sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

[Poema] A chuva e o amor

Me sento novamente a beira da praia,
as ondas tocando meus pés descalços
Em silêncio reflito sobre o que insiste em queimar meu peito
Em silêncio, sou tomado pelas lembranças.

O silêncio é cortado pelos trovões que ecoam sobre o mar
No céu as nuvens negras predizem a chegada de uma violenta tempestade
Os raios de sol já não conseguem trespassar as nuvens
O dia mais parece noite

Enquanto espero a chuva cair eu me pergunto por que meu peito doí
Me pergunto o que diabos é aquela sensação
E descubro que aquilo na verdade é um amor contigo
Um amor que me incendiou

De tão intenso esse amor afastou quem eu amava
De tão intenso, esse amor assustou a quem pertencia.
De tão intenso, espantou a quem eu protegia.
De tão intenso... Queimou quem aqui estava


Descubro então o que nunca achei possível
Descubro que fora eu a razão dos meus amores incompreendidos
Descubro que fora eu que afastei a quem amei
Com esse amor intenso, eu te queimei

Agora que o vento forte toca minha pele
Que a chuva se prepara para cair
Eu entendo que mesmo tentando
Não parece existir alguém que suporte
O amor que tenho para lhe dar

No fim ninguém consegue suportar chamas tão fortes
Ninguém consegue aguentar a força do amor que guardo dentro de mim
E eu não consigo aguentar,
Guardar isso tudo só para mim

De olhos fechados eu ergo meu rosto aos céus
Suplico que a chuva caia e leve embora aquelas chamas
Suplico que a chuva me livre de todo o amor
Pois sem ter alguém a quem entregá-lo, o amor se torna dor

E finalmente eu sinto uma gota escorrer
Caindo do meu queixo ela se vai
Logo depois mais gotas caem
Em uma tentativa desesperada tentam apagar a dor

Agradeço aos céus por me salvarem
Por tentarem me livrar da dor
E tento fingir que aquelas gotas vêm do céu
E não dos meus olhos encharcados de amor.

Por: Guilherme César

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