segunda-feira, 13 de outubro de 2014

[Crônica] Eu juro solenemente não fazer nada de bom!

Por Guilherme César 




         É um fato de que esse texto não é o primeiro e nem será o último que falará desta saga incrível que muita gente ama, Harry Potter. Escrito pela genial J.K. Rowling, uma mulher que foi capaz de criar um dos mundos mais encantadores de toda a literatura mundial e para mim um dos eternos sucessos do ramo. Bom, hoje, como um assumido fã, irei falar um pouco do que essa saga significa para mim.
            Meados de 2003, minha professora da quarta série na época decidiu ler para nós um livro que estava fazendo um grande sucesso. Durante um bom tempo ela leu um capitulo por dia servindo como guia em um mundo literalmente mágico. Aquele foi o primeiro contato que tive com a saga, ouvindo a narração da minha professora sobre Harry Potter e a Pedra Filosofal. Até então eu não tinha tido interesse de ir assistir ao filme e não demorou muito para que eu me arrependesse de não ter ido ao cinema. Logo depois eu já havia visto ambos os filmes, A Pedra Filosofal e a Câmara Secreta. Se me apaixonei pela história? Claro! Eu com meus onze anos, a mesma idade do protagonista no primeiro filme e naquela época possuía uma leve semelhança física com ele. Magro, branquelo, cabelos pretos com um penteado semelhante e óculos. Todos da sala e muitas pessoas do bairro passaram a me chamar de Harry.





            O tempo foi passando e minha paixão pela história só crescia. Um mundo mágico facilmente capaz de hipnotizar qualquer criança. Sempre que a música tema dos filmes tocava um arrepio percorria meu corpo, eu sabia que aquele era o sinal de que estávamos indo para um lugar onde tudo parecia possível.
            Foi no final de 2003 ainda que eu ganhei meu primeiro livro, Harry Potter e o Cálice de Fogo. Além de ter sido o primeiro livro da saga que ganhei, foi também o primeiro livro da coleção que hoje tenho, da minha pequena biblioteca particular que pretendo ampliar muito mais. Devorei o livro em pouco tempo. Fascinado e ansioso aguardei pelos próximos filmes, um fã cada vez mais apaixonado.
            Saiu então o terceiro filme, O Prisioneiro de Azkaban. Esse que se tornou o meu filme favorito, vi no cinema e voltei a ver outras dezenas de vezes em casa. A essa altura tudo que eu mais ansiava era assistir o próximo filme da franquia, mas quando o dia finalmente chegou a minha surpresa foi mais negativa do que positiva. O cálice de fogo foi e ainda é para mim o pior dos filmes. A decepção que se instaurou quando vi aquele filme foi grande demais para um pré-adolescente que adorava a história. Personagens cortados, cenas cortadas, momentos épicos que ficariam apenas na minha mente, afinal o filme era uma adaptação.




            O choque foi grande e senti todo aquele encanto se quebrar envolto a minha revolta. Seguiram-se mais quatro filmes e os acompanhei sem muita expectativa. Finalizei a franquia com muitas criticas e pouco daquele encanto que possuía quando ainda era criança. Contudo, algo em mim nunca morreu em relação a saga, a vontade de retornar a leitura dos livros, de ler todos em sequência e de redescobrir aquele sentimento de criança era algo que não desaparecia. E eu sabia que um dia eu precisaria ler todos os livros para aquietar a criança interior que ainda chorava para retornar àquele mundo, para reviver aquela sensação.
            Foi no mês passado então que eu finalmente sucumbi ao desejo daquele pequeno Eu que não queria mais esperar. Consegui emprestado com uma grande amiga e fã incondicional da saga os seus livros emprestados –com muito custo até, pois sei que para ela são como um tesouro- e um a um, eu fui lendo e o encanto voltou a arder dentro de mim. E foi ontem, no dia das crianças que eu finalmente terminei de ler o último livro, em tempo recorde, com uma sensação que nunca mais esquecerei.



            Desde a primeira vez que me deparei com a saga até os dias atuais, eu não só experimentei as mais diversas sensações como também aprendi muito. O valor da amizade, o poder do amor, o quão a coragem é algo incrível, o quanto nos faz bem deixar viva a criança que reside dentro de nós. Nesse último mês me emocionei com diversas cenas dos livros a ponto de quase chorar, vibrei com momentos épicos e ri muito com vários personagens. A inteligência de Hermione, a lealdade de Rony, a coragem de Neville, a determinação de Harry, as genialidades Weasley, a doçura da Luna, a sabedoria de Dumbledore e a capacidade de amar de Snape e Lilian são algumas das muitas coisas que me fascinaram enquanto lia. É impossível você ler os livros e não se perguntar “Poxa, como ela conseguiu criar um mundo tão perfeito?”. Ainda hoje eu me pego esperando ansioso pela minha carta de Hogwarts, que não só eu, mas todos os milhares de fãs também esperam. Sem falar no medo insano dos Dementadores, da vontade de apanhar uma varinha e gritar algum feitiço, ou de voar nas costas do Bicuço. 


            Depois de ler e rever todos os filmes pude fazer uma análise mais detalhada, minuciosa a respeito das mudanças. É um fato de que algumas coisas deveriam ser cortadas, de que modificações deveriam ser feitas e hoje eu compreendo isso. Contudo, o Cálice de Fogo, por mais que não seja de todo ruim, ainda é para mim o pior filme. Muitas cenas eu queria ter visto nos cinemas, mas outras que só aconteceram nos filmes também tiveram seu valor. As diferenças entre alguns personagens também é notória, mas já não me causam mais tanta revolta. Harry nos livros e o Harry dos filmes são personagens distintos, sendo o do livro muito mais real, muito mais intenso, assim como todos os outros personagens. Muitas coisas deixaram de ser contadas nos filmes, mas calma lá, você que só os assistiu, não tome essa afirmação como algo para lhe desanimar, tome-a como incentivo para ir em busca dos livros. Sem dúvidas, não tem como se arrepender de ler.
            Outro fato que posso destacar é que ainda não conheço tudo sobre a saga, falta muito para ver nesse imenso mundo criado pela J.K. Porém, hoje eu já não me importo, pois sei que o encanto jamais irá morrer. Já me imagino lendo os livros para minha filha, daqui vários anos. Já me vejo recordando de todos os momentos felizes que o mundo dos bruxos me proporcionou e de como é bom poder ter viajado até ele.
            Digo com certeza que nunca esquecerei que aprendi com a saga, de que nunca esquecerei o quão importante é ser leal aos seus amigos, o quão importante é valorizar as mais diversas formas de amar. Das frases inesquecíveis ditas pelo sábio diretor de Hogwarts.Também nunca me esquecerei da importância de se acreditar na magia, sobretudo, na magia das palavras. Afinal, como dito pelo lendário Alvo Dumbledore “Palavras são, na minha nada humilde opinião, nossa inesgotável fonte de magia. Capazes de causar grandes sofrimentos e também de remediá-los”. E dito isso, eu me coloco como um escritor apaixonado, que seguirei os passos da autora desse mundo bruxo e assim como ela irei criar o meu próprio mundo, para também tentar levar um pouco de magia a quem precisa, a quem quer fugir da realidade cinza na qual vivemos.
           


              E por fim, agora que o encanto de criança voltou a se acender dentro de mim, terei o prazer de me reassumir como fã, e de agradecer por ter tido a chance de retornar a esse mundo que tanto significou e ainda significa para mim. E nunca me esquecerei que a magia é eterna, basta acreditar. Acreditar “sempre”. Malfeito, feito.




P.S: Um destaque para o personagem que quase me arrancou lágrimas, Dobby, você agora é livre. 


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