terça-feira, 21 de abril de 2015

[CRÔNICAS] A Luz e a Escuridão


Por Guilherme César



Eu caminhei por tanto tempo sozinho e ainda assim cercado por tantas pessoas. Podia ouvir o som de suas vozes, mas em meio à escuridão eu não conseguia enxerga-las. Algumas sussurravam palavras de apoio, outras gritavam ofensas. Havia momentos de extremo silêncio, um silêncio tão cortante quanto mil espadas, mas eu caminhava. Seguia as cegas, seguia no escuro, lutando contra mim mesmo, lutando contra tudo que mais temia, lutando contra a solidão que eu sempre sentia. Tudo era tão frio, tudo era tão escuro. Meus olhos raramente captavam luzes, luzes daqueles que eu amava, luzes das vozes que sussurravam, que pediam que eu continuasse firme. Por vezes ao chão eu fui parar, o corpo a sangrar, a alma ferida. Caído eu ofegava, gritava por ajuda sem que som algum saísse de minha boca. Meu corpo era apenas um borrão, uma manhã cinza, um vulto sem vida, sem cor, sem alegria. Em meu peito um buraco existia, onde o coração já não mais batia.

 Eu estava só, mesmo perto daqueles que me amavam, tudo por causa da escuridão que me circundava. Não, a escuridão não era maligna, não era opressora, era apenas um retrato da dor, um reflexo de meus medos e frustrações. Eu ansiava por ajuda, mas a cada passo o que eu encontrava eram pernas para me derrubar. Golpes pelas costas, ofensas gritadas, tristeza imaculada. Já não sabia para onde caminhar, já não saia como continuar. Sonhos vividos me davam esperanças e eu tolo, como uma criança, perseguia as cegas algo que me retirasse daquelas circunstancias.
E em um dia frio, sem esperanças de continuar, finalmente meus pedidos alguém veio a acatar. Surgiu um belo anjo, um ser casto repleto de luz, e toda a escuridão se foi. Então eu vi o caminho, eu vi por onde continuar. Meu peito ardia, algo pulsava dentro de mim. Um coração? Um coração a bater, a me impulsionar. Ela, o anjo, havia chegado para me resgatar. Segurando sua mão eu sabia que tudo eu podia enfrentar.
Dias doces vieram, col0ridos, brilhantes, repletos de alegria a cada instante. Junto dela estavam todos aqueles que sussurravam, sorrindo por ver que a escuridão acabara. Mas a luz sempre atrai muita atenção e rápido veio o contra-ataque que prometia a destruição. Tantas lutas, tantas tentativas de me separar do doce anjo que viera me salvar. Agora a luz persistia em iluminar, me protegendo da escuridão que sempre tentava se aproximar.

E hoje eu sei, que as batalhas sempre existirão. A escuridão está ali, esperando a melhor ocasião. Mas não cabe a mim desistir, de fato não vou deixar de sorrir. O anjo que me ilumina também precisa de proteção, por ele e tão somente por ele eu vencerei qualquer artimanha da escuridão. Pois quando bebemos da felicidade, nada mais nos satisfaz, senão o amor e a união. Meu doce anjo, continuarei ao seu lado, e agora, sou eu que lhe protegerei de toda essa escuridão. 

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