Por Guilherme César
É
um fato de que esse texto não é o primeiro e nem será o último que falará
desta saga incrível que muita gente ama, Harry Potter. Escrito pela genial J.K.
Rowling, uma mulher que foi capaz de criar um dos mundos mais encantadores de
toda a literatura mundial e para mim um dos eternos sucessos do ramo. Bom,
hoje, como um assumido fã, irei falar um pouco do que essa saga significa para
mim.
Meados de 2003, minha professora da
quarta série na época decidiu ler para nós um livro que estava fazendo um
grande sucesso. Durante um bom tempo ela leu um capitulo por dia servindo como
guia em um mundo literalmente mágico. Aquele foi o primeiro contato que tive
com a saga, ouvindo a narração da minha professora sobre Harry Potter e a Pedra
Filosofal. Até então eu não tinha tido interesse de ir assistir ao filme e não
demorou muito para que eu me arrependesse de não ter ido ao cinema. Logo
depois eu já havia visto ambos os filmes, A Pedra Filosofal e a Câmara Secreta.
Se me apaixonei pela história? Claro! Eu com meus onze anos, a mesma idade do
protagonista no primeiro filme e naquela época possuía uma leve semelhança física
com ele. Magro, branquelo, cabelos pretos com um penteado semelhante e óculos.
Todos da sala e muitas pessoas do bairro passaram a me chamar de Harry.
O tempo foi passando e minha paixão
pela história só crescia. Um mundo mágico facilmente capaz de hipnotizar qualquer
criança. Sempre que a música tema dos filmes tocava um arrepio percorria meu
corpo, eu sabia que aquele era o sinal de que estávamos indo para um lugar onde
tudo parecia possível.
Foi no final de 2003 ainda que eu
ganhei meu primeiro livro, Harry Potter e o Cálice de Fogo. Além de ter sido o
primeiro livro da saga que ganhei, foi também o primeiro livro da coleção que
hoje tenho, da minha pequena biblioteca particular que pretendo ampliar muito
mais. Devorei o livro em pouco tempo. Fascinado e ansioso aguardei pelos
próximos filmes, um fã cada vez mais apaixonado.
Saiu então o terceiro filme, O
Prisioneiro de Azkaban. Esse que se tornou o meu filme favorito, vi no cinema e
voltei a ver outras dezenas de vezes em casa. A essa altura tudo que eu mais ansiava
era assistir o próximo filme da franquia, mas quando o dia finalmente chegou a
minha surpresa foi mais negativa do que positiva. O cálice de fogo foi e ainda
é para mim o pior dos filmes. A decepção que se instaurou quando vi aquele
filme foi grande demais para um pré-adolescente que adorava a história.
Personagens cortados, cenas cortadas, momentos épicos que ficariam apenas na
minha mente, afinal o filme era uma adaptação.
O choque foi grande e senti todo
aquele encanto se quebrar envolto a minha revolta. Seguiram-se mais quatro
filmes e os acompanhei sem muita expectativa. Finalizei a franquia com muitas
criticas e pouco daquele encanto que possuía quando ainda era criança. Contudo,
algo em mim nunca morreu em relação a saga, a vontade de retornar a leitura dos
livros, de ler todos em sequência e de redescobrir aquele sentimento de criança
era algo que não desaparecia. E eu sabia que um dia eu precisaria ler todos os
livros para aquietar a criança interior que ainda chorava para retornar àquele
mundo, para reviver aquela sensação.
Foi no mês passado então que eu
finalmente sucumbi ao desejo daquele pequeno Eu que não queria mais esperar.
Consegui emprestado com uma grande amiga e fã incondicional da saga os seus
livros emprestados –com muito custo até, pois sei que para ela são como um
tesouro- e um a um, eu fui lendo e o encanto voltou a arder dentro de mim. E
foi ontem, no dia das crianças que eu finalmente terminei de ler o último
livro, em tempo recorde, com uma sensação que nunca mais esquecerei.
Desde a primeira vez que me deparei
com a saga até os dias atuais, eu não só experimentei as mais diversas
sensações como também aprendi muito. O valor da amizade, o poder do amor, o
quão a coragem é algo incrível, o quanto nos faz bem deixar viva a criança que
reside dentro de nós. Nesse último mês me emocionei com diversas cenas dos livros a ponto de quase chorar, vibrei com momentos épicos e ri muito com vários
personagens. A inteligência de Hermione, a lealdade de Rony, a coragem de
Neville, a determinação de Harry, as genialidades Weasley, a doçura da Luna, a sabedoria
de Dumbledore e a capacidade de amar de Snape e Lilian são algumas das muitas
coisas que me fascinaram enquanto lia. É impossível você ler os livros e não se
perguntar “Poxa, como ela conseguiu criar um mundo tão perfeito?”. Ainda hoje
eu me pego esperando ansioso pela minha carta de Hogwarts, que não só eu, mas
todos os milhares de fãs também esperam. Sem falar no medo insano dos Dementadores, da vontade de apanhar uma varinha e gritar algum feitiço, ou de voar nas costas do Bicuço.
Depois de ler e rever todos os
filmes pude fazer uma análise mais detalhada, minuciosa a respeito das
mudanças. É um fato de que algumas coisas deveriam ser cortadas, de que
modificações deveriam ser feitas e hoje eu compreendo isso. Contudo, o Cálice
de Fogo, por mais que não seja de todo ruim, ainda é para mim o pior filme. Muitas
cenas eu queria ter visto nos cinemas, mas outras que só aconteceram nos filmes
também tiveram seu valor. As diferenças entre alguns personagens também é
notória, mas já não me causam mais tanta revolta. Harry nos livros e o Harry
dos filmes são personagens distintos, sendo o do livro muito mais real, muito
mais intenso, assim como todos os outros personagens. Muitas coisas deixaram de
ser contadas nos filmes, mas calma lá, você que só os assistiu, não tome essa
afirmação como algo para lhe desanimar, tome-a como incentivo para ir em busca
dos livros. Sem dúvidas, não tem como se arrepender de ler.
Outro fato que posso destacar é que
ainda não conheço tudo sobre a saga, falta muito para ver nesse imenso mundo
criado pela J.K. Porém, hoje eu já não me importo, pois sei que o encanto
jamais irá morrer. Já me imagino lendo os livros para minha filha, daqui vários
anos. Já me vejo recordando de todos os momentos felizes que o mundo dos bruxos
me proporcionou e de como é bom poder ter viajado até ele.
Digo com certeza que nunca esquecerei
que aprendi com a saga, de que nunca esquecerei o quão importante é ser leal
aos seus amigos, o quão importante é valorizar as mais diversas formas de amar. Das frases inesquecíveis ditas pelo sábio diretor de Hogwarts.Também nunca me esquecerei da importância de se acreditar na magia, sobretudo,
na magia das palavras. Afinal, como dito pelo lendário Alvo Dumbledore “Palavras
são, na minha nada humilde opinião, nossa inesgotável fonte de magia. Capazes
de causar grandes sofrimentos e também de remediá-los”. E dito isso, eu me
coloco como um escritor apaixonado, que seguirei os passos da autora desse
mundo bruxo e assim como ela irei criar o meu próprio mundo, para também tentar levar um pouco de magia a quem precisa, a quem quer fugir da realidade cinza na qual
vivemos.
E por fim, agora que o encanto de
criança voltou a se acender dentro de mim, terei o prazer de me reassumir como
fã, e de agradecer por ter tido a chance de retornar a esse mundo que tanto
significou e ainda significa para mim. E nunca me esquecerei que a magia é
eterna, basta acreditar. Acreditar “sempre”. Malfeito, feito.
P.S:
Um destaque para o personagem que quase me arrancou lágrimas, Dobby, você agora
é livre.







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