Por Guilherme César
Imagem encontrado no Google
Em uma
sociedade onde estar conectado ao mundo por meio da internet está cada vez mais
comum, o choque entre as gerações analógica e digital é praticamente
inevitável. De um lado temos a instantaneidade, tanto nas relações –namoros que
duram dias, pessoas que se tornam melhores amigos em poucas horas de conversa,
dentre outros- quanto na busca por tudo aquilo ao seu redor, do outro, pessoas
que valorizam uma boa conversa in loco, uma pagamento em dinheiro vivo e não em
cartão de crédito, e uma pesquisa em livros e não na internet.
Nasci na
geração que pode ser considerada intermediária, entre a dita analógica, dos
meus pais, onde era valorizado o contato, o “face to face”, e a nova geração
extremamente conectada, em que as pessoas resolvem seus problemas mandando uma
mensagem no whatsapp. Olhando ao meu redor eu percebo cada vez mais um
distanciamento das pessoas, que quanto mais conectadas ao mundo parecem estar,
mais isoladas se tornam. Como por exemplo, meus próprios amigos, que me ligam
avisando que virão até a minha casa para conversar, chegam, se sentam no sofá e
não desgrudam do celular. Nossas conversas sendo interrompidas de segundo a
segundo pelo som das notificações de mensagens de algum aplicativo. Mensagens
essas que só chegam por eles estarem conectados a minha internet. Assim, acaba
sendo mais fácil conversar com meus próprios amigos usando um meio digital, do
que com eles ao meu lado.
Estamos
perdendo o contato visual, agora os olhos estão sempre voltados para uma tela e
não para uma pessoa, tornando as experiências mais frias e vazias. Porque
convenhamos, quem realmente dá uma gargalhada quando escreve um “kkk” nas redes
sociais? Quando possivelmente poderia realmente estar rindo ao conversar com
aquela mesma pessoa pessoalmente.
Olhando a
geração anterior, percebo agora uma necessidade crescente e até uma tentativa
desesperada das pessoas mais velhas de entrar no mundo digital, para não serem
deixadas para trás neste fluxo. Minha mãe é outro exemplo, vivia criticando as
amigas dela que sempre estavam “acariciando o celular”, na sua visão aquele hábito
era estranho, de ficar o dia todo com seu smartphone na internet. Foi então que
semana passada ela adquiriu seu primeiro smartphone com a função touchscreen.
Ao chegar da faculdade fui abordado por ela, que queria orientações de como
utilizar o produto, o que por si só já mostra o choque das gerações, digital e
analógica. No dia seguinte passo pela sala e lá está ela, “acariciando” o
celular, conectada ao Facebook. Fui obrigado a parar e comentar que por ironia
agora ela fazia parte do grupinho de amigas que havia se rendido a tal
tecnologia.
Situações
assim estão cada vez mais comuns, e ao meu ver, o crescente avanço na acessibilidade e esse ambiente conectado em que estamos vivendo é por sua vez
muito pratico e cômodo, sem contar que para a nova geração isso tudo parece
algo comum, mas sinto uma grande tristeza em ver que hoje é mais fácil alguém
procurar um site de conselhos na internet do que pedir ajuda a um amigo. As
relações se tornam mais frias à medida que as pessoas ficam mais conectadas, e
isso me assusta, visto que vivi a minha infância em uma sociedade pré-digital. Um
paradoxo em que estar conectado a uma pessoa nem sempre é estar junto dela.

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