Por Guilherme
César
Eu caminhei por
tanto tempo sozinho e ainda assim cercado por tantas pessoas. Podia ouvir o som
de suas vozes, mas em meio à escuridão eu não conseguia enxerga-las. Algumas
sussurravam palavras de apoio, outras gritavam ofensas. Havia momentos de
extremo silêncio, um silêncio tão cortante quanto mil espadas, mas eu
caminhava. Seguia as cegas, seguia no escuro, lutando contra mim mesmo, lutando
contra tudo que mais temia, lutando contra a solidão que eu sempre sentia. Tudo
era tão frio, tudo era tão escuro. Meus olhos raramente captavam luzes, luzes
daqueles que eu amava, luzes das vozes que sussurravam, que pediam que eu
continuasse firme. Por vezes ao chão eu fui parar, o corpo a sangrar, a alma
ferida. Caído eu ofegava, gritava por ajuda sem que som algum saísse de minha
boca. Meu corpo era apenas um borrão, uma manhã cinza, um vulto sem vida, sem
cor, sem alegria. Em meu peito um buraco existia, onde o coração já não mais
batia.
Eu estava só, mesmo perto daqueles que me
amavam, tudo por causa da escuridão que me circundava. Não, a escuridão não era
maligna, não era opressora, era apenas um retrato da dor, um reflexo de meus
medos e frustrações. Eu ansiava por ajuda, mas a cada passo o que eu encontrava
eram pernas para me derrubar. Golpes pelas costas, ofensas gritadas, tristeza
imaculada. Já não sabia para onde caminhar, já não saia como continuar. Sonhos
vividos me davam esperanças e eu tolo, como uma criança, perseguia as cegas
algo que me retirasse daquelas circunstancias.
E em um dia
frio, sem esperanças de continuar, finalmente meus pedidos alguém veio a
acatar. Surgiu um belo anjo, um ser casto repleto de luz, e toda a escuridão se
foi. Então eu vi o caminho, eu vi por onde continuar. Meu peito ardia, algo
pulsava dentro de mim. Um coração? Um coração a bater, a me impulsionar. Ela, o
anjo, havia chegado para me resgatar. Segurando sua mão eu sabia que tudo eu
podia enfrentar.
Dias doces
vieram, col0ridos, brilhantes, repletos de alegria a cada instante. Junto dela
estavam todos aqueles que sussurravam, sorrindo por ver que a escuridão
acabara. Mas a luz sempre atrai muita atenção e rápido veio o contra-ataque que
prometia a destruição. Tantas lutas, tantas tentativas de me separar do doce
anjo que viera me salvar. Agora a luz persistia em iluminar, me protegendo da
escuridão que sempre tentava se aproximar.
E hoje eu sei,
que as batalhas sempre existirão. A escuridão está ali, esperando a melhor
ocasião. Mas não cabe a mim desistir, de fato não vou deixar de sorrir. O anjo
que me ilumina também precisa de proteção, por ele e tão somente por ele eu
vencerei qualquer artimanha da escuridão. Pois quando bebemos da felicidade,
nada mais nos satisfaz, senão o amor e a união. Meu doce anjo, continuarei ao
seu lado, e agora, sou eu que lhe protegerei de toda essa escuridão.

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