quarta-feira, 5 de novembro de 2014

[Poema] Porto seguro

Por Guilherme César





Talvez a mais doce metáfora da minha vida seja a do porto
Um local de refúgio, de passagem
Um alento de mares agitados
Tão esperado no meio de uma viagem


Um local onde aqueles que anseiam por terra firme podem desembarcar
Onde aqueles que precisam de conforto possam descansar
Onde nas mais perigosas tempestades possam se abrigar
Onde depois das longas viagens possam retornar

Entre devaneios e suspiros eu reflito sobre essa metáfora
Me pego então perplexo diante da conclusão
Eis que me vejo como um porto
Eis que percebo o que sempre foi uma afirmação

Acabo por ser o abrigo daqueles que precisam de refúgio
Parada para aqueles que precisam de descanso
Ponto de partida para aqueles que querem ir atrás de seus sonhos
Desembarque para aqueles que por muito já viajaram

E aquelas pessoas que fracas estão
Cansadas e machucadas pela fúria do mar
Exaustas de tanto navegar
Acabam por vir até mim para se curar

E aqueles que se encontram perdidos
Depois de dias de viagem afinco
Encontram em mim uma direção
Uma pequena parada para orientação

Para aqueles que estão desolados,
Com seus suprimentos escassos
Sou uma forma de recarregar
Uma forma de manutenção a fim de continuar a viajar

Um porto seguro para os doentes
Para aqueles que sua alma está decadente
Para aqueles com o coração que não mais sente
Uma breve parada é o suficiente

E assim as pessoas vêm e vão
Buscam pela cura, por ajuda e orientação.
Como se eu fosse uma parada em suas vidas
Viajantes de passagem só de ida

E por mais que eu goste de ajudar
E por mais que corações eu adore consertar
Não me sinto bem em não ter alguém que aqui possa ficar
Alguém que em terra firme anseie morar

Tudo que eu queria era alguém para confortar
Alguém que dissesse que não mais iria viajar
Alguém que descobrisse que é mais corajoso aqui estar
Do que de volta ao mar insistir em navegar

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