[Crônica] Protagonismo
Por Guilherme César
Domingo,
calor, muito calor, fim de semana que antecede as últimas provas da faculdade e
como sempre parei para o meu ritual de relaxamento para provas, fui assistir um
filme. Não sou o tipo de apaixonado por cinema que assiste filmes para poder
analisar a cenografia, a fotografia ou todas essas coisas que críticos e
amantes do cinema fazem, eu assisto porque amo histórias e percebi isso faz
pouco tempo. Contudo, antes que eu me desvie do assunto principal, devo deixar
claro que cinema não é o assunto desta minha segunda crônica. Você
já assistiu algo (ou leu) e se colocou no lugar do protagonista?
Comigo
acontece diariamente, acho que possuo essa tal síndrome do protagonismo.
Séries, animes, livros, filmes e até músicas, sempre parece ser eu ali no
centro da história. Talvez seja realmente uma doença, uma síndrome, ou um seja
meu ego que em certos momentos é colossal. Tanto faz.
Claro,
guardando as devidas proporções, sempre me vejo nos protagonistas. Normalmente
os heróis desajustados que vivem o eterno conflito entre o lado bom e o mal, os
meio loucos desajeitados e tímidos, ou apenas aqueles que começam o filme
apaixonados por uma garota linda e no final conseguem conquistar o coração
delas. Mesmo com as diferenças que sempre existem, acho que acontece muito isso
comigo.
De
certa forma é algo bom saber que situações que você poderia se encontrar podem
ter um final feliz. Talvez eu esteja sendo manipulado pelas histórias tentando
criar um vinculo com o personagem principal para que assim eu tente viver
aquela história. Talvez por ser mais emocionante que a minha vida ou talvez por
achar que aquele final feliz possa acontecer comigo. Meu
livro é um grande exemplo disso, me colocar como “o protagonista” não foi nada
humilde, mas e daí? Muitos acham que ele é o que eu quero ser, mas poucos sabem
é que ele, o protagonista lá, é quem eu realmente sou. Então, antes que eu me
desvie do assunto novamente, vamos parar para pensar, o que aquele protagonista
do filme que você acabou de assistir te ensinou?
Não,
eu não estou sendo romântico achando que o cinema foi criado para ensinar algo,
talvez tenha sido, mas devemos lembrar que tudo que gera entretenimento foi feito
visando o lucro. Tudo no mundo é assim, mas porque não podemos tentar enxergar
o lado bom da vida? (outro filme que assisti ultimamente e recomendo) Na minha
não tão humilde opinião, tudo tem seu lado positivo, mesmo aquelas coisas que
te fazem surtar e que você diz “porra, que merda de vida!”, tudo, exatamente
tudo tem um lado bom. E as histórias
também. Eis
que essa síndrome de protagonismo sempre me ensina algo. Todos os protagonistas
que me identifiquei me mostraram coisas em mim que eu devia preservar e também
coisas que eu devia mudar. Eu, das pessoas que conheço, talvez seja o que mais mude ao longo do tempo.
Esses personagens fictícios me passaram os seus valores, me ensinaram, cada um
deles, a sua lição de vida. Daí eu te pergunto (e não querendo transformar esse
texto num texto de autoajuda), o que o filme que você acabou de assistir, o
livro que acabou de ler, ou aquela série/novela que você acompanha todas as
noites te ensinou?
No
filme em questão, que por sua vez foi a inspiração para este texto, (As
vantagens de ser invisível, assista fera, é muito bom) eu me vi no Charlie,
protagonista, não pela crise central, mas por me sentir como ele, ou por já ter
sido como ele. O cara que vive isolado, que é tímido e que tem medo das pessoas
terem medo das loucuras que rondam a própria mente. Meus textos, assim como as
cartas escritas pelo Charlie ao seu amigo, tem a função de extravasar o que
ambos sentimos. Daí eu percebi o quanto esses textos, nos quais eu coloco minha
alma, me fazem bem. Quantas crises existências (e eu tenho muitas, meu caro) eu
superei apenas escrevendo? Claro que eu não sou tão antissocial a ponto de não
ter amigos e eles sempre são obrigados a me ouvir, por bem ou por mal
(muahahaahahah). Porém, são nos textos que eu me encontro. Então,
essa síndrome do protagonismo, que eu tenho certeza que já rolou com algum de
vocês (se é que tem alguém lendo esse texto), deve ter sido proveitosa em algum
ponto. Se você é como eu, e sempre que vai falar de um filme novo com um amigo,
ou uma série, anime ou coisa do gênero, e acaba dizendo “cara, o protagonista é
tipo eu!”, não se desespere, você não é louco (talvez seja, mas isso também não
é ruim), você só tem facilidade de interpretar aquilo e se colocar no lugar do
personagem. Você não é uma pessoa sem personalidade que quer ser tudo, (tipo
aquelas crianças que querem ter todos os poderes dos super-heróis que vê na TV)
você apenas consegue ver a sua personalidade dentro da história.
Hoje
em dia, no mundo em que vivemos, conseguir se colocar no lugar dos outros,
apenas uma vez, é difícil. Talvez se todos nós conseguíssemos tentar entender
pelo que o outro está passando, pudéssemos assim compreende-lo ou ajudá-lo
Todos somos egoístas demais para agir assim, e paramos sempre para julgar sem
nem ao menos tentar entender a situação. Então meu amigo, onde está o
protagonismo? Quando a história é real você tem medo de ser o protagonista né?
Vamos aprender mais com o que as histórias querem passar e menos com as
futilidades que borbulham por aí. Afinal aprender um bordão de novela todo
mundo aprende, mas aprender uma virtude, isso sim parece ser difícil.
Finalizando
esse gigantesco texto, fica apenas um aviso, não assista o filme do Homem de
Aço e tente sair voando por aí, eu não recomendo (hahaha) ou então tente parar
balas. Da próxima vez que se ver em um protagonista, tente puxar dele o que ele
possui de positivo e o que, no final do filme, o fez ter um “happy ending”.
Cinema é vida e a vida é um filme extremamente dramático, aprenda com isso.
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