deixe o tempo acalmar o coração, para que do amor renasça uma amizade sincera e
não uma tortura eterna.

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