Por Guilherme César
Talvez a mais doce metáfora da minha vida seja a do
porto
Um local de refúgio, de passagem
Um alento de mares agitados
Tão esperado no meio de uma viagem
Um local onde aqueles que anseiam por terra firme
podem desembarcar
Onde aqueles que precisam de conforto possam descansar
Onde nas mais perigosas tempestades possam se
abrigar
Onde depois das longas viagens possam retornar
Entre devaneios e suspiros eu reflito sobre essa
metáfora
Me pego então perplexo diante da conclusão
Eis que me vejo como um porto
Eis que percebo o que sempre foi uma afirmação
Acabo por ser o abrigo daqueles que precisam de
refúgio
Parada para aqueles que precisam de descanso
Ponto de partida para aqueles que querem ir atrás de
seus sonhos
Desembarque para aqueles que por muito já viajaram
E aquelas pessoas que fracas estão
Cansadas e machucadas pela fúria do mar
Exaustas de tanto navegar
Acabam por vir até mim para se curar
E aqueles que se encontram perdidos
Depois de dias de viagem afinco
Encontram em mim uma direção
Uma pequena parada para orientação
Para aqueles que estão desolados,
Com seus suprimentos escassos
Sou uma forma de recarregar
Uma forma de manutenção a fim de continuar a viajar
Um porto seguro para os doentes
Para aqueles que sua alma está decadente
Para aqueles com o coração que não mais sente
Uma breve parada é o suficiente
E assim as pessoas vêm e vão
Buscam pela cura, por ajuda e orientação.
Como se eu fosse uma parada em suas vidas
Viajantes de passagem só de ida
E por mais que eu goste de ajudar
E por mais que corações eu adore consertar
Não me sinto bem em não ter alguém que aqui possa
ficar
Alguém que em terra firme anseie morar
Tudo que eu queria era alguém para confortar
Alguém que dissesse que não mais iria viajar
Alguém que descobrisse que é mais corajoso aqui
estar
Do que de volta ao mar insistir em navegar

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