domingo, 23 de março de 2014

[Crônica] A conexão que nos afasta

Por  Guilherme César

Imagem encontrado no Google 


Em uma sociedade onde estar conectado ao mundo por meio da internet está cada vez mais comum, o choque entre as gerações analógica e digital é praticamente inevitável. De um lado temos a instantaneidade, tanto nas relações –namoros que duram dias, pessoas que se tornam melhores amigos em poucas horas de conversa, dentre outros- quanto na busca por tudo aquilo ao seu redor, do outro, pessoas que valorizam uma boa conversa in loco, uma pagamento em dinheiro vivo e não em cartão de crédito, e uma pesquisa em livros e não na internet.
Nasci na geração que pode ser considerada intermediária, entre a dita analógica, dos meus pais, onde era valorizado o contato, o “face to face”, e a nova geração extremamente conectada, em que as pessoas resolvem seus problemas mandando uma mensagem no whatsapp. Olhando ao meu redor eu percebo cada vez mais um distanciamento das pessoas, que quanto mais conectadas ao mundo parecem estar, mais isoladas se tornam. Como por exemplo, meus próprios amigos, que me ligam avisando que virão até a minha casa para conversar, chegam, se sentam no sofá e não desgrudam do celular. Nossas conversas sendo interrompidas de segundo a segundo pelo som das notificações de mensagens de algum aplicativo. Mensagens essas que só chegam por eles estarem conectados a minha internet. Assim, acaba sendo mais fácil conversar com meus próprios amigos usando um meio digital, do que com eles ao meu lado.
Estamos perdendo o contato visual, agora os olhos estão sempre voltados para uma tela e não para uma pessoa, tornando as experiências mais frias e vazias. Porque convenhamos, quem realmente dá uma gargalhada quando escreve um “kkk” nas redes sociais? Quando possivelmente poderia realmente estar rindo ao conversar com aquela mesma pessoa pessoalmente.
Olhando a geração anterior, percebo agora uma necessidade crescente e até uma tentativa desesperada das pessoas mais velhas de entrar no mundo digital, para não serem deixadas para trás neste fluxo. Minha mãe é outro exemplo, vivia criticando as amigas dela que sempre estavam “acariciando o celular”, na sua visão aquele hábito era estranho, de ficar o dia todo com seu smartphone na internet. Foi então que semana passada ela adquiriu seu primeiro smartphone com a função touchscreen. Ao chegar da faculdade fui abordado por ela, que queria orientações de como utilizar o produto, o que por si só já mostra o choque das gerações, digital e analógica. No dia seguinte passo pela sala e lá está ela, “acariciando” o celular, conectada ao Facebook. Fui obrigado a parar e comentar que por ironia agora ela fazia parte do grupinho de amigas que havia se rendido a tal tecnologia.
Situações assim estão cada vez mais comuns, e ao meu ver, o crescente avanço na acessibilidade e esse ambiente conectado em que estamos vivendo é por sua vez muito pratico e cômodo, sem contar que para a nova geração isso tudo parece algo comum, mas sinto uma grande tristeza em ver que hoje é mais fácil alguém procurar um site de conselhos na internet do que pedir ajuda a um amigo. As relações se tornam mais frias à medida que as pessoas ficam mais conectadas, e isso me assusta, visto que vivi a minha infância em uma sociedade pré-digital. Um paradoxo em que estar conectado a uma pessoa nem sempre é estar junto dela.


Nenhum comentário:

Postar um comentário