Parado eu observo meu reflexo no espelho.
Ali, do outro lado alguém sorri.
Um sorriso sínico, debochado, irônico.
Sorri por saber o quão vazio eu sou.
Sabe o quanto meu coração puro sofre por não
conseguir viver a realidade.
Sofre com a solidão.
Mas o reflexo sorri.
Seus olhos mostram o prazer que senti nisso tudo.
Na dor, na tristeza, na solidão.
Porque com isso ele me mostra o quão fraco sou.
O quão incompleto eu sempre fui.
Mascarado com a face de um bom rapaz.
Tentando viver como um anjo de asas negras.
Que faz o bem retirando forças de seu lado mais
sombrio.
No fim eu não existo.
No fim nem mesmo o reflexo existe.
Ambos sabemos da verdade.
Sabemos que talvez as virtudes que finjo estampar em
meu peito não existam.
Sabemos que o amor que tento acreditar é apenas mais
um devaneio.
Tudo não passa de uma busca desenfreada por algo que
me torne completo.
Algo que me cure.
Mas eu não estou doente.
Só estou sozinho.
Ele sorri novamente. Sorri e desvia o olhar.
Lento caminha pela porta e com um último olhar ele
se vai.
Fico preso no espelho e percebo que era eu o
reflexo.
Sou eu quem está preso no lado errado de tudo isso.
Sozinho novamente.
by: Guilherme César
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