domingo, 22 de setembro de 2013

[Crônica] Protagonismo

Por Guilherme César         
Domingo, calor, muito calor, fim de semana que antecede as últimas provas da faculdade e como sempre parei para o meu ritual de relaxamento para provas, fui assistir um filme. Não sou o tipo de apaixonado por cinema que assiste filmes para poder analisar a cenografia, a fotografia ou todas essas coisas que críticos e amantes do cinema fazem, eu assisto porque amo histórias e percebi isso faz pouco tempo. Contudo, antes que eu me desvie do assunto principal, devo deixar claro que cinema não é o assunto desta minha segunda crônica.   Você já assistiu algo (ou leu) e se colocou no lugar do protagonista?
Comigo acontece diariamente, acho que possuo essa tal síndrome do protagonismo. Séries, animes, livros, filmes e até músicas, sempre parece ser eu ali no centro da história. Talvez seja realmente uma doença, uma síndrome, ou um seja meu ego que em certos momentos é colossal. Tanto faz.
   Claro, guardando as devidas proporções, sempre me vejo nos protagonistas. Normalmente os heróis desajustados que vivem o eterno conflito entre o lado bom e o mal, os meio loucos desajeitados e tímidos, ou apenas aqueles que começam o filme apaixonados por uma garota linda e no final conseguem conquistar o coração delas. Mesmo com as diferenças que sempre existem, acho que acontece muito isso comigo.
     De certa forma é algo bom saber que situações que você poderia se encontrar podem ter um final feliz. Talvez eu esteja sendo manipulado pelas histórias tentando criar um vinculo com o personagem principal para que assim eu tente viver aquela história. Talvez por ser mais emocionante que a minha vida ou talvez por achar que aquele final feliz possa acontecer comigo.   Meu livro é um grande exemplo disso, me colocar como “o protagonista” não foi nada humilde, mas e daí? Muitos acham que ele é o que eu quero ser, mas poucos sabem é que ele, o protagonista lá, é quem eu realmente sou. Então, antes que eu me desvie do assunto novamente, vamos parar para pensar, o que aquele protagonista do filme que você acabou de assistir te ensinou?
      Não, eu não estou sendo romântico achando que o cinema foi criado para ensinar algo, talvez tenha sido, mas devemos lembrar que tudo que gera entretenimento foi feito visando o lucro. Tudo no mundo é assim, mas porque não podemos tentar enxergar o lado bom da vida? (outro filme que assisti ultimamente e recomendo) Na minha não tão humilde opinião, tudo tem seu lado positivo, mesmo aquelas coisas que te fazem surtar e que você diz “porra, que merda de vida!”, tudo, exatamente tudo tem um lado bom.  E as histórias também.        Eis que essa síndrome de protagonismo sempre me ensina algo. Todos os protagonistas que me identifiquei me mostraram coisas em mim que eu devia preservar e também coisas que eu devia mudar. Eu, das pessoas que conheço,  talvez seja o que mais mude ao longo do tempo. Esses personagens fictícios me passaram os seus valores, me ensinaram, cada um deles, a sua lição de vida. Daí eu te pergunto (e não querendo transformar esse texto num texto de autoajuda), o que o filme que você acabou de assistir, o livro que acabou de ler, ou aquela série/novela que você acompanha todas as noites te ensinou?
       No filme em questão, que por sua vez foi a inspiração para este texto, (As vantagens de ser invisível, assista fera, é muito bom) eu me vi no Charlie, protagonista, não pela crise central, mas por me sentir como ele, ou por já ter sido como ele. O cara que vive isolado, que é tímido e que tem medo das pessoas terem medo das loucuras que rondam a própria mente. Meus textos, assim como as cartas escritas pelo Charlie ao seu amigo, tem a função de extravasar o que ambos sentimos. Daí eu percebi o quanto esses textos, nos quais eu coloco minha alma, me fazem bem. Quantas crises existências (e eu tenho muitas, meu caro) eu superei apenas escrevendo? Claro que eu não sou tão antissocial a ponto de não ter amigos e eles sempre são obrigados a me ouvir, por bem ou por mal (muahahaahahah). Porém, são nos textos que eu me encontro.     Então, essa síndrome do protagonismo, que eu tenho certeza que já rolou com algum de vocês (se é que tem alguém lendo esse texto), deve ter sido proveitosa em algum ponto. Se você é como eu, e sempre que vai falar de um filme novo com um amigo, ou uma série, anime ou coisa do gênero, e acaba dizendo “cara, o protagonista é tipo eu!”, não se desespere, você não é louco (talvez seja, mas isso também não é ruim), você só tem facilidade de interpretar aquilo e se colocar no lugar do personagem. Você não é uma pessoa sem personalidade que quer ser tudo, (tipo aquelas crianças que querem ter todos os poderes dos super-heróis que vê na TV) você apenas consegue ver a sua personalidade dentro da história.
    Hoje em dia, no mundo em que vivemos, conseguir se colocar no lugar dos outros, apenas uma vez, é difícil. Talvez se todos nós conseguíssemos tentar entender pelo que o outro está passando, pudéssemos assim compreende-lo ou ajudá-lo Todos somos egoístas demais para agir assim, e paramos sempre para julgar sem nem ao menos tentar entender a situação. Então meu amigo, onde está o protagonismo? Quando a história é real você tem medo de ser o protagonista né? Vamos aprender mais com o que as histórias querem passar e menos com as futilidades que borbulham por aí. Afinal aprender um bordão de novela todo mundo aprende, mas aprender uma virtude, isso sim parece ser difícil.
    Finalizando esse gigantesco texto, fica apenas um aviso, não assista o filme do Homem de Aço e tente sair voando por aí, eu não recomendo (hahaha) ou então tente parar balas. Da próxima vez que se ver em um protagonista, tente puxar dele o que ele possui de positivo e o que, no final do filme, o fez ter um “happy ending”. Cinema é vida e a vida é um filme extremamente dramático, aprenda com isso. 


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