sábado, 19 de março de 2016

[+18. Crônica] Entre foder e fazer amor

 Por Guilherme César



Uma pausa nos textos sobre cinema, nos poemas e nos contos, para falarmos de um assunto que todo mundo gosta, todo mundo faz, mas no geral, sempre vira tabu: o sexo. Se você viveu trancado sua vida inteira e subitamente saiu de sua prisão e veio ler o meu blog, vamos explicar, sexo é quando o papai tenta colocar uma sementinha dentro da barriga da mamãe... opa, não, pera (kkkk). Esse texto não é nem de perto uma análise cientifica nem cultural do que é o sexo, mas sim uma leve reflexão sobre a dúvida que atinge a todos nós pelo menos uma vez na vida: o que é melhor, foder ou fazer amor? Em tese, ambos levam ao mesmo fim, sentir prazer. Contudo, se diferem bruscamente em seu conceito, na forma de fazer e em com quem fazer. Beleza, sexo é sexo, o básico você já sabe, com certeza, mas o que queremos aqui é entender a fundo (desculpe o trocadilho) as diferenças desses dois termos e claro, escolher um deles, ou não.

Li alguns textos onde o pessoal foca em diferenciar o significado dos termos enquanto palavras e em quais situações podem ser usadas. Amigo, para. É legal saber que a gente não fala foder perto dos pais (ou fala, se sua família é liberal), que é fofinho falar “fazer amor” e que é muito vulgar “foder”. Existem mulheres até que tem nojo do termo foder, assim como o trepar. Existem bem menos agora, com o sucesso do (tosco) 50 tons de (putaria) Cinza, mas ainda existem. Frescura? Cultura? Valores aprendidos na família? Dane-se, no fim, na hora que “fazer amor” vira rotina, perde o brilho, toda garota tímida (e garotos também, claro) acaba querendo foder gostoso para sair da rotina e ambos –foder e fazer amor- são bem mais que significados achados num dicionário.
Ok. Mas o que é foder? Foder é a vertente mais selvagem e ardente do sexo. Foder não requer um lugarzinho tranquilo. Pode ser no carro, no chão, no corredor, no sofá, na esquina deserta. Foder pede pelo tesão, pelos gemidos, arranhões. Pelos xingamentos, os famosos “vagabunda”, “puto” e “me arromba” ao pé do ouvido ou gritados num quarto de motel. Foder a gente fode em qualquer lugar, com qualquer pessoa. Basta ter aquela atração, o tesão, a vontade que te enlouquece. Foder é suar, é terminar a trepada ofegante, sem forças, um por cima do outro, com o quarto uma bagunça, as roupas jogadas, aquele calor que te consome. Foder não requer compromisso, planos para o futuro, sentimento. Requer aquela vontade eminente, o tesão que explode, a vontade de gritar sem pudor. Pudor é o que menos se tem ao foder. Você solta seus bichos, urra de prazer. Dá tapas na bunda, mordidas, arranhões. Deixa marcas, chupões. Amarra, amordaça, venda.
Quando se vai foder, você não pode trazer contigo medos, nojo, receio. Nada de frescuras com palavrões, de ascos sobre posições e temores sobre lugares impróprios. Tudo isso é bagagem que apenas pesa, apenas lhe diminui o libido, são correntes que não te proporcionarão prazer. Foder é soltar seu lado putão, pervertido, safado ao extremo. Liberar os instintos animais, se livrar do estresse da vida, se entregar ao prazer, sem preconceitos. É seguir num ritmo acelerado, frenético, para terminar esgotado, feliz e cheio de gozo espalhado, um sorriso abobado e uma expressão de estar realizado.
Já fazer amor é diferente, vem com cumplicidade, confiança, sentimento. Para fazer amor você precisa de amor. Não creio que dá para fazer isso de forma casual. Fazer amor é seguir um ritmo lento, é tocar cada parte do corpo com delicadeza, suspirar, beijar, acariciar. É curtir cada segundo, com clima, deliciando o corpo alheio, brincando com cada sensação.  É aquele toque leve que te deixa em chamas, é o “eu te amo” sussurrado no escuro, em meio aos lençóis. Fazer amor é ter tempo e privacidade. Um local tranquilo para se amar, para aproveitar o outro. É saborear cada sensação, cada toque. Tirar as roupas devagarinho, com beijos no pescoço, olho no olho. É ver no outro o futuro que se quer junto. É sentir a segurança de estar nu, livre das preocupações, junto da pessoa que é seu porto-seguro. Fazer amor requer um breve entendimento do outro. Você precisa saber do que ela(ele) gosta, saber onde tocar e como tocar. Fazer amor é querer dar prazer, proporcionar aquela sensação de bem estar e não só sentir.
Fazer amor vem acompanhado das promessas para o futuro, do carinho depois da transa, do dormir agarradinho. De sonhar juntos, de lutar juntos. Fazer amor é o premio que você recebe depois do dia cansativo. É a sua ida a um spa para relaxar, sem sair de casa. Sim, fazer amor requer um relacionamento e muitas vezes um casamento. Casamento não só no papel, mas nos ideais, nos sonhos.  Requer comprometimento, companheirismo. E lhe dá em troca alguém com quem contar, alguém que você vai querer abraçar sempre. Fazer amor é encontrar no corpo do outro um lugar para descansar. É comungar do amor, é sorrir com ternura olhando no olho, é sentir em cada olhar aquele sentimento que aquece o peito, que te faz querer apertar a pessoa em um abraço interminável.
Foder você fode de luz acessas, de dia, de noite, não precisa planejar. Fazer amor é mais gostoso no frio, quando tudo que você quer é alguém para te aquecer. Foder pode vir acompanhado de um vazio no dia seguinte. Daquela vontade de ligar, mas saber que não pode. Fazer amor é saber que no dia seguinte vai receber aquela mensagem na hora do almoço com um “eu te amo”. É ver aquele bilhete ao seu lado na cama “Fui trabalhar, te busco para almoçarmos juntos”. Em tese, foder é algo casual, mas também um santo remédio para casais que perderam o tesão ao longo do tempo e rotina.
Não existem regras para ambos, cada um tem seu momento, suas vantagens e desvantagens. O amor dói, vem junto à saudade e não é porque se ama que um casal não terá brigas. Foder tem a vantagem de ser ótimo como sexo casual, já fazer amor é complicado de se fazer de forma casual. Se você ama alguém e faz amor sem compromisso, pode saber que vai sofrer.
Ambos te farão bem, cada um à sua maneira. Contudo se você se sentiu mais atraído por foder casualmente (e claro que não tem como não ficar atraído), saiba dos riscos: para foder de forma casual você tem que estar preparado para o vazio que vem depois. Para as desvantagens de não ter aquele alguém que te apoie ou te aqueça nas noites frias.
Agora, se você é do time oposto e vive um relacionamento onde prevalece o “fazer amor”, você não perde nada em inovar e foder com seu(sua) amado(a). Foder te tira da rotina. Ligar para o parceiro no trabalho e dizer “quero você me fodendo forte na hora do almoço”...  Ahhh, isso não tem preço. Foder e fazer amor são ótimos e para um relacionamento sério, variar entre eles é a receita para o sucesso. Afinal, porque não foder forte, e com amor?

Para mim, não dá para escolher, mas é ótimo ter essa duvida gostosa. O que vai ser hoje? No fim do dia o que me importa é terminar ao lado de quem amo, fodendo ou fazendo amor, o que importa é o prazer que vem junto à sensação de estar completo. E para você, que leu isso tudo esperando por uma resposta, qual prefere? Deixo a conclusão para você. E independente da escolha, use camisinha, tome seu anticoncepcional, afinal, o preço da frauda tá caro, viu? 



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