Por Guilherme César
Sábado, mente cheia de pensamentos vazios. Muita coisa se
misturando e virando um grande nada. Decido então organizar os pensamentos em
linhas, para ver se entendo o que se esconde na minha própria mente. No meio
disso, com uma canção ao fundo, começo a refletir sobre a influência da música
na minha vida.
Se você já parou para ler e refletir sobre a letra de
alguma música que gosta, já se sentiu assustado pela letra se encaixar perfeitamente
com o que estava sentindo. Sim, feito mágica. Acredito que qualquer pessoa já
tenha passado por isso pelo menos uma vez.
Sou um grande fã de músicas internacionais. Alguns anos
atrás me apaixonei pelas músicas japonesas – e algumas coreanas. Não saber o
que se dizia na letra nunca foi um problema para mim, não me importava muito,
bastava a melodia e as sensações que estas músicas me proporcionavam. Contudo,
ao longo do tempo passei a pesquisar mais sobre as traduções de tais músicas – não
só das orientais – e me vi encantado por letras incrivelmente tocantes. Músicas
pelas quais já era apaixonado se tornavam perfeitas, pareciam se inspirar na
minha vida. Por diversas vezes descreviam perfeitamente tudo o que eu estava
sentindo e tudo aquilo que eu estava passando. Assim, elas foram, uma a uma, se
juntando em uma lista que posso chamar de “a trilha sonora da minha vida”.
Como elas podem fazer tanto sentido assim? Já pensei ser
fruto da minha mente, afinal enxergamos aquilo que queremos ver. A
interpretação é uma questão de bagagem e é feita de maneira diferente de um
indivíduo para o outro. Nosso cérebro associa a letra aos momentos que
passamos, ao que estamos sentindo e “voilà”, a música parece ter sido escrita
para a pessoa que está lendo. Isso se resume naquela velha frase “sabemos que
estamos apaixonados quando a letra de uma música romântica passa a fazer
sentido”, não dá para negar, afinal. Antes aquele conjunto de frases cantadas
nem parecia ter uma lógica, você poderia ler e reler por horas que nada
pareceria se encaixar, porém, com a pitada do sentimento certo, uma linda letra
capaz de lhe arrancar lágrimas surge diante de seus olhos.
De
certo modo, essa é a melhor explicação para esse “fenômeno” que sempre ocorre
com todos nós, mas como tenho sempre essa queda pelo lado sobrenatural, prefiro
acreditar que aquilo é o Universo mandando uma mensagem não tão subliminar. Não,
uma música de uma banda americana não foi escrita embasada no que você está
vivendo agora. Talvez até o que esteja vivendo se assemelhe ao que inspirou o
cantor, mas esse não é o ponto. O que me faz acreditar no lado sobrenatural da
coisa, é justamente o fato dessas músicas surgirem em nossas vidas no momento
certo. Algo que ocorre aleatoriamente, simplesmente não parece para mim, ser
algo aleatório. Seria bem romântico da minha parte acreditar que uma força
superior escolhe com cuidado as músicas que vamos ouvir, justamente para casar
com o momento –e aí está o trabalho do
responsável pela trilha sonora nos filmes- , mas perderia toda a magia
acreditar que é fruto da nossa mente.
Independente
de ser ou não obra do Universo, ou apenas um fato do acaso relacionado a nossa
interpretação, creio que é uma das melhores coisas relacionadas a música. O
encaixe perfeito entre nossos sentimentos, o meio a nossa volta e uma música de
fundo, uma harmonia simples e que nos fixa na memória músicas aliadas a
lembranças de momentos –tristes ou alegres- tornando-os inesquecíveis. Assim, dá
para dizer com certeza que todo grande amor tem a capacidade de tornar boas
músicas inesquecíveis e de fazer delas a cura e o veneno para corações
partidos. E não só no amor, mas em tudo em nossa vida, uma boa música sempre
nos marcará –assim como uma música ruim. Então colecionando momentos e músicas,
vamos vivendo, acrescentando em nossa trilha sonora um número infinito de
músicas, já que quanto mais músicas, mais momentos teremos para lembrar. E no
fim, mas sentimentos teremos guardado conosco.

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